Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
Grécia: o FMI reconhece que o primeiro plano de resgate resultou em significativas falhas “
A Comissão encarregada do euro dessolidarizou-se do mea culpa assumido pelo Fundo Monetário Internacional, afirmando: “Estamos em desacordo fundamental com o relatório do FMI”.
Mea Culpa
Publicado em 6 de Junho de 2013
O Fundo Monetário Internacional divulgou um relatório na quarta-feira, 5 de Junho, que critica severamente o primeiro plano de resgate para a Grécia (em 2010), o último de uma série de mea culpa parciais que o fundo exprimiu depois de ter reavaliado as consequências da austeridade na economia dos países sobrecarregados com a dívida pública
. A razão para essas “falhas significativas”: projecções de crescimento demasiado optimistas e desentendimentos com os seus parceiros europeus no seio da tróica de credores (União Europeia, Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional). “Houve falhas notáveis. A confiança dos mercados não foi restabelecida (…) e a economia tem vindo a enfrentar uma recessão muito mais forte do que o que foi previsto “, disse o Fundo Monetário Internacional, recordando que a Grécia teve que ser socorrida maciçamente uma segunda vez na Primavera de 2012.
Em 2010, o FMI estimou que o país retomaria o crescimento em 2012, enquanto na realidade a Grécia está mergulhada numa profunda recessão até agora pelo sexto ano consecutivo, apesar do segundo plano de ajuda maciça, sobre um fundo de crescentes manifestações contra a austeridade.
Essa “mea culpa” não agradou à União Europeia: o porta-voz de Olli Rehn, vice-presidente da Comissão responsável pelo euro, não se poupou, em todo o caso, nas palavras em reacção à imprensa acreditada em Bruxelas: “Estamos em desacordo fundamental com o relatório do FMI”, lançou Simon O’Connor.
Estas declarações acontecem na altura em que o FMI desbloqueou no dia 31 de Maio uma nova tranche da ajuda à Grécia no montante de EUR 1,7 mil milhões. Num breve comunicado, o Conselho de administração do FMI afirmou que este pagamento eleva a € 6,6 mil milhões o montante total concedido a Atenas pelo FMI desde o anúncio do resgate do país há um ano.
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