O texto de Bill Mitchell saiu no Eurointelligence de ontem, dia 5 de Novembro. A série Reflexões sobre a morte da zona euro, sobre os caminhos seguidos na Europa a caminho dos anos 1930 inicia-se hoje às 22 horas.
Iniciamos hoje a publicação de duas séries de trabalhos sobre o momento que passa, onde se irá terminar com alguns olhares sobre os anos de 1930, para nos confrontarmos com o destino que nos estão a programar. Um abuso na lógica? Talvez para alguns, mas não penso assim. A sentir-me com razão o Eurointelligence de hoje publica um texto de um economista australiano, Bill Mitchell – billy blog: Modern Monetary Theory … macroeconomic reality que se insere exactamente na mesma lógica que as nossas duas séries. A motivar-vos ou não para a leitura das duas séries de textos que agora se iniciam, aqui vos deixo o texto do Eurointelligence de hoje:
“Na última semana, várias das principais séries de dados foram publicadas pelo Eurostat, culminando no lançamento de ontem dos dados sobre o desemprego em Setembro que mostra que a taxa de desemprego subiu para o seu valor mais alto na história da União Monetária. Existem agora 18,49 milhões de pessoas na zona euro sem trabalho e isto é a ponta do iceberg quando se trata de avaliar a produção desperdiçada e as vidas destruídas que a austeridade orçamental está a criar . Somente no mês passado, houve mais 146.000 pessoas que se tornaram desempregadas. Mais de 25 por cento dos trabalhadores disponíveis estão desempregados na Grécia e em Espanha. Nós deixamos de descrever esta tragédia como uma recessão. Agora, trata-se isso sim de uma profunda e grande depressão que nos atinge e à escala já da Grande Depressão dos anos de 1930 e, mais uma vez, a sua profundidade é o resultado directo do fracasso das políticas escolhidas, as políticas de austeridade praticadas. Todos os indicadores que estão a serem publicados, todos eles separadamente e em conjunto fornecem um veredicto inequívoco – que os decisores políticos da zona euro estão a destruir a prosperidade e estão igualmente a mostrar terem já abandonado qualquer sentido de capacidade de governar, quando por esta expressão entendemos a capacidade de propor e de ir para a frente políticas estatais com a finalidade de melhorar o bem-estar dos povos.
O quadro e o gráfico abaixo são a representação de hoje (1 de novembro de 2012) das últimas notícias no Eurostat. A justaposição desta lista de itens é muito interessante (num sentido intelectual – e é trágica no sentido pessoal) e estabelece uma narrativa que é muito familiar para quem leu e compreendeu a moderna teoria monetária (MTM).
Não há nenhuma ambiguidade em tudo o que os títulos dos diversos dados publicados estão a sinalizar.”
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E para não sobrecarregar o texto, aqui deixamos o gráfico do desemprego publicado por Eurostat:
Compreende-se pois que uma das nossas duas séries que iniciamos hoje no blog AViagem dos Argonautas tenha como título Reflexões sobre a morte da zona euro, sobre os caminhos seguidos na Europa a caminho dos anos de 1930 e convido-vos a que nos acompanhem nesta viagem ao inferno desenhado e aplicado a partir de Bruxelas, de Frankfurt, Berlim e de Washington, entre outros locais.
E bom estômago para as leituras que se irão seguir.
Júlio Marques Mota

