IMAGEM E POESIA – Por José Magalhães (18)

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NÃO, NÃO ACREDITEM EM MIM

Le Nid du Rest
Le Nid du Rest

Não, não acreditem em mim
Não sei para onde vou, nem de onde vim.
Não sei o que quero, ou se me entendem
Se acaso estou a mais, ou se me pretendem
Não sei estar só, e sou um solitário
Indiferente e egoísta, mas solidário
Partilho o que tenho e sou invejoso
Sou mau como as cobras e sou piedoso
Sou seco, sou duro, vivo comovido
Aparento segurança, sinto-me perdido.

Feito de contrastes e contradições
Mantenho a distância, provoco emoções~
Sou potro selvagem, peixe em aquário
Humanista, progressista e reaccionário
Sou cobarde, sou frontal, sou corajoso
Sou rolha à tona de água e sou perigoso.
Um por um, de todos quero um amigo
Conhecidos tenho muitos, amizades não consigo.

Não, não acreditem em mim
Não sei para onde vou, nem de onde vim.

 

(In Uma, Duas Vezes e Três)

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