SOBRE OS LEOPARDOS QUE QUEREM BEM SERVIR BRUXELAS – DA ITÁLIA, FALEMOS ENTÃO DE UM BOM EXEMPLAR – 22. RENZI – O POPULISMO TECNOCRÁTICO DO GRANDE REFORMADOR – O HOMEM DE MÁRMORE QUE NOS DÁ OS PARECERES SOBRE AS CONTAS PÚBLICAS NA UNIÃO EUROPEIA

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

mapa itália

O homem de mármore que nos dá os pareceres sobre as contas públicas na União Europeia

Carlo Clericetti,  L’uomo di marmo che ci dà la pagella

 L’Espresso.Repubblica.TV, 1 de Junho de 2014

 

Marco Buti teve a honra de ter tido um ataque pessoal pela imprensa alemã, quando a sua Direcção convidou a Alemanha a tomar decisões para reequilibrar o excessivo excedente da conta com o exterior, tal como previsto no Acordo Europeu sobre os desequilíbrios macroeconómicos.

Sorrisos. “Nada de extraordinário, levar esses ataques faz parte do jogo”. Buti é Director-geral da direcção de assuntos económicos e financeiros, a do Comissário Olli Rehn que nos dá ” a informação ” sobre a aceitação ou não das contas dos Estados e que amanhã irá dar a sua opinião sobre o orçamento italiano. Participaram na reunião do banco da Itália e à saída pressionámo-lo para procurar compreender que ideia é que tinha das nossas contas públicas . A última “avaliação” não foi boa para a Itália, posta entre os três países com “desequilíbrios excessivos” O mais recente “relatório não era bom para a Itália, colocada entre os três países sob “desequilíbrios excessivos”, um juízo mais severo do que para a Espanha, solicitando mais correcções para as contas públicas. Um julgamento que foi recebido com muita controvérsia, porque é o resultado de um procedimento técnico mais do que discutível. Bastaria mudar a estimativa de uma variável, a do “desemprego estrutural” e as nossas contas, deixariam não só de estar em défice, mas ficariam mesmo em situação de excedente

Continuar a exigir à Itália uma nova correcção das contas públicas? Os vossos cálculos são baseadas sobre a estimativa do desemprego estrutural que é obviamente absurdo, cerca de 11%.

“Na estimativa do desemprego estrutural tem havido alguns problemas com a Espanha, mas não com a Itália. Este valor é substancialmente correcto, é propriamente todo o desemprego estrutural, ou quase isso mesmo. A conjuntural poderá no máximo ser de 2% “.

Mas como pode dizer uma coisa dessas? Na sua opinião se nós descermos abaixo de 11%, será que isso irá gerar pressões inflacionistas?

“Não imediatamente quando se inicia a retoma , mas a médio prazo, sim. Mas em prospectiva , à medida que o desemprego efectivo se reduz , também aquele valor melhora “.

Mas a retoma não acontecerá e o desemprego real não diminuirá se nós nos mantivermos a aplicar uma política orçamental restritiva.

“Isso não é verdade. Por exemplo, a Alemanha reduziu o desemprego durante a crise “.

Claro, com mais de 7 milhões de mini-empregos, quase um quinto dos empregados, a 450 euros por mês. Chama a isto emprego, a isto?

“Bom, é melhor do que nada. No entanto, cuidado, tenha em conta que da Itália não recebemos nenhuma queixa sobre esta metodologia. A maneira de reduzir o desemprego é então fazer as reformas “

Quais reformas? Do mercado de trabalho?

“Certo”.

Mas as reformas do mercado de trabalho nunca produziram um só emprego a mais que seja em qualquer parte do mundo.

“O caminho é este. Quer fazer uma política expansionista com uma dívida de 135% do PIB?”

A dívida alcançou este nível, porque a política de austeridade tem colocado o PIB em queda. Será que queremos continuar assim? Um amigo economista tinha-me disse que o senhor é um keynesiano. Aplique então o keynesianismo!

“É verdade, mas eu sou um keynesiano sensato”.

Sorri, saúda e vai-se embora. Se o bom dia se vê logo de manhã, hoje não será um bom dia

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Ver o original em:

http://clericetti.blogautore.repubblica.it/2014/06/01/luomo-di-marmo-che-ci-da-la-pagella/

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