EDITORIAL – O MOVIMENTO PARA A MUDANÇA

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Na Europa, em vários países, estão a ocorrer regularmente manifestações. Sobretudo nos países que se costuma classificar como de periferia. Na Itália, em Espanha, em Portugal. Por vezes, também em França e noutros. E fora da União Europeia, como na Ucrânia. Será indicação de que há um descontentamento generalizado por todo o Velho Continente? É claro que há. Mas será que todos os que protestam o fazem com ideias semelhantes, no mesmo sentido? Parece que não.

Dir-se-á que é natural haver diferenças entre tanta gente, entre povos tão diversos, todos eles com passado e história significativos. Claro que sim.  Mas as diferenças poderão inconciliáveis. Uma delas é com certeza sobre a própria ideia da Europa. Se alguns, fora da União Europeia, pretendem o seu alargamento, para também os abranger, outros manifestam- se em sentido diverso. Organizam-se movimentos para sair do euro. Outros protestam por terem de cumprir normas que não têm origem nacional. Se a Europa fascina uns, sobretudo aqueles que a miram de fora, a outros provoca rejeição. Mesmo para aqueles que sempre rejeitaram a integração europeia, esta contradição resulta como extremamente grave. Que caminho escolher?

Se alguém lucrou com o esforço de integração europeia, que já se desenvolve há mais de sessenta anos, foi sem dúvida a Alemanha. Recuperou da derrota na Segunda Guerra Mundial, domina a União Europeia e favorece a sua expansão.  Mas, quando vemos os manifestantes ucranianos reclamando contra o governo por este ter abandonado as negociações com a União Europeia, não conseguimos deixar de nos interrogar sobre se perceberão onde se estão a meter.

Na Europa, as questões não se resumem à adesão ou saída da União Europeia. As relações com o resto do mundo contam decisivamente. Mas aí, os preconceitos europeus, herdados da ideia de superioridade consolidada ao longo de séculos de colonização do mundo, continuam a pesar terrivelmente. Basta ver a sobranceria com que têm sido considerados os movimentos sociais e políticos como a Primavera Árabe, ou as alterações políticas na América Latina. Os sucessos obtidos são menosprezados, os líderes políticos desdenhados, sobretudo quando pretendem que os seus povos sigam caminhos próprios. Aqui está um dos pontos cruciais deste novelo. Por aqui se poderão encaminhar os esforços para a mudança, de maneira mais decisiva.

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