UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (32)

CARTA DO PORTO

AS PONTES DO PORTO

Se há coisas que nos caracterizam, são as nossas pontes.
Temos seis, para quase todos os gostos e feitios. Umas de ferro, relíquias mais do que centenárias e outras de betão, elegantes e perfeitas tecnicamente. Umas que são ou foram recordes mundiais, outras que são, simplesmente lindas. Mas todas, mesmo todas, mesmo a que está desactivada, levam e trazem gentes de todos os credos e raças, de todos os tamanhos e de todas as vontades. Levam e trazem gentes que só o fazem de passagem, e outras que o fazem porque as pontes só lhes servem para aproximar as margens.
Nenhuma se chama Edgar Cardoso, o Senhor Engenheiro das Pontes e do rigor técnico, mas bem que seria merecida a homenagem se alguém, um dia, resolvesse mudar o nome a alguma delas.
As nossas pontes, como o nosso rio, unem as pessoas. Quem vem ou vai, e atravessa a ponte, não vai para a outra banda nem dela vem, não vai para a outra margem ou dela regressa, continua na sua terra, sem diferenças, sem o notar. As nossas pontes nunca precisaram de unir o que o nosso rio nunca separou.
Antes das pontes que agora temos, duas outras houve, a Ponte das Barcas (1806) e a Ponte Pênsil (1843). A primeira só durou três anos, já que a 29 de Maio de 1809, se deu o desastre da Ponte das Barcas, e logo de seguida, a 12 de Maio, as tropas Francesas se encarregaram de a mandar incendiar, ficando as populações ribeirinhas impedidas de atravessar o rio com os pés enxutos. Expulsos os Franceses, foram, até à altura em que a Ponte Pênsil foi inaugurada, construídas mais duas Pontes das Barcas, cada uma mais segura e complexa que a anterior.
Esta Ponte Pênsil, oficialmente denominada Ponte D. Maria II, mas nunca assim conhecida, cujos obeliscos de suporte ainda existem do lado da cidade do Porto, durou pouco mais de quarenta anos, já que em 1886, se inauguraria a Ponte Luís I.
Mas antes da substituição da Ponte Pênsil pela Ponte Luís I, tinha surgido, em 1877, a mais famosa ponte que o Porto tem, e que hoje se encontra desactivada; a Ponte Maria Pia.
A Ponte Maria Pia, que muita gente chama de D. Maria, foi obra de Gustave Eiffel. Foi a primeira grande obra de quem viria a ser, mais tarde, o engenheiro da Torre Eiffel, em Paris.
É, sem dúvida, a ponte mais bonita que a cidade tem. De uma leveza extraordinária, mal parecia possível que por lá passassem comboios.
E então lá se construiu a Ponte Luiz I. Posterior à obra prima que foi a Ponte Maria Pia, esta ponte não pode deixar de ser considerara notável, pela grandiosidade, no que é comparável àquela, mas sobretudo por uma outra razão, relacionada com o génio das gentes de então. Construíram uma ponte com dois tabuleiros, aproveitando da melhor maneira a topografia das margens do rio Douto. Teófilo Seyrig foi o engenheiro responsável pelo desenho da ponte, e não fora o génio de Eiffel, que o menorizou, ficaria para a história como um dos melhores engenheiros de pontes metálicas, do mundo.
Foram, depois, precisos setenta e sete anos, para que o Porto visse aparecer um outro génio construtor de pontes, na cidade. Natural do Porto, Edgar Cardoso desenhou a Ponte da Arrábida. Inaugurada em 1963, foi, durante algum tempo, recordista mundial, para pontes em arco de betão armado.
Depois, em 1991, e de novo com o Engenheiro Edgar Cardoso a liderar o projecto, foi inaugurada nova ponte; a Ponte de São João.
Veio esta ponte substituir a Ponte Maria Pia.
As duas últimas pontes, rodoviárias, construídas no Porto foram a Ponte do Freixo, da autoria do Professor António Reis, inaugurada em 1995, e a Ponte Infante D. Henrique da autoria de António Adão da Fonseca e Francisco Millanes Mato, inaugurada em 2003.
Muito se fala em outras pontes, pedonais e rodoviárias, realmente necessárias e urgentes, e até em túneis, não tão necessários e muito menos urgentes. Para essas obras, parece faltar, como sempre, a vontade política para as construir, por parte do Governo (seja lá qual for o partido que nos governe), bem assim como o dinheiro necessário para as implementar. De qualquer forma, para já e até ver, todas as promessas de construção de novas travessias, são só palavras ocas de épocas tremendas como as que se vivem em alturas de eleições.

 

PONTE DA ARRÁBIDA

PONTE DA ARRÁBIDA

PONTE LUÍS I

PONTE LUÍS I

PONTE MARIA PIA PONTE DO INFANTE D. HENRIQUE PONTE LUÍS I

PONTE MARIA PIA
PONTE DO INFANTE D. HENRIQUE
PONTE LUÍS I

 

 

About José Magalhães

Escrevo e fotografo pelo imenso prazer que daí tiro

4 comments

  1. Pingback: UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (32) | joanvergall

  2. Albertia Eudora Silva

    Como sempre uma boa crónica e excelentes fotografias! Obrigada pela partilha.
    Desejo-lhe uma boa Páscoa!
    Eudora

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  3. Magnífica postagem, de cima a baixo.

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