EDITORIAL – A UNIÃO EUROPEIA FICA NA EUROPA OU A EUROPA FICA NA UNIÃO EUROPEIA?

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A questão levantada acima parece absurda. Contudo, quem olhar com algum pormenor para o que tem sido a actuação dos responsáveis pela União Europeia (UE)  ao longo dos tempos talvez reconheça que há bons motivos para aprofundar os termos da pergunta, que foi posta num tom irónico, é verdade. Mas a análise subsequente, se for feita de um modo desassombrado, trará à luz algumas evidências. Uma delas, para usar uma fórmula corriqueira, é a de que os dirigentes da UE não têm de modo algum uma agenda europeia. É verdade que o único grande dirigente europeu, dos que estiveram no poder a seguir à Segunda Guerra Mundial, que mostrou ter realmente uma visão correcta do papel que a Europa poderia desempenhar no mundo actual foi o General De Gaulle.  A sua defesa de uma Europa unida do Atlântico aos Urais foi classificada por muitos como uma bravata anti norte-americana, mas a tal análise do que tem sido a actuação dos dirigentes da EU, e dos resultados dessa actuação, forneceria muitos elementos em apoio das posições de De Gaulle.  Recordemos ainda o que dizia em 1967 Servan-Schreiber em O Desafio Americano. Num livro escrito há quase meio século deixou uma análise que continua perfeitamente actual. Só não terá previsto claramente o peso espantoso da burocracia que se formou à sombra da EU.

Entretanto, The Guardian, informa-nos que amanhã Angela Merkel visita Londres. O articulista, Simon Tisdall, parece ter esperança (pedimos desculpa se interpretamos mal) de que Merkel mostre a Cameron as vantagens das suas opções políticas (ver primeiro link abaixo). Que a posição de Cameron, chefe do governo do Reino Unido em relação à Europa (e um pouco também em relação à UE) foi sempre dúbia, é um facto. Não faz mais do que imitar os seus antecessores, incluindo Margaret Thatcher e Tony Blair. E a iniciativa do próximo referendo sobre a permanência na União Europeia visa mais contentar os Estados Unidos, para quem a UE, politicamente, é sobretudo um peão na luta contra a Rússia (URSS, e agora Putin), o tal inimigo geopolítico principal, do que satisfazer ortodoxos do Rule Britannia, ou xenófobos nouvelle vague, como os do UKIP. Cameron, entretanto, parece ter sorte com os referendos e enquanto pensar assim, vai em frente. Se ele quer ou não, sair da UE, ninguém sabe, nem ele próprio. Merkel, por seu lado, deve ter estudado para professora de uma escola infantil, e é fiel à alta finança alemã. De qualquer modo, será de acompanhar a evolução deste caso. Até porque se aproxima o TTIP/TAFTA.

http://www.theguardian.com/world/2015/jan/06/angela-merkel-shows-cameron-world-stage-germany

Sobre o TTIP/TAFTA, ver:

https://aviagemdosargonautas.net/2014/05/20/precarios-inflexiveis-ttip-o-tratado-da-austeridade-transatlantica/

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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