DA UNIVERSIDADE PARA O DESEMPREGO, DO DESEMPREGO PARA OUTROS PAÍSES por clara castilho

9349741_b7nUl

 Aproxima-se o Natal, os emigrantes regressam “a casa” para matar saudades. Dos familiares, dos rituais, das comidas, dos cheiros…Um colega, meu ex-estagiário, vem do Reino Unido, e quer combinar um encontro para recordar um espaço e pessoas onde foi feliz e cresceu. Será recebido de braços abertos!

Mas isto fez-me pensar que na vida nas universidades, que não tem andado fácil. Não me refiro aos estudos e à vida dos estudantes. Se bem que quanto a estes, se tenha verificado uma grande diminuição do número, pela baixa dos subsídios para as propinas e pela dificuldade de muitos pais continuarem a manter os filhos na sua dependência, comas despesas acrescidas de estarem a estudar.

image005

Mas estava a pensar numa conversa com um a migo, professor universitário. É que baixando o número de alunos, baixa também a receita vinda do Ministério da Educação. Consequência? Mais professores desempregados, menos condições de estudo e de investigação. Queixam-se também de terem de efectuar trabalho burocrático, que antes era feito por outros, e de terem de dar maior número de aulas. Para além disso, a reposição de subsídios imposta pelo Tribunal Constitucional não foi prevista no orçamento de Estado, devido a erros da equipa do orçamento. Em termos de números, temos um corte no orçamento das universidades de 50% desde 2006, o que não aconteceu em nenhum outro sector da administração pública.

O Presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior, Meira Soares, enviou em Outubro uma carta aos deputados da Assembleia da República, explicando as razões da sua saída, com termos duros para com o Governo. Depois de ter colaborado vários governos que passaram desde os 15 anos que liderou a comissão de acesso ao Ensino Superior

O ex-reitor da universidade de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa, falando sobre a reorganização da rede do Ensino Superior, no programa “O Estado da Nação”,referiu que ela é necessária, pois Portugal não tem condições para ter 15 universidades públicas e 15 politécnicos públicos, lamentando a necessidade de os jovens terem necessidade de saírem do país.

E são muitos destes jovens que depois nos enchem de orgulho quando, emergem no campo da investigação e conseguem feitos assinaláveis. Todas as semanas surgem noticias destas.

Por outro lado, três estabelecimentos de ensino portugueses foram consideradas, no “ranking” Eduniversal ( que resulta da avaliação feita pelos directores de cerca de mil escolas de negócios e gestão do mundo, hierarquizando as instituições em cinco listas distintas, consoante o número de “palmas” conquistadas, que pode variar entre uma e cinco) com três palmas : a ISCTE Business School, do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, o Instituto Superior de Economia e Gestão, da Universidade de Lisboa, e a Porto Business School (PBS), escola de economia e gestão da Universidade do Porto.

O que andamos a desperdiçar!

Leave a Reply