6 de NOVEMBRO de 2014 – CONTRA A AUSTERIDADE EUROPEIA MAIS DE 120.000 MANIFESTANTES EM BRUXELAS: “JUNTOS VERGAREMOS ESTE GOVERNO” – de AGORA VOX – I

 

Falareconomia1

SELECÇÃO, TRADUÇÃO, NOTAS E MONTAGEM  POR JÚLIO MARQUES MOTA

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Contra a austeridade europeia mais de 120.000 manifestantes em  Bruxelas: “Juntos, vergaremos este governo”

 AGORA VOX – 

por PRCF (son site), Contre l’austérité européenne Plus de 120 000 manifestants à Bruxelles : « Ensemble, nous allons faire plier ce gouvernement »

8 de Novembro de 2014

O PRCF afirma a sua solidariedade total com os trabalhadores belgas em luta contra a ultra- austeridade do governo (do qual até um dos seus  ministros assume a sua “compreensão”  para com os SS belgas da Segunda Guerra mundial!). O PRCF está particularmente solidário com as acções de massas conduzidas pelo PTB e outros comunistas belgas na vanguarda deste grande movimento.

Na Inglaterra (funcionários da Saúde), na Alemanha (greve muito dura do Deutsche Bahn), mas também na Grécia ao apelo do PAME, na Itália (contra os projectos de ultra-precariezação do Valls italiano, de Matteo Renzi), na Espanha, em Portugal, em todos eles se efectuaram  jornadas de luta

Em França, ainda que tenham tido lugar numerosas lutas locais, ainda que os trabalhadores de Air-France, da SNCM e dos SNCF fazem bem mais do que estarem a opor-se, os Estados-maiores confederais não impulsionam nenhuma resistência séria à escala nacional; no entanto, todos os direitos adquiridos pelos assalariados estão a ser ameaçados pela TroiKa formada pela UE, Valls-MEDEF e pela UMP na linha das escaladas à Margaret Thatcher. Também não houve nenhuma verdadeira reacção após o assassinato de um jovem homem pacífico em Tarn e na sequência de uma repressão selvagem.

Pelo contrário o Estado-maior confederal da CGT oferece-nos a todos o espectáculo de lutas internas irrisórias, indignas do grande sindicato de Monmousseau, Sémard, Croizat, de M. Paul, Frachon, Krazucki… alguns, no confédé, parecem mais apresados em se aliar à amarela CFDT e à Confederação europeia dos sindicatos (pro Maastricht), do que estar a procurar federar-se os sectores em luta!

É já mais que tempo de se regressar ao sindicalismo de classe e de massas que fez as grandes conquistas de 36,45,68… É uma condição essencial para que os trabalhadores da França, que tanto trouxeram ao campo mundial do progresso, salvem os seus acervos e o seu emprego, defendam o seu país que está a ser destruído e retomem dignamente o seu lugar “na frente”!

source : www.initiative-communiste.fr

Esta quinta-feira, foi uma manifestação monstra como raramente se viu e que invadiu as ruas de Bruxelas. Contra a austeridade europeia, mais de 120.000 manifestantes, quase uma pessoa de Bruxelas  sobre cada cem belgas, reunidos para dizer NÃO às reformas estruturais impostas pelo governo.

Para quando a mesma coisa em Paris, com uma grande manifestação unitária contra a euro-austeridade e a UE, contra as guerras, pela soberania da França, pelo emprego, pelos salários, pela protecção social, pelos serviços públicos, pelas liberdades democráticas e pela paz como no-lo propõe o PRCF?

Porque em Bruxelas como em Paris, em nome da “competitividade” e “das reformas estruturais” muito caras a Bruxelas, em nome do Mercado Livre e da concorrência livre e não falseada inscrita no tratado de Roma, é necessário ir aos bolsos dos trabalhadores. Fazer-lhes pagar a dívida pública resultado do resgate dos bancos privados. Diminuir os salários, aumentar a idade de partida para a reforma de acordo com os padrões previstos pelos acordos de Lisboa, liquidar os serviços públicos.

 Apenas nomeado, o governo de coligação de direita/extrema direita pró UE, tenta impor as medidas seguintes:

  • adiamento de dois anos na idade de passagem à reforma a tempo inteiro que passa para 67 anos

  • um salto no índice[1], ou seja a estagnação dos rendimentos de que o nosso sistema social garantia o aumento a partir de passagem da linha vermelha do índice dos preços, uma medida já beliscada em si-mesma uma vez que não incluiu o que se quer ai verdadeiramente incluir nesta imagem em 3 D que é “o cesto da dona de casa “.

