EM VIAGEM PELA TURQUIA – 40 – por António Gomes Marques

(Continuação)

Do Mausoléu de Atatürk, seguimos para a visita a um dos maravilhosos museus que tivemos oportunidade de conhecer: Museu das Civilizações da Anatólia, situado no bairro de Atpazari (mercado dos cavalos), ocupando dois edifícios otomanos a sudeste da muralha da fortaleza de Ancara, sendo um dos edifícios o Bedestén de Mahmut Pachá e o outro o «caravansarai» de Kurşunlu, podendo afirmar-se que, pelo menos, este é da primeira metade do século XV, dado que, aquando da sua restauração, foram ali encontradas, em 1946, moedas do período de Murad II.

Foi Atatürk que teve a ideia de fundar um Museu Hitita em Ancara, levando a que muitas obras representativas dos hititas começassem a ser enviadas por várias cidades para a nova capital do país, obrigando assim a que tivesse de ser encontrado um espaço de grandes proporções, tendo a parte central sido aberta ao público em 1943, apesar de a restauração dos edifícios não estar ainda concluída, restauração essa só terminada em 1968, data a partir da qual o Museu conheceu a sua forma actual, sendo hoje reconhecido como um dos mais importantes do Mundo, proporcionando aos seus visitantes uma amostra da Arqueologia da Anatólia desde o paleolítico até aos nossos dias.

Entrada principal do Museu das Civilizações da Anatólia

A visita ao Museu dá-nos a possibilidade de percorrer a história dos povos que viveram na Ásia Menor, vendo os artefactos produzidos por estes povos no Paleolítico, no Neolítico, durante a colonização Assíria, pelo tempo dos Hititas, dos Frígios, dos Lídios e no período Urartu.

As peças estão expostas por ordem cronológica e, ao percorrer aquelas galerias, vamos sendo surpreendidos pela riqueza dos artefactos expostos e não deixamos de viver algumas emoções, nomeadamente quando somos surpreendidos por alguns relevos de pedra que nos lembram as fotografias dos manuais de história que utilizámos nos vários níveis de escolaridade, como se mostra na fotografia abaixo:

Carros de guerra, em basalto, da segunda metade do séc. VIII a. n. e., estilo assírio com figuras

Do Paleolítico, há que realçar, no que à Anatólia respeita e tendo em conta o que até agora foi encontrado, a Caverna de Karain, situada a 30 km de Antalya, onde foram encontrados assentamentos dos três períodos – Paleolítico superior, médio e inferior. No Museu podemos encontrar artefactos dos três períodos.

Em baixo: Deusa-mãe de Çatalhöyük – 5750 a. n. e.

Outra demonstração da riqueza deste Museu encontramo-la na estatueta da deusa-mãe de Çatalhöyük, que referimos, de entre muitíssimos outros exemplos que poderíamos dar, pela atenção que em nós despertou.

Çatalhöyük é um dos primeiros povoados urbanos em todo o mundo, situado a 52 km a Sudeste de Konya, datado de cerca de 7000 a. n. e. O Guia do American Express, «Turquia» (ed. da Civilização, Editores, Ld.ª, Porto, 2010), informa-nos de que «devia possuir uma população de 10.000 pessoas que viviam em casas quadradas de um só piso com entradas pelos telhados e janelas elevadas. Foi o centro de uma cultura que produziu uma grande quantidade de decorações murais, têxteis decorativos e olaria. (…) O Museu de Çatalhöyük tem os últimos achados e há exposições de “realidade virtual” nas casas e santuários. Os artefactos no museu são reproduções; os originais estão ou no museu de Konya ou no Museu das Civilizações da Anatólia em Ancara.»

Este povoado é um dos locais mais representativos do Neolítico, na Anatólia, verdadeiramente exemplar na contribuição para um conhecimento das sociedades primitivas, sendo o Museu das Civilizações da Anatólia um dos mais importantes em artefactos dali provenientes, de que a deusa-mãe é um dos exemplares mais extraordinários, nos seus 20 cm de altura.

(Continua)

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