Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
Julgados por uma acção na sede do PS, membros da Génération identitaire evocam “um azar, um acaso”
François Béguin, Le Monde
Militantes da extrema-direita colocaram uma bandeira ‘Hollande, démission’ a partir do terraço da sede do PS.
No dia 26 de Maio, à margem de uma grande manifestação contra o casamento entre homossexuais, a ocupação do terraço da sede do Partido Socialista, rue de Solférino, em Paris, foi imediatamente reivindicada pelo movimento Génération identitaire. Na quinta-feira, 25 de Julho, no Tribunal Correcional de Paris, a acção de repente tornou-se órfã. Nenhuma das 19 pessoas presas nessa tarde quis assumir uma qualquer responsabilidade na génese desta operação.
” Tem-se necessidade de lhes dizer: Assumam-se”
Processados por violação de domicílio, um delito punível com prisão de um ano e multa de 15.000 euros, os 17 rapazes e duas raparigas, com idades entre 19 e os 36 anos, quiseram passar por estranhos ao incidente e principalmente negaram pertencerem a este movimento que foi tornado público em Outubro de 2012 por ter ocupado a Mesquita de Poitiers. Todos eles são ainda considerados como membros deste movimento de extrema-direita pelos serviços de informação.
Um após o outro, eles também explicaram que nesse dia, provincianos perdidos nas ruas da capital, eles terão passado “por acaso” na rua de Solferino, encontraram-se numa multidão, então subiram os degraus de uma escada, sem saber que ela ia dar à sede do quartel-general do partido maioritário e só depois descobriram o slogan de ” Hollande Démission ” escrita sobre a faixa. Uma defesa que deu origem, a quase oito horas de debate, algumas trocas de expressões acintosas com o Presidente do tribunal, Jean-Christophe Hullin.
Eu deixei-me arrastar por um movimento de multidão, não reflecti, eu subi, disse um deles. “É como numa festa, quer-se ser mais do que o outro. Às vezes o sistema de som está lá, não se sabe quem subiu. Réplica imediata do Presidente, gracejando: “mas em geral, há um disc jockey. Naquele local, esse não foi encontrado”. À XV resposta e contra-resposta irónica e acintosa no mesmo género , no entanto, lamentou a falta de “decência intelectual” dos acusados. “Não é proibido de pertencer a este movimento. “Isso incomoda-o ?” “Temos a sensação de que o que tem sido bem sucedido, é o efeito de surpresa. “Daí a nossa impressão de que existe uma acção concertada”, disse ele.
” “Hoje, eles avançaram todos disfarçados “, lamentou o Procurador da República, acabando por considerar os factos como de “média severidade” contra os acusados. “Tem-se a necessidade de lhes dizer: assumam-se, porque esconderem a vossa pertença a esse movimento?”
COLORAÇÂO IDEOLÓGICA DO PROCESSO
Eles são, finalmente, os sete advogados de defesa dos acusados que cada um, por sua vez, procuraram politizar o julgamento. “Estamos na desproporção”, apontou Me Frédéric Pichon, evocando uma “coloração ideológica” do julgamento e a acusação de” ser um requisitório político”. Me Isabelle Bredy, por sua vez denunciou ” as questões inquisitoriais ” e um procedimento “surrealista” para o que é, de acordo com ela, nada mais nada menos que uma partida de “estudantes”.
Reconhecendo a intencionalidade e o carácter de uma acção organizada “pretendida ser encarada como sendo um acto político”, o tribunal condenou os 15 acusados numa multa de 500 euros, com pena suspensa e o último a uma sentença de 90 dias e substituídos com multas de 10 euros por dia , ou seja 900 euros no total.


