À UNIÃO EUROPEIA, ATTAC ATRIBUI UM PRÉMIO NOBEL DE AUSTERIDADE

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

Muitos Chefes de Estado e de governo assim como os  representantes das instituições europeias felicitam-se pelo Prémio Nobel da paz que acaba de ser atribuído à União Europeia. Mas a Attac não se felicita: o prémio Nobel está completamente deslocado em querer recompensar a União Europeia enquanto que as suas instituições impõem enormes planos de austeridade social sobre as costas do povo, reforçam  as capacidades militares da UE e organizam a caça aos migrantes e conduzem uma política comercial agressiva.

José Manuel Barroso, Presidente da Comissão Europeia, justifica este prémio , afirmando que a União Europeia assume e defende os valores da “liberdade, da democracia, o estado de direito e o respeito pelos direitos humanos”. Estes valores estão contudo a mil léguas das orientações dos tratados europeus.

Como atribuir o prémio Nobel da paz a uma União Europeia fortaleza que conduz uma política de isolamento e de fecho das suas fronteiras fazendo com isso milhares de vítimas? Uma União que se empenha em ” melhorar gradualmente as suas capacidades militares (art.)” (42,3 do TUE) e que reconhece a supremacia da OTAN? Qual é a mensagem para os povos na sua estratégia de exportação comercial agressiva pela assinatura de acordos de parceria económica que laminam, através da liberalização dos mercados, sectores económicos inteiros nos países do Sul?

Finalmente, qual é a mensagem a transmitir a milhões de cidadãos que se mobilizam desde há dois anos nas praças públicas na Grécia, na Espanha e em Portugal, contra a destruição dos seus direitos sociais e contra as decisões da Troika, da Comissão e do Banco Central que estão à frente desta política? ATTAC Noruega lembra que actualmente “aqueles que se manifestam contra as políticas neoliberais da União Europeia e contra os planos de austeridade sofrem uma repressão brutal da polícia”.

Em vez da atribuição de um Nobel da paz, propomos que seja atribuído á União Europeia o prémio Nobel da austeridade. As política de austeridade impostas desde há dois anos nada mais fizeram do que  piorar a situação dos países que dela são as vítimas. Estas políticas alargam o fosso entre os países do “centro” e os países ditos da “periferia”  Estas políticas acentuam os ambientes nacionalistas entre os países e acentuam a guerra económica, comprometendo assim fortemente e colocando mesmo em perigo a construção de uma Europa da solidariedade e da cooperação, o que Attac França defende, com as  outras Attac da Europa.

Attac France, le 12 octobre 2012.

Leave a Reply