UMA CARTA DO PORTO – por José Magalhães (5)

O OUTONO

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Rotunda da Boavista

Rotunda da Boavista

A chegada do Outono trouxe consigo uma série de regressos: o regresso da chuva, dos dias mais frios, das trovoadas, o regresso das mantas espalhadas no sofá e das lareiras acesas e o regresso dos vendedores de castanhas assadas. E que saudades eu tinha de tudo isto.

O calor já mofava.

 A chuva e o menos calor, até mesmo o frio, fazem-me bem. Gosto de andar na rua com o piso molhado a reflectir os faróis dos carros em pleno dia, gosto do barulho que a chuva faz quando cai nos telhados ou nas janelas de casa, mais forte, menos forte. Gosto do barulho do ribombar da trovoada ao longe,  gosto dos relâmpagos a rasgar o céu, do nevoeiro e da luz que agora a cidade tem. Mais uma vez uma luz acinzentada e mágica, que traz ao burgo um novo misticismo, um novo encanto e uma beleza diferente.

A chegada do Outono trouxe também novos autarcas a par de uma data deles, antigos repetentes na matéria. Uns maus, outros piores, mas muitos, quiçá a maioria, com vontade de trabalhar e fazer das suas terras as melhores do mundo e arredores. O futuro nos dirá tudo sobre a capacidade que os vencedores destas eleições, os que venceram mesmo e se tornaram os Presidentes do sítio a que concorreram, venham a ter para concretizarem todas as promessas que durante semanas andaram a fazer.

Também assim foi na minha cidade.

Numa cidade maior do que qualquer Presidente ou partido político, onde o turismo explodiu numa revolução pós Low Cost e pós Rui Rio, o novo autarca, Rui Moreira, que chegou com os ventos e as chuvas do Outono, tem de aumentar a segurança, a iluminação e a limpeza.

Tem que criar um programa que oriente os milhões de turistas que nos procuram,  com um plano coerente, fazendo com que passem a vir para muito mais do que para ver o que se vê nas visitas às caves ou nos passeios de barco no rio e nas idas à “movida” da noite da baixa, à procura da nossa arquitectura ou à degustação das delícias da nossa gastronomia. Tem que fazer tudo isto a par da resolução do problema dos idosos, da pobreza visível ou encapotada, da falta de emprego e da desesperança que graça em muitas famílias, e da captação de investimento, muito embora estes problemas não sejam exclusivos do Porto, antes de todo um País.

A tarefa não vai ser fácil, vai ser muito trabalhosa e cheia de espinhos. Mas, será que Rui Moreira ganhou a Presidência da Câmara do Porto para passar umas férias na melhor cidade do mundo?

De Rui Moreira só se espera que trabalhe segundo os seus princípios, que actue de acordo com as expectativas da população do Porto e sirva sempre os interesses superiores da cidade que agora lidera.

Será que com a chegada do Outono veio uma lufada de esperança à cidade?

 

TESOUROS ESCONDIDOS NA CIDADE 2

 

Miradouros

Santa Catarina

Miradouro de Santa Catarina

Miradouro de Santa Catarina

Vários são os sítios na cidade, de onde se podem apreciar “vistas” lindas e deslumbrantes.

É o caso do Miradouro da capela de Santa Catarina e Senhora dos Anjos.

Com vista sobre o Douro e a sua foz, sobre o Jardim do Cálem , sobre a Afurada e sobre Massarelos, é um dos locais mais indicados para ver o fogo de artifício que anualmente, na noite de s. Pedro, se lança do outro lado do rio. Reconhecidamente tão bom quanto belo, o fogo da Afurada traz anualmente milhares de visitantes às margens do Douro para o apreciarem.

O Jardim do Cálem é um pequeno espaço ajardinado que se situa já quase na foz do Rio Douro e oferece vistas magníficas sobre o rio. Nele podemos apreciar na sua zona mais larga,  um monumento que recorda a expedição de Ceuta de 1415. O Jardim prolonga-se até ao Passeio Alegre. Pelo caminho, nas Sobreiras, onde se encontra uma escultura em bronze, O Mensageiro, de Irene Vilar – escultora nascida em Matosinhos em 1930 e falecida no Porto em 2008, que viveu practicamente toda a sua vida na Foz do Douro – alguns relvados e plantações de árvores e arbustos, em espaço conquistado ao rio, ampliam o espaço verde.

Bandeirinha da Saúde e Vila Ignez

Pirâmide da Rua da Bandeirinha

Pirâmide da Rua da Bandeirinha

Na rua da Bandeirinha, que é a continuação da rua de Sobre-o-Douro (parte da antiga estrada romana Via Vetera), mesmo junto à casa das Sereias existe uma pirâmide em granito, rematada em ferro forjado, onde, antigamente,  a bandeira da saúde se içava. A “bandeirinha da saúde”, que marcava o limite da atracagem dos navios, era hasteada em tempo de peste para avisar os barcos que subiam o rio Douro da necessidade de lhes ser ministrada vistoria sanitária.

Desse local a vista sobre o rio e as cidades que lhe são adjacentes, é magnífica.

Voltando à Rua de Sobre-o-Douro, existe uma casa, com o número de polícia 12, e que tem escrito o nome de “Vila Ignez”. Se entrarem por essa porta, encontram uma espécie de bairro particular, e poderão sentir o que é viver num autêntico balcão sobre o rio Douro.

Aos vossos pés poderão ver as ruinas do Convento de Monchique, imortalizado por Camilo no Amor de Perdição”.

A rua da Bandeirinha e a de Sobre-o-Douro são dos recantos mais agradáveis da nossa cidade.

