REVISTA DA SEMANA por Luís Rocha

revista semana

Revista da semana

De 18/10 a 24/10/2015

Como se previa o Presidente da República indigitou Passos Coelho para formar governo

Em comunicação ao país na passada quinta-feira dia 22/10/2015 o Presidente da República indigitou, de acordo com os resultados eleitorais do passado dia 4 de Outubro, o líder da coligação “PAF” para constituir governo, com base na maioria percentual de votos obtidos.

O Presidente da República exerceu o poder que lhe foi conferido pela Constituição Portuguesa em vigor. Não lhe conferiu no entanto poderes para as declarações que se seguiram de “divisão dos portugueses em clubes/partidos – indicando desde logo os Bons e os Maus”. Como se não bastasse invocou aos poderes internacionais para que sejamos “castigados” com empréstimos a taxas de juro mais elevadas e a mais austeridade se o obrigarem a ter de nomear um governo alternativo que classificou do clube dos “MAUS”.

Na tão esperada comunicação ao país, Cavaco Silva rejeitou um governo de “forças partidárias por ele classificadas como antieuropeístas”. Mas disse ainda mais. “Este é o pior momento para alterar radicalmente os fundamentos do nosso regime democrático de uma forma que não responde sequer à vontade democrática expressa pelos portugueses” nas eleições.

Tendo como base a divisão feita pelo Presidente da República entre os “BONS” (razão da sua escolha e decisão) e os “MAUS”, relembro os resultados eleitorais em termos percentuais e em termos de representatividade no Parlamento:

PARTIDOS “BONS”                     % de votos                Mandatos Parlamento

PAF (PSD/CDS)                             38,57%                                  107

PARTIDOS “MAUS”                    % de votos                Mandatos Parlamento

PS/BE/CDU/PAN                           52,14%                                  123

Conheça todas as 230 caras no novo Parlamento – Infografia de Mário Malhão (sapo noticias)

Há muitas caras “novas” especialmente na bancada do PS, com 52 deputados que não estiveram nas bancadas da Assembleia da República na anterior legislatura.

Conheça todas as 230 caras no novo Parlamento 2015

Entrando no endereço que se segue pode visionar o rosto e nome de cada um dos 230 deputados do Parlamento resultante das eleições de Outubro de 2015

http://economico.sapo.pt/noticias/conheca-todas-as-230-caras-no-novo-parlamento_232534.html

Voltando de novo ao tema da comunicação ao País pelo Presidente da República houve quem considerasse algumas partes como insinuações antidemocráticas e alguém recordou que, por mera coincidência, até foi feita no dia em que fez 70 anos a constituição da PIDE/DGS, “vigilante da ordem e bons costumes”. Martin Silva (Editor-Executivo) do Expresso diário relembrou o facto (70 anos) na edição de ontem, em “as escolhas do editor”

Quando a PIDE foi apanhada

Fez esta quinta-feira 70 anos que foi criada a Polícia Internacional de Defesa do Estado (PIDE), a polícia política do regime deposto no 25 de Abril. Apanhada de surpresa pelo “golpe dos capitães”, foi a última instituição da ditadura a sucumbir, como relembramos neste trabalho, publicado originalmente na Revista do Expresso de 25 de abril de 2014

No final desta “revista da semana” transcrevo o artigo publicado pelo Expresso em 25 de Abril de 2014.

Sobre a comunicação ao País feita pelo Presidente da República, de imediato os partidos se manifestaram bem como a sociedade em geral, conforme foi bastante noticiado em todos os órgãos de comunicação.

Das várias intervenções destaco a do constitucionalista Jorge Miranda/Lusa (24/10/2015) e a do Presidente da CIP – António Saraiva (Económico/lusa 23/10/2015)

Jorge Miranda considera que Cavaco Silva foi “excessivo”

LISA SOARES/GLOBALIMAGENS

“Foi excessivo e teve considerações escusadas que acabaram por ter efeitos contraproducentes”, disse o constitucionalista

O constitucionalista Jorge Miranda considerou hoje que o Presidente da República foi “excessivo” na comunicação ao país que fez na quinta-feira, advertindo que não cabe ao chefe de Estado a apreciação de programas de Governo.[…]

“Mas o Presidente da República não tem o poder de apreciar os programas, porque a apreciação do programa do Governo compete à Assembleia da República. Acho que o discurso proferido pelo Presidente da República [na quinta-feira] deveria ter-se limitado a dizer que, perante a passagem de quase três semanas após as eleições legislativas – e não tendo havido outra solução maioritária -, impunha-se indigitar primeiro-ministro o líder do partido mais votado dentro da coligação mais votada. Ponto final”, sustentou o constitucionalista.

Questionado se um Governo de gestão pode prolongar-se por vários meses em funções, Jorge Miranda respondeu: Por definição, um Governo de gestão é para gestão, ou seja, para um período necessariamente limitado”.

“Um Governo de gestão não é para o exercício de todas as competências que a Constituição atribui a um Governo” frisou.

Ler todo o artigo em: http://www.dn.pt/portugal/interior/jorge-miranda-considera-que-cavaco-silva-foi-excessivo-4853056.html

CIP diz que “tom crispado” de Cavaco prejudica ambiente político

Económico Lusa – (23/10/2015)

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal criticou esta manhã o discurso do Presidente da República.

