PREPARE-SE, PORQUE ESTÁ AQUI O QUE PODE ACONTECER SE A GRÉCIA SAI DO EURO, por Simone Foxman

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

 

Simone Foxman, Business Insider

(continuação)

Parte II

O Banco Central Europeu seria então a instituição internacional que mais estaria sob os ataques dos mercados  depois de uma saída da Grécia, a Grexit.

AP/Riccardo De Luca

Porque a União Económica e Monetária foi destinada a ser permanente, não há nenhum processo organizado para se poder sair da zona do euro. Portanto, o BCE poderia ser apanhado e prisioneiro entre uma brutal rocha e um duro lugar com a instituição a manter-se responsável por manter a estabilidade dos preços e a credibilidade do euro.

Euro área: Os bancos centrais da zona euro  e o Banco Central Europeu teriam que ter um enorme estômago capaz de engolir grandes perdas que poriam em risco a sua própria solvência.

BNP Paribas

O gráfico acima  mostra a escala e a maturidade dos activos  detidos  pelo BCE e pelos Bancos Centrais Nacionais (BCN) sobre a dívida grega. Embora seja difícil actualmente tornar o BCE  insolvente, essas perdas, no entanto seriam um enorme alarme para os investidores preocupados com a sua credibilidade. Além disso, a exposição dos BCN face ao  banco central grego através das  transferências de Target  II — que permitem que os BCN financiem  os seus  bancos com o dinheiro que realmente não está actualmente no país — irá provavelmente resultar em perdas ainda mais profundas.

De acordo com o banco UBS a Grécia teria um  colapso na ordem dos  50% no PIB.

Fotos_von_Carlos on Flickr

De um relatório  publicado no ano transacto:

O custo para um país fraco abandonar o Euro é significativo. As consequências  incluem incumprimento público,  incumprimento de grandes empresas, colapso do sistema bancário e colapso do comércio internacional. Há poucas perspectivas de que uma desvalorização ofereça muito apoio. Estima-se que um país fraco ao deixar o Euro iria  incorrer   num custo à volta de 9.500 a 11.500 euros por pessoa durante o primeiro ano. Este custo desceria então muito provavelmente para 3 a 4000 euros por pessoa nos anos subsequentes. Isto equivale a um intervalo de 40 a 50% do PIB no primeiro ano.

CONTÁGIO: o medo ir-se-ia espalhar por toda a zona euro, atingindo também e de igual modo os bancos e os governos nacionais.

 Mary Margret on Flickr

Um sector privado cada vez mais  em recessão  está já a começar  a avaliar  as  perdas que  sofreriam com uma saída da Grécia e em que cada vez há  mais e mais analistas, investidores e políticos que começam agora  a acreditar que isso é inevitável. Mesmo assim, uma saída grega provavelmente seria um prelúdio para uma outra reestruturação da dívida, até porque o país ainda não será capaz de pedir dinheiro emprestado nos mercados para pagar as suas dívidas. Isto é obviamente um aspecto negativo para os bancos.

Ao mesmo tempo, países fragilizados da zona euro — nomeadamente, Itália, Espanha e Portugal — irão ter possivelmente ainda mais dificuldades para encontrarem os investidores dispostos a comprar seus títulos.

O  medo que se seguiria poderia causar uma ainda muito maior saída dos  depósitos colocados em bancos italianos e espanhóis.

Analistas do banco Société Générale  consideram  que uma saída da Grécia  poderia provocar uma saída adicional de  20 a 30 por cento dos  fluxos  nos bancos italianos e espanhóis já duramente atingidos pela crise actual, se o BCE não tomar medidas drásticas:

Na ausência de uma acção importante por parte do BCE, os bancos italianos e espanhóis terá então de (i) desalavancar   as suas contas para compensar a consequente redução na disponibilidade dos  depósitos   (ii)  desalavancar mais ainda até um ratio de 110% a sua relação empréstimo / depósito para compensar  a redução contínua na possibilidade de refinanciamento no mercado  interbancário e (iii) oferecer  taxas de juro mais elevadas sobre os demais depósitos disponíveis no mercado. Nós assumimos para os propósitos desta análise  que os bancos  italianos e espanhóis  não vai pagar as LTRO tão depressa e que o  BCE vai prolongar as LTRO de 3 anos para  5 anos.

Mas a gestão de uma saída grega poderia levar o BCE a adoptar medidas que levem a avançar para uma maior integração orçamental da zona euro.

AP/Michael Probst

Mujtaba Rahman do grupo Eurásia sugeriu numa recente nota que trabalhar  com uma saída da Grécia  poderia forçar o BCE a dar passos importantes para a integração financeira, os verdadeiros passos que se tem recusado a dar até agora, a fim de manter a estabilidade da zona euro:

Em tais circunstâncias, a nossa opinião é a de que o BCE  assumiria  essencialmente uma estratégia em duas vertentes: em primeiro lugar, apoiaria o sistema bancário grego enquanto também assumiria intervenções SMP (Securities Market Programme)   em larga escala sobre outros países membros em situação de risco (o potencial para um OSI- official sector involvement-   na estrada dos  SMP do BCE que também poderia ser contemplado para superar o problema de subordinação). O apoio financeiro aos países em risco também poderia ser complementado por uma declaração política que confirmaria o BCE como um credor explícito de última instância (dado que isto seria então necessário para o mercado conferir credibilidade às acções do BCE). No entanto, a fim de apoiar a Grécia por esta forma, o conselho de Governadores do BCE deveria ter de encarar a existência de alguma  forma de garantia de que a saída da Grécia  é na  medida do possível – uma parte da gestão de  um processo controlado. Com efeito,  enquanto tal situação poderia também justificar  a introdução em conjunto de  vários títulos em euros para a emissão de dívida de curto prazo para todos os países que estivessem no programa (por exemplo países que têm acesso a um fundo que emite dívida de curto prazo, contanto que estejam em conformidade com as normas SPG), isto provavelmente ainda seria improvável.

(continua)

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