Selecção, tradução e nota de leitura por Júlio Marques Mota
Nota de leitura ao texto A ordem e a Finança de Michel Lhomme
Aos leitores de A viagem dos Argonautas. Afinal, enganamo-nos sobre Chipre, pensando que o projecto de ir “sacar” às contas de toda a gente, desde os quase pedintes à média burguesia porque para os grandes deixaram as portas da City e as filiais dos bancos em Moscovo de portas bem abertas para se escaparem, era um engano de um bronco que dá pelo nome de Presidente do Eurogrupo, mas não, era um teste. Calámo-nos todos. Todos nós, não era connosco. Cumprimos a história contada pelo padre Martin Niemöller, que antes terá sido amigo de Hitler: “FIRST THEY CAME…”, imortalizada depois por Brecht .
First they came for the Socialists, and I did not speak out–
Because I was not a Socialist.
Then they came for the Trade Unionists, and I did not speak out–
Because I was not a Trade Unionist.
Then they came for the Jews, and I did not speak out–
Because I was not a Jew.
Then they came for me–and there was no one left to speak for me.
O nosso silêncio em Chipre e a lógica do assalto permanece, discutida já em reuniões da Tilateral, já evocada por um governo socialista em Paris e possivelmente para aplicar antes de cair para aliviar o governo que se lhes segue para aplicar o mesmo programa.
Daqui, de Coimbra, e da revista Metamag também, uma sugestão: nomeie-se também Pascal Lamy para Ministro das Finanças em França. Um primeiro-ministro servil para aplicar o programa de Bruxelas e que quer ser nessa tarefa mais rápido que a própria sombra, um ministro das Finanças, antigo chefe de Gabinete de Delors e uma das personagens mais brilhantes e mais cínicas que por aquele antro do poder terá até agora passado, talvez sejam o detonar de uma verdadeira bomba social capaz de despertar uma Europa adormecida pela indiferença de que nos fala o poema de Martin Niemöller.
Assim o esperamos.
Coimbra, 5 de Abril de 2014.
Júlio Marques Mota
A ordem e a Finança
Manuel Valls em Matignon
Michel Lhomme, Revista Metamag, 1 de Abril de 2014
Alguns surpreendem-se com a nomeação de Manuel Valls para Matignon, com uma equipa governamental mais reduzida e um grande ministério em Bercy, ou seja, o Ministério das Finanças. Decidir-se-á nas primeiras semanas uma pequena reformazinha social mas não se alterará de um iota a política da França. Que ninguém se engane, Manuel Valls não restabelecerá a ordem cidadã nas cidades. Garantirá as desaventuras dos bancos. Estar-se-á nas tintas para os cidadãos mas protegerá os homens de negócios. É a ordem de missão mundialista que recebeu e sobretudo que compreendeu muito bem.
Não é François Hollande que preside e Manuel Valls que governa mas sim Bruxelas. O PS, Partido Espantoso, como o UMP anteriormente, são apenas partidos de um mesmo sistema. O PS já não é de esquerda. Não há mesmo esquerda em França desde há já muito tempo. Nem há mesmo ecologistas “puros” quando se vêem as gesticulações deslocadas, é o caso para dizer, de Jean-Vincent Placé para obter uma pastazinha. Ora, é necessário preparar 2017 e a verdadeira realidade para o governo, é encher os cofres esvaziados pelos sucessivos governos. Ora, o governo já não pode aumentar mais os impostos. Ainda agora, chegou-se mesmo até a evocar “uma pausa fiscal”. Para isso, é necessário um homem que se assuma como vassalo, um homem obediente e servil.
Todas as decisões tomadas por François Hollande, incluindo o pacto de competitividade, são consideradas tímidas pelos economistas liberais e elas apenas tiveram até agora como efeito aprofundar o défice do país. François Hollande não praticou uma verdadeira política de austeridade. Não congelou nem reduziu os salários dos funcionários. Não tocou na classe política, não suprimiu os escalões departamentais da divisão regional do país, não eliminou as “gorduras” em pessoal na Administração regional. Ora, é necessário fechar o mais rapidamente possível o orçamento que está em cima da mesa, agora mesmo: é necessário encontrar dinheiro, encontrar o dinheiro perdido no pagamento dos juros da dívida.
Manuel Valls apresenta-se como o político da ordem mas protegerá sobretudo os bancos e os financeiros. Quando os socialistas chegaram ao poder em 2012, os Franceses tinham pensado sem dúvida no seu dinheiro. Não viram os impostos que estavam para serem aplicados. Os funcionários votaram nos socialistas para defender o seu estatuto. Ironia da história, é sob a direcção socialista que perderão o seu poder de compra.
Manuel Valls não é a mão da ordem republicana. Será a mão destacada da finança. Deveria quase, para assim se aperfeiçoar e muscular ainda mais o todo, nomear Pascal Lamy para ministro das Finanças, em Bercy. A ideia de “sacar” 8% sobre as nossas contas bancárias, é uma hipótese que foi evocada na Comissão europeia. Trata-se de uma proposta que oficialmente recebeu o aval, em Março de 2013, na última reunião anual da Trilateral em Berlim, numa reunião em que o presidente da secção europeia era nem mais nem menos do que Jean-Claude Trichet, antigo patrão do Banco Central Europeu. Ora, Manuel Valls sempre seguiu os trabalhos da trilateral, do Século e do grupo Bilderberg.
É bem informado e sabe bem para quem trabalha. E, depois, seja em Evry ou no Interior, o nosso próximo ministro tem um defeito: no que faz, ele faz sempre em demasiada.
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http://metamag.fr/metamag-1934-L-ORDRE-ET-LA-FINANCE—Manuel-Valls-a-Matignon.html



