“TERMINAR COM A DIFERENÇA DE GÉNERO; AGIR AGORA”- estudo da OCDE por clara castilho

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Tenho estado a fornecer dados do Observatório das Famílias e das Políticas de Família – 2011, do Instituto de Ciências Socias da Universidade de Lisboa (editado em Julho de 2012, coordenado por Karin Wall, tendo como autoras Sofia Aboim ,Mafalda Leitão e Sofia Marinho e com a colaboração de Vanessa Cunha e Vasco Ramos –   http://www.observatoriofamilias.ics.ul.pt/images/relatrio%20ofap%20versao%20definitva%20setembro%202012.pdf).

 A informação que se segue vem complementar a fotografia das nossas famílias. É que, fazendo bem as continhas, as mulheres trabalhadoras portuguesas com pelo menos um filho ganham 24% menos face ao salário mediano dos homens nessa mesma condição!  Nos casos em que não existem crianças, a diferença salarial continua a penalizar a mulher, mas muito menos: o diferencial é de 7% abaixo face rendimento mediano masculino, isto é, três vezes menos face à situação em que há pelo menos uma criança no agregado familiar.

 E isto são dados da OCDE, que publicou, no dia 17 de Dezembro o estudo “Terminar com a diferença de género: Agir agora“. Nele podemos ver que o ‘gap’ salarial aumenta dramaticamente em todos os países quando as pessoas têm filhos, ou seja, as mulheres são altamente (e as únicas) penalizadas com a nova situação.

As mulheres portuguesas têm um salário mediano 7% inferior face ao ordenado mediano dos homens numa situação em que não há filhos, mas este valor até está em linha com a média da OCDE.

Figura1

No entanto, quando se analisam os casos de pessoas com filhos, percebe-se que a desvantagem salarial das mulheres portuguesas face aos homens agrava-se e muito. A diferença não só é altamente penalizadora (mulheres mães ganham menos 24% do que os homens pais), como Portugal passa a ser o oitavo país com maior diferença no grupo de 31 Estados analisados pela OCDE. Na situação “sem crianças”, Portugal era o 16º país mais desigual.

A maternidade é mais penalizada em países como o Japão (mães ganham menos 61% do que os pais) e a Coreia (diferença penalizadora para as mulheres na ordem de 46% a menos no salário mediano).

Itália e Holanda são os casos menos problemáticos: as desvantagens salariais femininas são de 3% e 6%, respetivamente.

Os peritos da OCDE não têm dúvidas sobre o que está a acontecer: “as mulheres pagam um preço elevado pela maternidade, com custos exagerados nos cuidados infantis, disponibilidade ou acesso a equipamentos, e impostos que impedem muitas de trabalhar mais”.

Apesar dos ganhos das mulheres em educação,  qualificação e do aumento na participação no mercado de trabalho, “mantém-se diferenças consideráveis nas horas trabalhadas, nas condições de emprego e nos ganhos”. Dito de outra forma, nos países ricos elas ganham pior, têm piores empregos e trabalham mais horas.

1 Comment

  1. Celebro com satisfação o tratamento deste assunto num blogue português. Pelo que conheço de Portugal e os meus conhecidos e amigos portugueses, vejo que o debate sobre as injustiças de género, os géneros vários e mais de dous, e o uso respeitoso da linguagem não é algo habitual. Mais bem, nesse sentido observo que a mentalidade dos portugueses e portuguesas está a anos luz do de outros países europeus. O qual é preocupante.

    Não me parece normal que uma pessoa cobre menos que outra, trabalhando as duas por igual, só pela possibilidade da primeira ter a possibilidade de elaborar um processo físico complexo que acaba com o nascimento de uma vida hmana.

    Não me parece que o nascimento de uma pessoa tenha que significar um benefício para o proprietário da empresa, em base a uma suposta despesa. O sistema que determina uma “compensação” para o empresário por cada mulher contratada, e não celebra a vinda de novas vidas e mesmo incentiva o trabalhador que contribui com esse potencial humano, é uma desgraça de sistema.

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