por Rui Oliveira
Na Quinta-feira, 30 de Maio (com repetição no Domingo, 2 de Junho) chega ao fim na Fundação Calouste Gulbenkian a série de quatro programas que o maestro Lawrence Foster se propôs organizar na sua despedida da direcção da Orquestra em torno do tema “Shakespeare e a Música”.
Será então tocada em versão concerto a ópera em 4 actos de Guiseppe Verdi (com legendas em português) chamada “Otello”, a penúltima na sua produção. Terá resultado, dez anos após a escrita da “Aida” (1871), da persistência do seu editor Reicordi inconformado com a “reforma” do compositor, apresentando-lhe um libreto de Arrigo Boito que conseguiu agradar a Verdi,
um conhecido admirador da obra de Shakespeare.
Colaboram nesta produção, além da Orquestra Gulbenkian dirigida por Lawrence Foster, o tenor georgiano Badri Maisuradze (Otello)(foto), a soprano russo-americana Dina Kuznetsova (Desdemona)(foto), o barítono norte-americano Lester Lynch (Iago), o baixo português Luís Rodrigues (Montano), a meio-soprano irlandesa Zandra MacMaster (Emilia), o tenor búlgaro Ivan Momirov (Cassio), o tenor austríaco Dietmar Kerschbaum (Roderigo) e o baixo português Nuno Dias (Lodovico).
Mostramo-vos a interpretação por Badri Maisuradze da ária “Nium mi tema” do 4º acto do “Otello” de Verdi :
Se o leitor pretender ouvir uma audição na Ópera Berlioz de Montpellier em Fevereiro de 2010 da versão concerto do “Otello” de Verdi em que Badri Maisuradze faz o papel principal (e Barbara Haveman o de Desdemona) e em que, curiosamente, Lawrence Foster dirige a Orchestre National de Montpellier tem-na aqui http://youtu.be/Al4JnsoY1FI (agradecendo ao YouTube).
Ainda na música, o último concerto da Orquestra de Câmara Portuguesa em residência no CCB, antes do Verão, é inteiramente dedicado a Beethoven, com duas das suas mais conhecidas (e entusiasmantes) sinfonias.
Será nesta Quinta-feira, 30 de Maio, às 21h, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém onde o maestro Pedro Carneiro irá dirigir a referida Orquestra de Câmara Portuguesa num programa onde consta :
Ludwig van Beethoven Sinfonia nº 7 em Lá maior, op. 92
“ “ “ Sinfonia nº 5 em Dó menor, op. 67
Se a primeira peça, a 7ª Sinfonia, já foi escrita pelo compositor em período mais difícil de surdez progresiva (mesmo, segundo o programa, durante a estadia de Beethoven nas termas checas de Teplice), por contraste a 5ª Sinfonia resultou, em 1807/8, dum período de euforia criativa que se espelha na partitura.
Daí ser frequentemente usada na promoção do “Espírito Beethoven” como o fez Pedro Carneiro com membros da OCP numa bem sucedida flashmob num eléctrico em Belém :
Se o leitor quiser ouvir uma versão mais sisuda deste 1º andamento Allegro com brio da 5ª Sinfonia, veja-a aqui pela Orquestra Filarmónica de Berlim dirigida por Herbert von Karajan :
Passando ao teatro, o dia é fertil em diversas estreias.
Assim na Culturgest, no palco do seu Grande Auditório, estreia nesta Quinta-feira, 30 de Maio, às 21h30 (permanecendo até Domingo, 2 de Junho) o espectáculo de Diogo Dória e Manuel Wiborg intitulado “Sou o Vento”, onde são encenadores e actores.
Baseado num texto do dramaturgo norueguês Jon Fosse (foto)(Eg er vinden, 2007) traduzido por Pedro Porto Fernandes, tem cenografia de João Queiroz e Elsa Bruxelas e luz de Jorge Ribeiro.
Esclarece o programa que “na teia da obra de Jon Fosse, este texto (… já apresentado em Portugal numa encenação de Patrice Chéreau) transpõe uma nova fronteira”.
