2015 está à porta. As previsões são muitas, umas mais optimistas, outras nem por isso. As segundas parecem mais razoáveis, o que é sem dúvida lamentável. Dirão: mas isso é habitual. No princípio do ano, costuma-se fazer previsões, e as mais pessimistas revelam-se normalmente como mais acertadas. E tudo indica que 2015 não será diferente.
Ao nível internacional, tudo indica que se acentuarão as tendências que têm sido dominantes: a pressão dos Estados Unidos no sentido de aumentarem a sua influência em todos os lados do mundo, a presença cada vez maior das grandes organizações religiosas na vida quotidiana, movimentos cada vez maiores de populações procurando fugir a guerras, a epidemias e à pobreza extrema e a grande concentração de riqueza num número reduzido de mãos. Os conflitos regionais, por vezes sob a forma de guerras abertas, aumentarão. O papel das Nações Unidas será cada vez menos influente, apesar dos esforços visíveis em contrário. O papel da Europa será cada vez mais reduzido, a pressão sobre a Rússia aumentará, e a América Latina conhecerá cada vez mais dificuldades. A China também não escapará às tendências gerais e dificilmente conseguirá voltar à fase de grande expansão que conheceu em anos anteriores.
Em Portugal, apesar das promessas de Passos Coelho, também é difícil de ser optimista. As modificações necessárias, no sentido da desconcentração de riqueza, reorientar a produção para os interesses dos portugueses, racionalizar os recursos, criar postos de trabalho decentes, combater a corrupção, aumentar o espírito cívico, recuperar a confiança dos cidadãos, parecem longe. As promessas de recuperação do poder de compra, que parecem ser a pedra de toque das campanhas eleitorais, dificilmente se concretizarão. A subordinação à Europa vai acentuar-se, e não se prevê que os partidos de esquerda consigam ter um papel tão influente como em Espanha ou na Grécia. Tudo indica que a disputa eleitoral vá consistir sobretudo num duelo entre partidos do chamado centro, ou do chamado arco do poder, com o apadrinhamento dos órgãos dirigentes europeus e da grande comunicação social.