RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Selecção, tradução e nota introdutória por Júlio Marques Mota

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União Europeia

 Propostas para uma renovação  industrial

Gilbert RIBES, Junho de 2013

(conclusão)

Para os países emergentes

Os  países emergentes que têm baseado o seu crescimento nas exportações vão acelerar o crescimento da sua procura interna  e reduzir a sua acumulação  de reservas cambiais.

Para isso devem reforçar e generalizar o seu sistema de protecção social (saúde, pensões, educação gratuita), para reduzir a taxa de poupança das famílias (40% para os  chineses) e acelerar o aumento salarial, o terceiro princípio do “Fordismo”).

Para grandes países como a China ou a Índia é aliás  a única solução possível para assegurar a sua coesão social e a sua estabilidade política, o que exige criar-se anualmente, dezenas de milhões de novos postos de trabalho para melhorar o poder de compra dos seus concidadãos que não beneficiam ainda do seu crescimento.

A reconstrução da Europa após a segunda Guerra Mundial mostra que é possível contribuir para o desenvolvimento dos países emergentes sem prejudicar o emprego nos países desenvolvidos. No quadro do plano Marshall, os americanos tinham transferido para os países europeus capitais  e tecnologias necessárias para que a estes lhes fosse possível reconstruírem-se e atingirem assim  e  em poucos anos um elevado nível de desenvolvimento. Mas eles tinham mantido as barreiras aduaneiras para não abrir os seus países a uma concorrência desleal ( ao mesmo tempo que assim procuravam encontrar  a oportunidade de promover o seu crescimento e o seu emprego e conquistar posições sustentáveis na economia europeia).

Um calendário para ter sucesso o mais rapidamente possível

Uma fase de concertação no seio de instâncias  internacionais existentes  (UE, outros agrupamentos regionais, G20, UN, OMC, OIT) é necessária para:

– evitar uma série de respostas unilaterais e uma desestabilização brutal da economia global

– fazer os investimentos industriais necessários nos países desenvolvidos

– definir os contornos dos blocos regionais homogéneos

– definir um novo sistema monetário internacional

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A Europa tem vantagens : ar, espaço, …

Um prazo máximo para a conclusão desta fase deve ser fixado (6 meses a 1 ano). No início das negociações, a União Europeia deveria  anunciar à partida que na falta de um acordo no final deste período, unilateralmente aplicaria a nova política comercial .

Seguir-se-ia  um período de transição de três anos durante o qual as medidas aplicadas teriam sido repartidas ao longo desse período, permitindo as adaptações necessárias:

– aos países emergentes: para substituir com o crescimento da procura interna a deterioração das suas exportações para os países desenvolvidos

– e aos países desenvolvidos: para realizarem  o crescimento da sua produção industrial e com isso poderem  substituir  às  importações  provenientes de países emergentes por produção nacional.

Estas regras seria definidas por um período mínimo de 10 a 15 anos, para dar os investidores um horizonte suficiente para justificar os seus investimentos industriais.

Para um desenvolvimento sustentado

O desenvolvimento de uma agricultura racionalizada ou biológica, empregando menos  pesticidas e menos produtos de base mineral, respeitadora do meio ambiente e promovendo  a saúde dos consumidores, requer também, pelo menos durante um período transitório, regras para o seu desenvolvimento, regras  que estão em contradição com a OMC e com  a abertura total do comércio.

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O desenvolvimento de energias renováveis depende dos  financiamentos públicos, o tempo necessário para que elas se tornem competitivas em relação aos combustíveis fósseis.  No entanto, o empobrecimento  dos países europeus devido aos défices  comerciais da maioria dos países cria tensões  consideráveis  sobre os défices públicos e, finalmente, coloca em causa os subsídios envolvidos com as energias renováveis em muitos países. Assim, em 2010, graças a subvenções concedidas pelos Estados-Membros na produção de energia solar cerca de 90% dos painéis solares instalados em todo o mundo foram instalados  na Europa, mas apenas 12%  deles foi produzido na Europa, porque a concorrência desleal da China arrastou consigo  uma deslocalização  massiva da  fabricação dos painéis  solares para a Ásia

Os subsídios europeus só  têm sentido  se os painéis solares são fabricados e criam  postos de trabalho na União Europeia. Outras  fileiras  como a energia eólica  ou a química verde estão no mesmo plano. Caso contrário, aumentam  os défices públicos dos Estados-Membros e a União Europeia perderia o controle de seu próprio destino quanto à  protecção de seu meio ambiente.

O desenvolvimento de uma indústria ligada ao meio ambiente, requer portanto, que o financiamento público necessário para o desenvolvimento desta indústria beneficie exclusivamente as indústrias europeias

Finalmente, o controlo quanto ao  desenvolvimento sustentável exige que a Europa tenha uma grande indústria ambiental no  seu solo a fim de a orientar para projectos úteis ao seu projecto de  sociedade.

*Polytechnicien, ex-cadre dirigeant dans l’Industrie. Gilbert RIBES est l’initiateur et le rédacteur d’une pétition adressée au Parlement Européen le 5 juin 2013.

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