«Duas pessoas num barco, em alto mar: Um e o Outro. Fazem um piquenique, com o oceano como cenário, e partilham sentimentos. Um fala de tristeza e do medo de cometer suicídio. E depois mata-se. Ou será que já estava morto? O Outro tenta sobreviver à deriva nas ondas tempestuosas, mas as conversas entre os dois parecem ser entre fantasmas. Ou são mesmo? Talvez sejam apenas formas de existência, sem passado nem futuro, numa irrealidade qualquer…»
Citando o cenógrafo : “… a peça é uma conversa sobre a morte. Morre-se de duas maneiras: voluntariamente ou não. A peça é um debate sobre este assunto”.
Já no Teatro da Cornucópia, nesta Quinta-feira, 30 de Maio, às 21h, inicia-se a representação (que terminará a 30 de Junho) de “Ai Amor sem Pés nem Cabeça, destemperado jogo de entremezes lisboetas”, um espectáculo encenado por Luis Miguel Cintra a partir de textos do teatro de cordel setecentista.
A encenação e colagem de textos é de Luis Miguel Cintra e o cenário e figurinos de Cristina Reis. No elenco estão : Dinis Gomes, Duarte Guimarães, José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, Luísa Cruz, Manuel Romano, Rita Durão, Rui Teigão, Sofia Marques, Teresa Madruga, Vítor d’ Andrade, Ana Amaral e Laura Silva (estagiárias da Escola Superior de Teatro e Cinema).
Notas do programa :
« O teatro de cordel português, que finalmente está catalogado e já em parte digitalizado, é uma espécie de arca do tesouro ou de caixa de Pandora donde podem
sair mil surpresas a negar que o teatro português fosse um campo secundário da cultura portuguesa. São obras de todo o género que entre o século XVI e o séc. XIX já se venderam e compraram na rua. Foram eruditas e populares, foram veículos de vida. Houve uma arte efémera, claro, que foi muito viva na nossa terra. Esse património dramatúrgico continua a ser pouco explorado. E no entanto o seu carácter quase anónimo, mesmo quando se trata de textos de muito bons autores pede que seja manipulado, parece que está à espera que o transformem em teatro de novos tempos».
Em vez de encher o cartaz com um grande clássico reduzido a fast food, … a Cornucópia resolveu construir um espectáculo especial a partir… destes diálogos tantas vezes primorosamente escritos, uns em prosa, outros em verso, e que vão desde um diálogo entre o corpo e a alma de tradição muito antiga a um longo poema sobre a noite de S. João, passando por muitos desses entremezes, pequenas peças anónimas de quarto de hora que retratam a vida quotidiana, sem nenhuma complicação nem grande intriga.
Por último, nesta Quinta-feira, 30 de Maio (e até Sexta, 7 de Junho) o Maria Matos Teatro Municipal em coprodução com o Rimini Protokol (de Berlim) apresenta o projecto “Remote Lisboa” que se situa entre o real e o virtual.
Partindo do Cemitério dos Olivais às 18h30, grupos constituidos por 50 pessoas “invadem” a cidade, guiados por uma voz artificial, como as que conhecemos de aparelhos electrónicos como o GPS que ouvem através de auscultadores. Recebem instruções e escutam uma banda sonora nova para as ruas, os parques de estacionamento ou as igrejas. O espectador torna-se num actor de um filme com outros 49 actores do elenco. A voz que os guia vai-se tornando cada vez mais familiar, mas, aos olhos dos transeuntes, este grupo orientado remotamente começa a parecer-se com uma entidade alienígena. Estarão todos a ouvir o mesmo? Poderá isto ser o começo de um movimento?
O Rimini Protokoll é composto por Stefan Kaegi, Helgard Haug e Daniel Wetzel. Eles são considerados os “líderes (protagonistas) e criadores duma nova realidade” (Teatro do Tempo), que tem dominado a cena do teatro jovem. Os seus trabalhos ocorrem entre a realidade e a ficção e têm atraído a atenção internacional. Algumas das suas obras inesquecíveis já foram apresentadas em Lisboa: “Chácara Paraíso” (com Lola Árias) e “Rádio Muezzin” no alkantara festival e “Mnemopark” na Culturgest.