  • Uma medida que custará mais de 500 euros a cada trabalhador, 120 respondem-nos do  Ministro nacional mais destruidor dos problemas Sociais que se tem memória. Digamos, por conseguinte, 300 para evitar os eventuais exageros dos dois lados.

  • A engrenagem temível que leva praticamente ao trabalho forçado os desempregados com estes a terem como única certeza ao fim do túnel o seu reenvio para receberem o apoio social básico.

  • O encarecimento dos serviços públicos e sem compensações para o consumidor

  • Uma fidelidade total ao mundo dos altos quadros empresariais de que se quer diminuir as suas contribuições sobre o salário em nome da competitividade internacional, em suma, um alinhamento sine die sobre às legislações europeias mais duras desta Europa ao serviço apenas do grande capital.

  • A diminuição drástica dos subsídios culturais, quase 30 % sobre o que o Ministro diz suavemente que discutirá as suas modalidades práticas com os directores de instituição, o que quer dizer, em síntese, sem estar a tocar nos salários elevados dos altos quadros administrativos que estão nos comandos das instituições mas um pouco nos mais pequenos que fazem viver esta cultura tão necessária mas sobre a qual se responde que esta não serve para nada enquanto que ela é a última expressão da liberdade de criação, por conseguinte, expressão da liberdade, simplesmente isso.

Mas isto não nos faz lembrar outra coisa que não sejam as medidas decididas por Sarkollande em conformidade com os diktats da Europa do Capital… Ir aos bolsos dos trabalhadores para garantir poder encher sempre e cada vez mais os bolsos do patronato, dos financeiros que se escondem no Luxemburgo e noutros paraísos fiscais. Enquanto que a crise sistémica do Capitalismo não deixa de se continuar a agravar, a classe capitalista – forte de força que lhe dão as suas armas de exploração massiva que são a UE e o €uro – acelera a luta das classes contra os trabalhadores.

Face à amplitude do movimento social que se levanta imediatamente, a extrema-direita belga, aliada da Frente Nacional, apela ao governo para ter firmeza contra os trabalhadores. De passagem refere-se a este muito mau exemplo daqueles trabalhadores franceses que não se deixariam tosar sem nada protestar.

Como o maire de Antuérpia, Bart De Wever, a alma danada da extrema-direita da Flandres:

“Os sindicatos não têm nenhuma alternativa: eles querem que nós copiemos a França, mas este país está numa situação infinitamente pior ” do que a nossa, disse na quinta-feira à noite na televisão holandesa pública, o Presidente do N-VA Bart De Wever em reacção à manifestação impressionante.

“Nosso país tem uma organização sindical importante e que é forte na mobilização,” reconhece o Burgomestre de Antuérpia. “Mas não há alternativa para a nossa política. Agora devemos perseverar e tentar criar oportunidades para as pessoas. Outros países que nos precederam também passaram por estes tempos difíceis. »

Ao mesmo tempo, os cães de guarda que são os media difundem  – à imagem dos nossos media contra os opositores nas barragens de Sivens – uma torrente de insultos contra os manifestantes. Como este artigo, claramente caricatural, digno de nem eu sei o quê, que os apresenta como brutos alcoolizados. Ninguém ficará, aliás, espantado ao saber que por detrás das violências que perturbaram esta manifestação exemplar se encontram de acordo com a imprensa belga de membros dos meios nacionalistas (para não dizer neo-Nazis) flamengos.

Nós vemos então, com a política seguida pelos nacionalistas da NVA, gente muito próxima da FN, a exemplificação do que seria a política da FN se esta chegasse ao poder em França. Por trás da máscara do velho FN está uma política ultra-capitalista ao serviço da oligarquia, aplicando com zelo a austeridade exigida pela UE, explicando-se assim a promoção incansável da FN nos nossos meios de comunicação. Porque face ao protesto popular, por todo o lado a EU dos patrões força às posições duras, acendendo os fogos da fascização para dividir os trabalhadores aumentando a xenofobia.

Na Bélgica, apanhados numa espécie de tenaz entre a austeridade europeia e a extrema direita fascizante, a classe dos trabalhadores reage. E dá-nos  o exemplo.

Pelos  nossos salários, pelos  nossos empregos, pela  paz e contra o fascismo, pela  Democracia, quebremos as cadeias da União Europeia.

(continua)

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[1] Veja no final do texto uma nota sobre o salto de índice.

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Nota –

PRCF – Pôle de Renaissance Comuniste en France

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