O DISCURSO DE TSIPRAS EM ATENAS, SEXTA-FEIRA, 3 de JULHO

O discurso de Tsipras em Atenas

Cidadãos de Atenas, povo grego,

Hoje não protestamos, não nos manifestamos; hoje é um dia de festa. Este dia é uma festa da democracia.

tsipras - 3 de Julho

A democracia é uma festa e uma alegria, a democracia é uma libertação, a democracia é uma saída.

E celebramos hoje a vitória da democracia. Nós somos já vitoriosos, qualquer que seja o resultado da votação de Domingo, porque a Grécia enviou uma mensagem de dignidade, uma mensagem de orgulho.

Ninguém pode ignorar esta paixão, este ansioso desejo de vida, este ansioso desejo de esperança, este ansioso desejo de optimismo.

Celebramos hoje a audácia e a determinação que nos conduziu a assumir o nosso destino nas nossas próprias mãos, a dar a palavra ao povo grego.

Hoje, fazemos a festa e cantamos. Fazemos a festa e cantamos para ultrapassar a chantagem e o medo.

A Europa tal como a conhecíamos, a Europa como aparece ao espelho dos seus princípios fundadores deixou de ter a mínima relação com as ameaças e os ultimatos.

E hoje, neste momento mesmo, a Europa inteira tem os olhos virados sobre nós, sobre o povo grego, sobre os seus 3 milhões de pobres e o seu milhão e meio de desempregados.

Hoje o planeta inteiro tem os olhos centrados sobre a Praça da Constituição e sobre todas as praças , pequenas ou grandes, da nossa pátria.

Neste lugar que viu nascer a democracia, damos à democracia uma possibilidade de voltar a existir .

De voltar à Europa, porque queremos que a Europa regresse aos seus princípios fundadores

A estes princípios que ela durante tanto tempo tem andado a destruir para, em vez deles, aplicar programas de austeridade sem resultados, violando a vontade dos povos.

Cidadãos de Atenas, povo grego,

Domingo, dirigiremos todos em conjunto uma mensagem de democracia e de dignidade à Europa e ao mundo.

Enviaremos aos povos uma nova mensagem de esperança.

Porque não decidiremos não somente, este Domingo, ficar na Europa.

Decidiremos viver com dignidade na Europa, trabalhar e prosperar na Europa.

De estarmos entre iguais na Europa, em igualdade com todos.

E, acreditem em mim, ninguém tem o direito de ameaçar cortar a Grécia do seu espaço geográfico natural.

Ninguém tem o direito de ameaçar dividir a Europa.

A Grécia, a nossa pátria, era, é e permanecerá o berço da civilização europeia.

É neste lugar, diz a mitologia, que Zeus, retirando-se, conduziu a princesa Europa.

E é deste lugar que os tecnocratas da austeridade desejam actualmente retirá-la. .

Mas não o farão . Porque, Domingo, dir-lhes-emos “não”.

Não deixaremos a Europa entre as mãos dos que desejam subtrair a Europa à sua tradição democrática, às suas conquistas democráticas, aos seus princípios fundadores, os princípios de democracia, de solidariedade e de respeito mútuo.

Cidadãos de Atenas, homens e mulheres de todas as idades que se encontram aqui, hoje, que submergem a Praça da Constituição, as ruas de Atenas e de outras grandes cidades,  enfrentando a subida do medo organizado, a retórica do terror propagado nestes últimos dias ,

Cidadãos de Atenas

O povo grego repetidamente demonstrou durante a sua história que sabia reenviar um um ultimato ao seu remetente. Porque os ultimatos, às vezes, são reenviados a quem os ditou.

Às páginas mais incontestáveis da história deste país e deste povo foram páginas de audácia e de virtude.

Apelo-vos a que escrevamos juntos, outra vez, páginas históricas, aquelas do nosso restabelecimento e da nossa liberdade.

Apelo-vos, este Domingo, a colocar “não” alto e claro aos ultimatos. A virar as costas aos que semeiam cada dia o medo e a intimidação.

E, segunda-feira, independentemente do resultado do processo democrático, deste veredicto popular que alguns temiam e queriam obstruir, oporemos igualmente um “não” categórico à divisão.

Segunda-feira, qualquer que seja o resultado do voto, os Gregos e as Gregas não terão nada que os separe. Em conjunto, bater-nos-emos para reconstruir uma Grécia melhor que aquela que nos deixaram cinco anos de desastre.

Apelo, enfim, para não escutarem estas sirenes cujo eco não cessa de amplificar-se, estas sirenes que urram ao medo.

A decidir com o vosso espírito e com o vosso coração.

A determinar-vos com calma e resolução.

A pronunciar-vos em defesa de uma Grécia orgulhosa numa Europa democrática.

A favor de um povo, de um pequeno povo que se bate, como diz o poema, sem espadas e sem balas.

Que se bate contudo tendo nas mãos a mais potente das armas: a justiça.

Porque a justiça está connosco, porque estamos no nosso direito, venceremos.

E ninguém pode apagar isto. Ninguém pode ocultar este facto: estamos no nosso direito.

Cidadãos de Atenas, povo grego,

A liberdade pede virtude e audácia. Nós, vocês, todos nós, dispomos tanto da audácia como da virtude. E somos livres. Respiramos um vento de liberdade. Aconteça o que acontecer, somos vitoriosos. Seremos vitoriosos. A Grécia venceu. A democracia venceu. A chantagem e as ameaças foram desfeitas.

Saúde a todos. Sejamos fortes, sejamos orgulhosos e dignos. O nosso “não” inscrever-se-á na História. O nosso povo seguirá em frente – a Grécia, numa Europa democrática e solidária.

Texto publicado por Okeanews e disponível em:

http://www.okeanews.fr/20150704-referendum-discours-du-3-juillet-2015-alexis-tsipras?utm_source=wysija&utm_medium=email&utm_campaign=News+du+jour

 

Traduit du Grec par Dimitris Alexakis pour le site oulaviesauvage.

Traduzido do francês por Júlio Mota

 

1 Comment

  1. O NÃO deveria ganhar e, se isso acontecer, o Governo Grego tem de saber fazer o seu trabalho (Governar) com Seriedade e Justiça.

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