É preciso dar sinais a Bruxelas: uma pequena série de três textos
Introdução
Júlio Marques Mota
Fizemos uma série sobre a França e os seus Leopardos, para tomar como referência a personagem de Lampedusa. Nessa série tomámos igualmente como referência, uma análise de um dirigente político português, Francisco Assis que foi o cabeça de lista do PS às europeias, neste caso, um homem de Seguro. Impressionante o texto de Assis. Sendo um homem de grande inteligência e sendo o seu texto um conjunto de mentiras ou de enganos, uma coluna toda ela dedicada a Hollande , Valls , o primeiro ministro francês, e Macron , o ministro da Economia, resta-nos questionar o sentido daquela sua coluna de alta qualidade literária. Coluna cheia de enganos? Possivelmente, mas para colocar esta hipótese tínhamos de colocar uma outra como colateral, a de que era um ignorante, para escrever o que naquela crónica está escrito, que à vista de qualquer francês médio seria um absurdo. Mas esta hipótese colateral é contraditória com o que sabemos de Francisco Assis, de que é um homem de extraordinária cultura e basta ver a qualidade literária do texto referido para se ter a confirmação disso mesmo. Não é pois uma coluna de enganos escritos. Então o que é? É um texto clássico da esquerda oficial portuguesa, a que tem como prática face ao neoliberalismo meter a cabeça na areia e portanto para nos colocar face a um discurso de mudança para poder ficar tudo na mesma, ou seja, trata-se de um texto escrito por um verdadeiro Leopardo que assim quererá vir a ser poder. Uma esquerda que age desta forma torna-se tanto ou mais perigosa que a própria direita, porque a sua capacidade de manipulação, de convencimento é claramente superior.
Estou a forçar a nota, com o meu lado gauchiste? Não, não me parece. A prova? A prova aqui está, nestes três textos que falam de Hollande, de Valls e de Macron exactamente, mas completamente ao contrário do que escreveu Francisco Assis. Note-se já um detalhe, a enorme semelhança com Matteo Renzi: é necessário dar sinais a Bruxelas, diz num destes textos um subsecretário de Estado francês, dar sinais de que em França estamos dispostos a atacar e a fundo os direitos dos trabalhadores e a aumentar a precariedade. E, no fundo, exactamente como se faz em Portugal, na Espanha, na Itália de Renzi, na Grécia, em Chipre, na Irlanda, por todos os lados onde Bruxelas possa apoiar Berlim a colocar a sua pata imperial. E viva Frau Merkel, que tem por todos os lados bons servidores, cultos ou ignorantes, tanto lhe faz, desde que a sirvam.


