Parte VII
(continuação)
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5. A austeridade pode andar lado a lado com o crescimento – o caso inglês
“A austeridade na Inglaterra funciona mesmo ”
Inacreditavelmente pudemos ler na imprensa diária:
Reino Unido: depois da recessão, a retoma (Le Monde)
“Os dados sugerem uma recuperação equilibrada, diversificada e sustentável”, alegrou-se o Le Monde que escrevia, na segunda-feira, 9 de Setembro de 2013, após um discurso em Londres para uma plateia de académicos e empresários. A prova, acrescentava o Le Monde, que a cura de austeridade sem precedentes que o governo de David Cameron impôs ao seu país era a “boa resposta face aos desequilíbrios na economia do Reino Unido. As provas dizem-nos atestam que a austeridade funciona”.
A Inglaterra ganhou a sua aposta: a austeridade e o crescimento podem caminhar a par (Express.be)
A Inglaterra vai retomar o crescimento, com um crescimento bem acima do que conhecemos nos nossos países, que andam à volta de 0,1 a 0,3% . “A opção não é pois austeridade ou crescimento. A escolha é de rigor orçamental e reformas estruturais ou forte incidência. A Inglaterra tomou medidas drásticas, porque necessárias. Levou a cabo reformas difíceis, reduziu as despesas do Estado, fez cortes nas despesas sociais e baixou mais os impostos do que os subiu. Inglaterra vai sair desta crise fortalecida.
Agora, na série, como o disse Confucius , um gráfico vale bem mais do que mil palavras, eis aqui a evolução do crescimento do PIB na Inglaterra:
PIB e Défices
Bem, o crescimento económico arranca levemente em 2013 (…) Mas sem nenhuma razão para nos rebolarmos de alegria, trata-se de uma taxa de crescimento de 0,5 %, se olharmos para o crescimento e tivermos em conta o crescimento e a evolução da população (…) basta ver o nível pré-crise. E isto sem entrar em linha de conta o PIB gerado pela finança internacional que nada vale e destrói muita coisa.
Figura XIII) – Crescimento económico na zona euro, nos EUA, na França, no Reino Unidos (2003-2013)
Mas onde está incrível boom económico a que se referem?
Será necessário ver a Figura XIV onde espelha o conjunto crescimento e défice.
Figura XIV) – Défice e Crescimento económico na zona euro, nos EUA, na França, no Reino Unidos (2003-2013)
Mas que bela austeridade com um défice de 6 a 8% do PIB! E tudo isto para ter menos de 2 % de crescimento do PIB! 35 milhares de milhões de crescimento para se ter 130 milhares de milhões de défice – que rendimento extraordinário!
Olhemos bem : 2011 + 2012 + 2013 = 10 % do PIB em divida adicional na zona euro = 20 % do PIB de dívida adicional na Inglaterra !
É verdade, que se fizéssemos como eles, seja 45 a 50 mil milhões de euros de défice a mais, com certeza que iríamos ter um pouco mais de crescimento.
Como de costume, a austeridade inglesa consiste principalmente em atingir a população por nada (…) Oh, perdão, para “modernizar e flexibilizar ” economia em benefício “das suas forças (…) que vão fazer chover sobre os pobres todo o dinheiro acumulado”(…) A lógica do tricke-down!
Portanto, somamos mais um caso às ” obras do neoliberalismo” nada diferente à crise de Espanha e de outros.
Uma vez mais: Mas a crise já a largámos ali ao virar da esquina! Dizem-nos
(continua)
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Para ler a Parte VI deste trabalho de Júlio Marques Mota, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:
O PIOR DA CRISE JÁ PASSOU, VEM AÍ O CRESCIMENTO. É O QUE NOS DIZEM! por JÚLIO MARQUES MOTA


Bem prega S.Tomaz -no olheis para o que ele diz mas para o que ele faz ” Maria