HOMENAGEM A EUGÉNIO TAVARES – UM GRANDE POETA DE CABO VERDE

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Começámos esta série de homenagens com quatro portugueses – Almada Negreiros, Manoel de Oliveira, Agostinho da Silva e Eduardo Lourenço. Prosseguimos com um poeta cabo-verdiano – EUGÉNIO TAVARES  ( 1867 – 1930). Os movimentos literários que, já no século XX, eclodiram no arquipélago, nomeadamente o da revista Claridade, são subsidiários do esforço de Eugénio Tavares para dotar as letras cabo-verdianas de uma identidade própria. Representa, pois, para Cabo Verde o que os anteriores homenageados foram e são para Portugal – consciencializadores das realidades. Vamos transcrever , com adaptações, a biografia que escrevi para o site VIDAS LUSÓFONAS, dirigido pelo argonauta Fernando Correia da Silva. Pela sua extensão, será dividida em diversos posts que editaremos ao longo dos próximos dias. CL

E continuei a sonhar, a amar e a cantar…

1867: Em 18 de Outubro nasce na ilha Brava, no arquipélago de Cabo Verde, Eugénio de Paula Tavares, filho de Francisco de Paula Tavares e de Eugénia Nozolini Roiz Tavares, que morre em consequência do parto. Em 5 de Novembro, é baptizado na Igreja de São João Baptista, em Nova Sintra. 1870: Seu pai falece na Guiné, onde está em serviço do Estado português. Eugénio é acolhido pelo médico José Martins de Vera Cruz e por sua irmã, D. Eugénia da Vera Cruz Medina e Vasconcelos. 1876: É submetido a exame nas disciplinas básicas do ensino, obtendo a classificação de 18 valores. 1882: No Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro, é publicado o seu primeiro poema dedicado a sua madrinha. 1887: Casa com D. Guiomar Leça.1888: É colocado como Recebedor da Fazenda Pública no Concelho do Tarrafal. 1890: Regressa à Brava, onde passa a exercer as mesmas funções de Recebedor da Fazenda. 1895: Publica Manidjas (Canções) em crioulo. 1899: Começa a publicar textos na Revista de Cabo Verde, editada em Lisboa.1900: Em Junho, fugindo à perseguição das autoridades coloniais, exila-se nos Estados Unidos, onde inicia a edição do jornal Alvorada, cuja publicação se manterá até 1917. 1910: Revolta de rendeiros de Ribeirão Manuel, na ilha de Santiago. Proclamada a República em Portugal, Eugénio regressa a Cabo Verde. Inicia a sua colaboração em jornais no Manduco, publicado na ilha do Fogo. Mantém esta colaboração até 1910. 1910/11: Inicia a sua colaboração no Independente da Praia, que se prolongará até ao ano seguinte. Colabora também em O Futuro de Cabo Verde, no Progresso e no Mindelensede São Vicente.1911: Funda o semanário A Voz de Cabo Verde. 1912: Colabora no Correio Português, de New Bedford. 1913: Escreve para A Tribuna, da Brava.1914: Compõe e publica uma canção dedicada à República. 1915: Publica na Praia as Cartas Caboverdeanas.1916: Edita Amor Que Salva (Santificação do Beijo); neste mesmo ano, sai a público Mal de Amor: Coroa de Espinhos.1920: Morre José Martins de Vera Cruz, pai adoptivo de Eugénio. 1922: Regressa à Brava, pois foi julgado e absolvido. Com um grupo de amigos, cria a Escola Governador Guedes Vaz. Ainda neste ano, funda a Troupe Musical Bravense.1927: O governador-geral da Colónia, Guedes Vaz, realiza uma visita à Brava e apresenta o pedido de desculpa a Eugénio Tavares relativamente às ofensas e sofrimento a que a governação anterior o expusera. 1930: Em 1 de Junho, falece na sua Brava natal, vítima de uma angina de peito. 1932: Em Fevereiro, por iniciativa do escritor português José Osório de Oliveira, amigo de Eugénio, é publicado pela Livraria J. Rodrigues & Cª. de Lisboa, o volume Mornas – Cantigas Crioulas, de acordo com uma selecção e com um prefácio que o autor fizera poucos meses antes da sua morte, em Nova Sintra.1940: No âmbito das comemorações portuguesas do duplo centenário, dos oitocentos anos da Fundação e dos trezentos da Restauração, o Governador de Cabo Verde desloca-se à Brava para inaugurar o mausoléu de Eugénio Tavares. 1969: A Liga dos Amigos de Cabo Verde, em Luanda, publica a 2ª edição de Mornas, com uma Adenda em português.1976: Pelos acordos de Londres e de Argel, Portugal reconhece a independência de Cabo Verde. 1995: Em 6 de Maio, no Palácio Valenças, em Sintra (Portugal), é feito o anúncio público, seguido da leitura de estatutos e da escritura pública, da criação da «Fundação Eugénio Tavares». 2002: Em 24 de Junho, é inaugurado na Praça Eugénio Tavares, da Vila Nova Sintra, na ilha Brava, o monumento ao poeta, «Homenagem da comunidade cabo-verdiana da diáspora e da associação ´Amidjabraba`».

Continuamos à uma hora da próxima noite – UMA INFÂNCIA TORMENTOSA, MAS FELIZ.

E deixamo-vos com Força di cretcheu, uma das mais famosas composições de Eugénio Tavares na magnífica voz de Gardénia Benrós

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