REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

MARIO DRAGHI E O BCE – Os grandes alquimistas  à mesa de cabeceira do Euro

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Michel Lhomme 

30/04/2013

Segundo os dados do Fundo Monetário Internacional, os bancos centrais dos países emergentes ter-se-iam desembaraçado de EUR 45  mil milhões em 2012, o que corresponde a uma queda de 8% das suas reservas em euros.

Estes países em desenvolvimento têm substituído o euro por montantes de  dólares australianos, ou expressos em moedas de outros países emergentes. Agora, as reservas em euros representam cerca de  24% do total, enquanto estas  representavam  ainda 31% em 2009, enquanto o dólar ainda representa cerca de 60%.

Este movimento é o resultado da perda de confiança no euro, depois de vários episódios da crise da dívida europeia e acelerando-se depois das  recentes “decisões” de Mario Draghi. Vista da América Latina, Austrália ou Nova Zelândia, parece cada vez menos provável que o euro seja  capaz de continuar nos próximos meses como uma moeda alternativa ao dólar no mapa internacional. O euro   está em vias de se tornar uma  moeda de macaco. Se a dimensão  da zona do euro poderia dar  em teoria  competitividade à sua moeda, enquanto  moeda de reserva, as dúvidas sobre a situação de Espanha e da Itália e as  preocupações sobre a França têm ameaçado a estabilidade dos mercados europeus de obrigações. O estatuto do euro como moeda internacional está pois a ser minado.

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Mario Draghi et la BCE : les nouveaux alchimistes

A decisão abril de 2013, decisão  surpreendente mas sintomática  da catástrofe ambiente , tomada por Mario Draghi, Presidente do Banco Central (BCE) sem nenhuma   consulta a ninguém  e em particular à  Alemanha,  deu ao estrangeiro  o sinal de alarme geral. Ele decidiu conceder  à França o direito de cunhar , indirectamente, moeda e, isso,  de forma praticamente “ilimitada”  em euros bem sonantes, em dinheiro vivo. As Nouvelles economiques alemãs  (Deutsche Wirtschafts Nachrichten) relataram este extraordinário  acontecimento: “essa acção deve impedir que um  qualquer banco francês se venha a fundar. Para o muito  sério  Die Welt: ” a rotativa do BCE está  fora de controle”.

PS: um ataque orquestrado contra a Alemanha

Como a Alemanha poderia ela, impotente, assistir ao que se está a passar? A decisão do Mario Draghi tem sido entendida como um golpe de estado dos países do Sul da Europa, tendo debaixo da mão a França, secretamente no interior do Banco Central Europeu. Para a Alemanha, é claro que é toda a integridade do BCE que está a ser  abalada. A bolha  concedida à França para salvar um dos seus mais emblemáticos bancos (fala-se  de Crédit Agricole e Société Générale) é medido em milhares de milhões. Todas as propostas envenenadas  do PS francês não têm estado fora de controle. Eles pretendem paralisar a Alemanha para que ela não interfira. O BCE assim deu à França a oportunidade de estabilizar os seus bancos, enquanto a Alemanha não se pode opor.

alquimista

A Bancarrota de Law

A Caminho da bancarrota?

Que procura  Mario Draghi?

Certamente, Mario Draghi compra o tempo para os franceses, até à  União bancária prevista para 2018. Vistas as circunstâncias, quer-se  antecipar a introdução da União  bancária em 2015 e então?… Depois,   o resgate dos bancos na Europa será feito a partir dos accionistas e dos  afforadores.  Hoje, é necessário gerir  caixas vazias e os   produtos tóxicos.

Permitindo que a França recapitalize  os   seus bancos  em caso de necessidade, o BCE aceita  os créditos da França . A França recapitaliza os seus  bancos privados em  dificuldade, o BCE empresta à França o dinheiro que não tem e pronto, fica tudo resolvido! Na verdade, a Alemanha é bem o patinho desta farça   Podemos compreender a posição de Mario Draghi porque,  excepto se se é cipriotas, seria verdadeiramente a  falência para  Paris, no decorrer de Abril, de um grande banco francês!

michel barnierMichel Barnier

Durante este tempo e fazendo contraponto à  flexibilidade do BCE, a Comissão Europeia e muito particularmente  Michel Barnier, Comissário responsável pelo bancos, está a preparar uma directiva que envolverá os depósitos de mais de 100.000 euros aquando de  um resgate do banco. A intenção de partida é  louvável, pois trata-se de  não envolver   mais  os contribuintes, mas esse argumento, na  pressa,  é simplesmente um pretexto.

A directiva de Michel Barnier prevê que em caso de falência de um banco, as perdas serão primeiro assumidas pelos  proprietários e accionistas, seguidas depois pelos credores “Juniores” e “seniores” e, em terceiro lugar, os candidatos acima de 100.000 €. Somente se todas estas contribuições  se provarem  insuficientes então intervirão os Estados com o dinheiro  público, através do Fundo Europeu de emergência, o MEE.

Chipre era pois uma experiência.

Michel Lhomme, Les grands alchimistes au chevet de l’Euro, disponível em :
 http://metamag.fr/metamag-1311-MARIO-DRAGHI-ET-LA-BCE-Les-grands-alchimistes-au-chevet-de-l’Euro.html

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