UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (25)

CARTA DO PORTO

Tem chovido muito.

Já há alguns anos que não chove assim. Poucos têm sido os dias de sol que nos visitam nos últimos meses. A cidade vai-se mantendo encharcada e as borrascas no mar também nos não poupam. Mesmo debaixo de chuva, centenas de pessoas passam horas em frente ao mar da Foz, perto do Farol de Felgueiras, para fotografar a onda que bata com mais força e mais se eleve.

É vê-los a olhar, a olhar…

A minha cidade é linda, seja com sol, seja com chuva.

O nevoeiro traz-lhe uma ambiência especial. O Porto, com a sua atmosfera levemente escura, sombria, nevoenta, obscura e incerta, cheira a mistério brumoso.

O sol, traz-lhe a alegria e o calor.

As gentes dão-lhe um colorido pitoresco que se não encontra em qualquer outro lugar.

Hoje, deixo-vos algumas imagens do Porto, provenientes de um olhar diferente.

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As imagens acima são do Parque da Cidade do PORTO.

O Parque Ocidental da Cidade do Porto, da autoria do arquitecto  Sidónio Pardal, é o maior parque urbano do país, ocupando um total de 83 hectares de áreas verdes naturalizadas que se estendem até ao Oceano Atlântico, e cerca de 10 km de caminhos, conferindo-lhe este facto, uma particularidade rara a nível mundial. A modelação do terreno, os elementos de pedra e o arvoredo criam interioridades particularmente aprazíveis.

A presença da pedra proveniente de demolições de edifícios e de outras estruturas, é uma característica deste parque, onde a construção de muros de suporte de terras, estadias, charcos drenantes para a retenção de águas das chuvas, descarregadores de superfície dos lagos, tanques, abrigos, bordaduras de caminhos e pavimentos, criam uma ideia rural e campestre.
Em 2000, foi seleccionado pela Ordem dos Engenheiros com uma das “100 obras mais notáveis construídas do século XX em Portugal”.

Dentro do Parque está o Pavilhão da Água. Este, foi um dos pavilhões temáticos existentes na Expo 98. Foi instalado no Parque da Cidade no Porto após o encerramento da exposição, está aberto ao público desde Dezembro de 2002 e é gerido pela Fundação Ciência e Desenvolvimento. Da autoria dos arquitectos Alexandre Burmester e José Carlos Gonçalves, este edifício foi projectado de forma a criar a ilusão de que está suspenso no ar e pensado para ser visitado de forma lúdica e cientifica.

Para além de caminhos e trilhos e zonas de descanso, e do Pavilhão do Água, o Parque da Cidade do Porto tem acesso privilegiado ao Sea Life Porto, ao Edifício Transparente, e ao mar.

A mancha verde que se começa a avistar da Avenida da Boavista e da marginal da Foz do Porto é um maravilhoso prenúncio de sossego. À medida que nos aproximamos, o desejo de entrar, sobrepõe-se a tudo o resto. E, felizes dos que entram.

Dentro do Parque da Cidade do Porto, a agitação urbana fica, de repente, num outro planeta, longe de tudo, enquanto o parque se vai revelando, pouco a pouco, passo a passo, o local ideal para ler, passear, correr, ou simplesmente apreciar a paisagem e desfrutar dos mais belos recantos existentes na cidade.

E um pouco da História do Parque.

O Parque da Cidade está implantado num vale por onde correm três ribeiras, a de Aldoar, a da Boavista e a de Nevogilde.

Em 1932, o «Prólogo ao Plano de Urbanização da Cidade do Porto», de Ezequiel de Campos, propôs a criação de um espaço verde, junto à Circunvalação, projecto que cresceu na década de 40, com o arquitecto italiano Muzio.

Em 1952, surge no «Plano Regulador da Cidade do Porto», de Antão de Almeida Garrett.

Previsto no Plano de Urbanização do Arquitecto Robert Auzelle nos anos 60, foi projectado pelo arquitecto paisagista Sidónio Pardal.

Em 1987, o Parque da Cidade passa a constar do «Plano Geral de Urbanização», de Duarte Castelo Branco, tendo sido inaugurado em 1993 (1ª fase) e finalizado em 2002, com a construção da Frente Marítima.

Para além de toda a História e de todas as histórias que envolveram a construção do mais lindo Parque de Portugal, e um dos mais bonitos do Mundo, o que interessa sobremaneira, é que ele influenciou, para muito melhor, a maneira de viver do Portuense, e influencia quem, vindo de outras paragens, lá entra.

Espero que tenham gostado desta leitura fotográfica, feita em dias de sol de Inverno.

About José Magalhães

Escrevo e fotografo pelo imenso prazer que daí tiro

9 comments

  1. Lindas imagens, é a prova que mesmo em dias frios os arredores do porto continua deslumbrante. Eis o motivo de tantos olhares de pessoas fascinadas com o belo!
    Su

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  2. Ondina Correia

    Parabéns pelas lindissimas imagens. Este Porto que eu amo, e que me emociona todas as vezes que atravesso a ponte da Arrábida, e o visito. Sou Gaiense, e tripeira de coraçao. Bonito texto. Obrigada por tao bonita partilha. Um abraço.
    Ondina Correia

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  3. jose macedo

    É sempre com agrado que leio a tua “CARTA DO PORTO” e vejo as belas fotografias que habitualmente a acompanham. Continua porque já nos habituamos à sua leitura.
    Um grande abraço

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  4. Ondina Correia

    Também sou “alucinada” pelo Porto, e ai de quem me diga que esta cidade maravilhosa, não é bonita, cai o Carmo e a Trindade. Costumo dizer, que adoraria viver mesmo nos Aliados, para estar sempre no centro , rsrsrrs

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  5. Pingback: UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (25) | joanvergall

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