A carta escondida – Augusta Clara

O desnorte que vai neste governo permitiu que a carta escondida no baralho já nem para a batota sirva: António Borges, que não faz parte do executivo mas já percebemos que é quem, na sombra, manda aqui, em nome da poderosa finança mundial – bem se gaba de ter pertencido ao FMI – e decide a velocidade a que se vende Portugal aos bocados. E está muito satisfeito porque vão adiantados dois anos. Nós pensávamos que iam para aí uns dez.

De tal maneira tem carta branca, e tal é a sua arrogância, que se atreveu, finalmente, a dizer em público e em português o que um jornalista da BBC, referindo-se a moral e decência, já o tinha feito confessar sem peias. Passos Coelho e os seus ministros é que não se atrevem a afirmá-lo tão explicitamente (ficar-lhes-ia muito caro em termos de segurança): o desqualificado povo português, incluindo a maior parte dos seus empresários – onde isto já vai! – não contam nada para os barões mundiais que o Sr. Borges aqui representa.

No novo mundo que intentam criar, os fundos importantes provêm não das instituições bancárias onde as empresas conseguiam empréstimos, mas duma máfia internacional que investirá apenas nos grupos onde o dinheiro circulará com o objectivo de criar mais e mais dinheiro, enriquecendo essas personagens sem rosto. Diz ele que são essas que fazem mover os mercados, pretensa e liminarmente apresentados como sinónimo de mundo.

Mas o nosso mundo não é o mesmo que o deles porque o deles depende dum determinado “ponto de vista” que ficou bem claro na entrevista qual é: as empresas de outras dimensões que se aguentem ou vão à falência. Os trabalhadores serão os novos escravos, melhor dizendo, não lhes importa se vivem ou simulam estar vivos. E há os que vão morrer porque nada sobra para eles.

No vídeo que apresentamos a seguir, e cuja legendagem em português lamentamos não ter conseguido, não restam dúvidas sobre a conspiração mundial montada contra o trabalho e as pessoas. Os ricos querem que o mundo seja deles, o resto não lhes importa.

Mas o medo, uma componente muito importante neste jogo, parece não estar a corresponder bem ao papel que lhe foi atribuído porque, aqui, não há robots, os únicos alunos a serem aprovados no primeiro ano do curso universitário de “inteligentes” do Sr. Borges.  As pessoas começaram a perceber a vilania, uma grande vantagem para derrotar o medo.

A maldade, a crua desumanidade que estes propósitos representam atingiu um tal grau que, ao ver a aristocrática elegância, a recente magreza que o dito Borges agora apresenta, uma chispa malsã acendeu-me a secreta esperança de que aquela performance física não se devesse só ao ginásio nem à requintada alimentação … estão a ver?! Pensamentos do diabo.

O lugar dos monstros é no inferno, segundo a perspectiva dos ricos que, habitualmente, são muito católicos. Ainda assim, não deve ser pior do que o inferno que eles nos estão a criar cá na Terra.

4 Comments

  1. Pois não, Manel, acho que ainda não há. Fartei-me de procurar mas não encontrei. Fiz bastante esforço para o ouvir até ao fim porque, ainda por cima, é longo. Se conseguir tradução, volto a publicá-lo.

  2. Creio que num dos movimentos o vi com legendas mas depois perdi-lhe o rasto pois são muitos, desde o ReviralhosBlogue aos Tugaleaks. Desculpem mas se o encontrar de novo partilho com a Augusta. Bjos e um abraço!

Leave a Reply