Quanto ao jazz e músicas afins, nesta Quinta-feira, 30 de Maio, enquanto ao bar Onda Jazz volta, às 22h30, a cantora Selma Uamusse com Daniel Lima no piano, quem se deslocar até ao Hot Clube terá a oportunidade, às mesmas 22h30, de ouvir tocar o “Perico Sambeat 5tet”.
Esta formação, que ali permanecerá até Domingo (2 de Junho), associa Perico Sambeat saxofone alto (foto), um saxofonista valenciano de 50 anos partidário do diálogo do jazz com o flamenco, com quatro experientes músicos portugueses, André Fernandes guitarra, Mário Laginha piano, Nelson Cascais contrabaixo e Bruno Pedroso bateria.
Perico Sambeat tem colaboração frequente com músicos nacionais (até em álbuns como “Baladas” com Bernardo Sassetti). O seu Quinteto possui formação variável, em regra com André Fernandes presente, como acontece nesta gravação de Novembro de 2012 no Jamboree Jazz Club (Barcelona) com Roger Mas piano, Alexis Cuadrado contrabaixo e Marc Miralta bateria.
Por fim, como conferências/debate, lembramos que se realiza neste dia (Quinta-feira 30) no Pequeno Auditório da Culturgest, das 9h30 às 18h30, com entrada livre, um Colóquio “Jornalismos/Jornalistas”, promovido, entre outros, pelo Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL) e Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL).
“O jornalismo vive um período inédito de mutações velozes e intensas. As novas tecnologias da informação, a digitalização da cultura, a desmaterialização e a desvalorização do trabalho, colocam problemas tão poderosos que a profissão corre o risco de perder os valores, as práticas e os fins que a constituíram. É urgente, por isso, reflectir sobre as condições que determinam o seu exercício e debater as tendências com que hoje se confronta”.
Este Colóquio pretende responder a essa necessidade reunindo aos investigadores Rémy Rieffel (Univ. Paris II, Panthéon-Assas), Carolyn Marvin (Univ. Pennsylvania) e José Nuno Matos (Instituto de Ciências Sociais-Universidade de Lisboa) um conjunto de profissionais do jornalismo e da comunicação. Conciliando perspectivas analíticas com diversas experiências pessoais, pretende por meio de uma discussão pública, expor e pensar os dilemas que os jornalistas enfrentam na actualidade, enquanto sujeitos da produção intelectual e da sociedade civil. E nesse sentido acolhe também uma serie de intervenções dedicadas a formas de comunicação (sobretudo política) que sugerem caminhos alternativos ao mainstream da atividade jornalística.
São palestras capitais neste 1º dia “Le Journalisme de l’avenir” de Rémy Rieffel (às 12h15) e “Context Collapse: Some Ethical Implications for Journalists” de Carolyn Marvin (às 17h30).
O colóquio prossegue e conclui-se no dia 31 de Maio, no ISCTE. O programa detalhado pode ser consultado aqui .
Entretanto, no São Luiz Teatro Municipal, prossegue o programa “Modo Interrogativo” (comissariado por Tiago Bartolomeu Costa) de debates e reflexão que tem como objectivo analisar e apresentar propostas a curto, médio e longo prazo para o sector cultural.
Nesta Quinta-feira, 30 de Maio, no Jardim de Inverno com entrada livre, o tema “Cultura e Cidades” tem, às 18h30, uma sessão sobre “Cidades Políticas” onde falarão intervenientes das Câmaras Municipais de Faro, Lisboa, Évora e Guimarães, com comentário por António Pinto Ribeiro. À noite (21h), na sessão sobre “Cidades Projectos” ouvir-se-ão os representantes das iniciativas Dançando com a diferença, Comédias do Minho, Centro de Residências Binaural/Nodar, Festival Bons Sons, Circular- Festival de Artes Performativas, com comentário final de João Guimarães.
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui)







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