PORTO, CIDADE BELA E CHEIA DE CHARME, BORDEJADA PELO RIO E PELO MAR, QUE NOS PARECE SAÍDA DE UM CONTO DE FADAS
Nas margens do Porto, sejam elas no rio, na Circunvalação ou no mar, cheira a Inverno. Muitas vezes a um Inverno rigoroso, noutras a um Inverno suave.
Não há, no entanto, meteorologia ou meteorologista que possa impedir, seja em que altura do ano for, uma visita à cidade.
Agora, nestes dias, ora chuvosos, ora soalheiros, cheios de brumas e nevoeiros, sabe ainda melhor. É o Porto dos mistérios, das luzes coadas e das conversas à lareira ou no recato de um canto aquecido, num café com vista de rio ou de mar, ou mesmo de um dos inúmeros jardins que povoam a urbe.
Aproveitemos esta quadra para namorar mais um pouco, o chamado dia dos namorados e dos que namoram é já neste sábado. Vamos até ao Douro, até um jardim ou até à praia e gozemos o romantismo da cidade.
E NESTE CARNAVAL, DE QUE VAIS?
Durante muitos anos, nos da minha juventude, era hábito, fazer festa de Carnaval em minha casa. Era sempre no sábado à noite, debaixo do tema “DISPA-SE DE PRECONCEITOS, E VISTA-SE COMO QUISER”, e os meus pais, em especial a minha mãe, eram o principal motor para que tal acontecesse. Juntavam-se dezenas de pessoas na nossa casa, e depois, a meio da noite, os mais ousados partiam para a rua, a assombrar outras casas e outras gentes.
Por lá passaram Homens Invisíveis, Mandrakes, Super Homens, Cinderelas, Princesas, Médicos, Doentes, Enfermeiras, Frankenstains, Palhaços Ricos e Palhaços Pobres, Bat Men e Bat Women, Polícias, Ladrões, Limpa Chaminés, Popeys, Diabos, Piratas, Duendes, Sininhos, Peter Pans, Bruxas, e alguns mais rebuscados e feitos em grupos, como, Ambulâncias com Doentes Acidentados Médicos e Enfermeiros, Autocarros dos STCP como o 44 que vinha de Leça para o Carmo com passageiros e tudo, ou o que fazia a marginal do Porto até Matosinhos com as Peixeiras e ao passar no Bicalho se gritava “Cuidado com as Tolas” já que o eléctrico passava a centímetros da parede e cujo grito motivava os mais díspares comentários, e mais uma enormidade de máscaras, quase todas feitas por cada um de nós. Poucas, nessa altura, eram compradas, só mesmo as que serviam para tapar a cara.
Dias antes do Carnaval a pergunta que cada um de nós fazia quando encontrava um amigo, era
– De que vais?
Hoje está tudo cada vez mais industrializado. Ninguém (ou pelo menos a maioria) se sabe mascarar sem que tenha de comprar um fato completo que lhe custa os olhos da cara nos estabelecimentos agora existentes para a venda de tais produtos. Não que tenha alguma coisa contra isso, só que depois, vêm-se por aí, as mesmas vinte ou trinta fatiotas. Claro que não falo dos cortejos que por todo o lado aparecem, esses sim com fantasias bem elaboradas, e que as pessoas se limitam a ver passar, muitas vezes debaixo de chuva, sem que intervenham na suposta alegria que por ali vai.
Hoje, pouca gente “brinca ao Carnaval”. Hoje compramos a alegria que outros têm, e chamamos-lhe nossa. E eu tenho saudades dos outros tempos.







Parabéns pela crónica e pelo “Carnaval dos nossos tempos”…Hoje até a crise e a troika nos retiram a
vontade e o gozo carnavalesco…
Uma crónica a recordar o CARNAVAL de um tempo já longe ,mesmo muito longe do tempo actual .
Mudam-se os tempos ,mudam-se as vontades -O Porto sempre refulgente palpitando de vida quer arrepiado de frioqer sob um sol disfarçado de sol .
Obrigada pela partilha -Maria
És o meu bairrista favorito 😀