 

EXPOSIÇÕES

 

Galeria Mira - no fim das obras

Galeria Mira – no fim das obras

Espaço Mira

No próximo sábado, 5 de Outubro, pelas 16 horas, abre um novo espaço dedicado à fotografia e às artes. Nelson d’Aires inaugura o espaço com uma exposição, “DEMORAR”, no âmbito dos Encontros da Imagem 2013. Local a visitar na inauguração e a revisitar mais tarde, pelo que promete.

O espaço MIRA fica logo ali ao lado da estação de Campanhã, na rua de Miraflor, nº 159, num antigo armazém de carvão, vinho e comércios vários, agora recuperado pela arquitecta Adriana Floret e pelo eng. Ricardo Santos. Manuela Matos Monteiro e João Lafuente abrirão o lugar a fotógrafos que queiram expor os seus trabalhos, promoverão debates, encontros e workshops onde a fotografia se cruzará com outras artes e saberes, favorecendo sempre que possível “ encontros inesperados com o diverso”.

 

MUSEUS

 

Nova escultura de Joana de Vasconcelos – A Valquíria do Dragão –

Museu do FCP

Um novo Museu nasceu na cidade, em Setembro, estará aberto ao público a partir do final do próximo mês. Apresentado em espaço de luxo, tem todas as potencialidades para se tornar num dos museus mais visitados da cidade, apesar da sua umbilical ligação ao maior clube desportivo do nosso burgo, ou não tivesse exposta uma espectacular obra da escultora Joana de Vasconcelos, esta feita efectuada com taças, cachecóis e galhardetes.

Museu do Teatro de Marionetas do Porto

Outro novo Museu nasceu também, este ano, no burgo. Desta feita o Museu do Teatro de Marionetas do Porto, situado na rua das Flores, que nos mostra mais de um milhar de peças (personagens que deram vida a 25 anos de história e de actividade), abriu em Fevereiro.

Ao celebrarem os 25 anos de existência neste final de Setembro, a abertura de um museu foi uma prenda para o Teatro de Marionetas do Porto, dirigido artisticamente, desde o falecimento do fundador da companhia João Paulo Seara Cardoso, por Isabel Barros.

 

Dia Mundial da Arquitectura

O Pelouro da Cultura da Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos decidiu alargar as comemorações do Dia Mundial da Arquitectura (primeira segunda-feira de Outubro) a todo o restante mês, numa iniciativa designada ARQ OUT. Vai já na sua terceira edição.

Assim, neste mês da arquitectura, haverá exposições, jantares-debate, conferências e filmes. Também haverá conversas e visitas guiadas.

Poderá, se lhe interessar, ver o programa completo em http://www.oasrn.org/arqout

 

Os 20 anos do Parque da cidade

 

Parque da Cidade

Parque da Cidade

O parque da cidade faz vinte anos e para o comemorar, no sábado dia 5 de Outubro, a RunPorto organiza a Corrida Do Parque À Noite. Os participantes palmilharão oito quilómetros animados por jogos de luz e música, com início às 21h no queimódromo.

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AÍNDA NO MÊS DE OUTUBRO

O regresso do Urban Market à Praça das Cardosas

A Família Desce à Rua

A Porto Stock Fair estará de volta ao Palácio de Cristal com descontos até 80% em cerca de 500 mil livros

Flea Market nos dias 12 e 13, em Cristo Rei

Urban Trail Night Race, a partir da Ribeira no dia 12

EM PENAFIEL, perto do Porto, ESCRITARIA, com Mário de Carvalho a ser homenageado. De 4 a 6/10.

EM LEÇA DA PALMEIRA, mesmo à beirinha do Porto, comemorações do Centenário do Naufrágio do Navio Veronese, organizada pela Associação Humanitária Matosinhos–Leça (Bombeiros Voluntários) e pela Associação Cultural Amigos de Leça da Palmeira. Pelas 17h30 do dia 5, no salão Salão nobre da A.H.M.L. (B.V.), com Inauguração da exposição comemorativa do naufrágio do “Veronese”,que compreende:

1. Espólio do Museu da A.H.M.L. (B.V.)
2. Colecção bibliográfica da Biblioteca Rocha Peixoto – Póvoa de Varzim
3. Colecções particulares: Dr. Luis Sá, Engº Rocha dos Santos, Mª Helena Ramos, Mª Olímpia Ramos, Pedro Araújo, Drª Palmira Oliveira, Dr. Rodrigues de Sousa
4. Trabalhos dos Artistas plásticos: António Mendes, Gilberto Russa, António Peneda, Oliveira Monteiro, A. Cunha e Siva, Rosalina Queirós, Hermínia Silva.

Será seguido de um Porto de Honra.

A não perder de modo algum!

Tanta coisa para ver e sentir e viver no Porto.

Porque espera?

O PORTO ENCANTA QUEM POR CÁ PASSA!

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About José Magalhães

Escrevo e fotografo pelo imenso prazer que daí tiro

5 comments

  1. maria celeste ramos

    É o esplendor da vida manifestada noutras dimensões e cor e cores e luz – a vida e a morte para que haja outro recomeço – como para recordar numa só estação todas as outras incluindo todas as vidas

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  2. maria celeste ramos

    Não sei ou não recordo quem é mas os mails cruzam-se mas é bonito o que diz e me faz repensar coisas “outonais” – eu não sou do Porto mas conheço bem e é a 2ª cidade mais bela do mundo – rica de tão bela – Portus calle

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  3. maria celeste ramos

    E o seu Rio d’Oiro – Fios d’oiro puxam por mim puxam por mim cada um para o seu fim cada um para o seu norte – sim mas o TEJO é muito mais “velho” e cansado do local onde “nasceu” no Terciário até mudou de curso e hoje até nos dá um pequenino mediterrâneo privado – para se distinguir do D’oiro

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  4. Pingback: UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (38) | A Viagem dos Argonautas

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