EM COMBATE -194 – por José Brandão

Quem são os Macondes

Como seria compreensível, para a maioria de nós, o contacto com as populações autóctones só passou a ser uma realidade devido ao eclodir da Guerra Colonial, apresentando-se-nos através dos manuais do regime Marcelista aquelas populações e a sua revolta contra um sistema colonial que os oprimia como potenciais inimigos, cuja expressão se traduzia no apoio à formação de Movimentos de Libertação do jugo colonial.

Foi o caso da FRELIMO em Moçambique com quem nós ex-combatentes da Companhia de Caçadores 3309 viemos a tomar contacto mais directo, cujos guerrilheiros lutavam contra uma ideia de “Império”, pela libertação e independência do seu povo, conflito que contrastava com a evolução das sociedades democráticas que apoiavam o desenvolvimento e a libertação dos povos sujeitos a regimes coloniais, sendo Portugal condenado nas instâncias internacionais, nomeadamente na Organização das Nações Unidas (ONU) devido à sua política colonial.

A visão colonial seguida por Portugal nas colónias africanas impediu que, devido a uma lógica imposta pelo regime Marcelista, que a maioria de nós tivéssemos conhecimento da verdadeira expressão cultural daqueles povos, sendo uma das preocupações do exército ocupante controlar e acantonar as populações junto dos aquartelamentos militares para que mais facilmente no terreno, se pudesse dar combate ao seu exército de libertação, a FRELIMO, e evitar o seu contacto com as populações impedindo que estas pudessem prestar apoio aos seus guerrilheiros.

Os textos que se transcrevem e que foram extraídos de obras editadas sobre as duas etnias mais representativas da zona geograficamente denominada por Planalto dos Macondes (os Macondes e os Macuas) e onde foi o centro da actividade militar da Companhia de Caçadores 3309, são a expressão mais cabal de que para além do epíteto de “terroristas” com que eram classificados pela potência colonial devido à geo-estratégia política determinada pela “Guerra-fria”, existia naqueles povos toda uma riqueza de vivência e de costumes sociais enriquecidos por uma diversidade cultural por nós desconhecida e que aqui, em jeito de uma pequena homenagem, se transcreve algumas passagens das obras que são referenciadas na bibliografia.

Carlos Vardasca

16 de Julho de 2010

In: “Do Tejo ao Rovuma. Uma breve pausa num tempo das nossas vidas. Moçambique 1971-1973. História da Companhia de Caçadores 3309”. Carlos Vardasca. Alhos Vedros, 21 de Setembro de 2009.

A CCaç 3309 regressou a Lisboa em Fevereiro de 1973.

http://dotejoaorovuma-cabel.blogspot.com/

A sgeuir – Companhia de Artilharia 3503

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