NO CIRCO, DE ANTERO DE QUENTAL
a João de Deus
Muito longe daqui, nem eu sei quando,
Nem onde era esse mundo, em que eu vivia…
Mas tão longe… que até dizer podia
Que enquanto lá andei, andei sonhando…
Porque era tudo ali aéreo e brando,
E lúcida a existência amanhecia..
E eu… leve como a luz… até que um dia
Um vento me tomou, e vim rolando…
Caí e achei-me, de repente, envolto
Em luta bestial, na arena fera,
Onde um bruto furor bramia solto.
Senti um monstro em mim nascer nessa hora,
E achei-me de improviso feito fera..
– É assim que rujo entre leões agora!
Antero de Quental, em Sonetos Completos
NEL CIRCO
a João de Deus
Molto lontano da qui, né io so quando,
Né dove era quel mondo, in cui io vivevo…
Ma tanto lontano… che potevo persino dire
Che mentre là andavo, andavo sognando…
Perché era tutto lì aereo e blando,
E lucida l’esistenza albeggiava…
E io… lieve come la luce… finché un giorno
Un vento mi prese, e venni rotolando…
Caddi e mi trovai, improvvisamente, avvolto
In una lotta bestiale, nell’arena fiera,
Dove un bruto furore bramiva sciolto.
Sentii un mostro in me nascere in quell’ora,
E mi trovai d’improvviso fatto fiera…
– È così che ruggisco tra i leoni ora!

