A solidariedade é um dado que nasce connosco ou aprende-se ?
Anda a correr nas redes sociais um pequeno vídeo com o título “Como as crianças reagem a um prato vazio”, um experiência de laboratório em que duas crianças são confrontados numa situação em que uma tem uma sande e outra não. Ficamos deliciados com a reacção dos garotos que partilham a que têm. Desconfio sempre destas experiências, pois outros dados e informações deverão ser controladas. Se os meninos estão de barriga cheia, não lhes será difícil dividir… se lhes meteram medo com o fogo do inferno, também partilharão facilmente… Se não comerem há 24 horas, ou por terem ido fazer uma analise em jejum, ou por de facto não haver comida em casa, duvido que sorriam da mesma forma e partilhem tão facilmente…
De início a moral das crianças é funcional, elas sabem que há coisas que podem ou não fazer. Ainda não têm a moral de valores, baseada em princípios vindos da sociedade e das convicções pessoais. Para as atingir as crianças têm que se tornar autónomas, não devendo estar dependentes de punições ou recompensas.
A regra é exterior à consciência, revelada e imposta pelos adultos. No início as crianças julgam os actos de acordo com o seu resultado material e só mais tarde começar a levar em linha de conta as intenções. As crianças resolvem os seus conflitos morais em função dos seus interesses concretos e das consequências materiais que daí derivam. Só mais tarde começam a preocupar-se com o que os outros esperam delas.
Estarei a ser cínica com este vídeo? Ou é antes a projecção daquilo que gostaríamos que as adultos fizessem?