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal considerou hoje que o Presidente da República usou no seu discurso um “tom crispado”, que pode “prejudicar o ambiente político-partidário” e o “quadro de diálogo de estabilidade”.[…]

 “Considero, contudo, que o discurso teve um tom um pouco crispado e que, num momento em que todos (agentes políticos envolvidos, agentes sindicais e empresariais) desejamos estabilidade, penso que o Presidente da República deveria ter usado um tom mais apaziguador, independentemente da solução que foi encontrada e que era obviamente a lógica e normal”,

“Receio que, com este tom do discurso, venha crispar o ambiente político-partidário num momento em que precisamos de tranquilidade para vencer os desafios que temos pela frente”, concluiu.[…]

Ler todo o artigo em: http://economico.sapo.pt/noticias/cip-diz-que-tom-crispado-de-cavaco-prejudica-ambiente-politico_232543.html

Antes da comunicação do Presidente, já a comunicação social estrangeira se tinha pronunciado sobre as perspectivas resultantes do governo a formar, face aos resultados das eleições de 4 de Outubro e às negociações a decorrer entre o PS/BE e CDU

“Lógico” ou “radical”: como o mundo vê a possibilidade de um governo do PS

Artigo de Alexandre Frade Batista/Económico (21/10/2015)

Da referência económica Financial Times ao satírico Charlie Hebdo, as negociações para formar Governo em Portugal vão sendo comentadas pelo mundo.

Bloomberg

A agência noticiosa vem seguindo os dias desde as eleições, tendo já dito que “os políticos portugueses parecem um bocado confusos” e que o “líder socialista português diz que consegue formar o próximo Governo”. Hoje, a Bloomberg nota que a dívida pública está em queda e cita um analista de Londres que considera que desde as legislativas se percebe que um Governo de Passos Coelho “provavelmente duraria um ano”, devido às dificuldades em aprovar um orçamento. Com o PS no Governo, haverá apenas uma mais lenta redução do défice, mas “mesmo assim, respeitando compromissos”, diz Ricard Kelly, que não espera mudanças significativas.

 

 

Charlie Hebdo

O Expresso revela hoje a página do jornal satírico francês em que se lê que “contra a política da austeridade, os comunistas da esquerda antiliberal” preparam um governo com o PS. “Com, como na Grécia, as concessões ao realismo para salvar o essencial: bater uma direita anti-social”. “Enterrámos um pouco depressa de mais o dirigente socialista António Costa”, escreve o Hebdo.

 

 

 

 

 

El Pais

Ontem, o jornal espanhol escrevia que a aliança da esquerda “supera uma profunda brecha ideológica”, e que entendimento entre PS, PCP e BE é “histórico, inesperado, insólito, mas, contudo, lógico”. Hoje, o El Pais noticia que Costa assegurou a Cavaco uma “aliança inédita na democracia portuguesa”. “A maioria parlamentar de esquerdas condenaria ao fracasso” a intenção de Passos Coelho em formar Governo, nota o jornal, indicando que “se se fechar este pacto de esquerdas, será um feito inédito nos 50 anos do país, desde a queda da ditadura. Tal aliança parecia impensável até há poucas semanas, dadas as divergências ideológicas históricas entre socialistas e comunistas”.

 

 

Financial Times

“A Europa está a observar e está muito preocupada”, diz, ao Financial Times, Mujtaba Rahman, do Eurasia Group. “Tendo acabado de estabilizar a Grécia e muito distraídos pelos migrantes, a última coisa de que a Europa necessita é uma renovada crise no sul”. O jornal económico escreve que o PS “aumentou a pressão para um Governo anti-austeridade apoiado pela extrema esquerda”. “Radical” é o adjectivo atribuído ao BE e “linha dura” (‘hardline’) é como é descrito o PCP. A indigitação do Governo liderado pelo PS “representaria uma mudança marcada do Governo de centro-direita que conduziu Portugal ao longo de um resgate punitivo em colaboração com os credores internacionais, para uma aliança de esquerda determinada a reverter a austeridade”, escreve o FT.

 

Fox News

Baseando-se num take da Associated Press, a Fox News titula que “o Presidente de Portugal tem de escolher o caminho político que a sua nação tomará”. Os partidos de centro-direita tiveram o maior número de votos e quer governar em minoria, escreve o ‘site’ da cadeia norte-americana, “mas o Partido Socialista, que ficou em segundo, diz que tem um acordo com o radical Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português para formar um Governo de maioria”. Os socialistas “querem abrandar as medidas de austeridade adoptadas após o resgate de 78 mil milhões de euros em 2011”.

 

 

 

Voice of America

“Nova estrela, esquerdista veterano, abanam o palco político português”. A notícia da Reuters, título incluído, é replicada pelo site Voice of America, que introduz Catarina Martins, de 42 anos, como “uma actriz tornada política” e Jerónimo Sousa como um “enrugado antigo metalúrgico” que “aperfeiçoou o seu talento a atacar o capitalismo durante quatro décadas no parlamento”. Ambos “seguram a chave” para decidir se Portugal terá um governo de esquerda. “O Syriza teve excesso de confiança. Temos de ser cuidados”. Palavras citadas de Martins, “conhecida pela sua imagem de marca com calças de ganga azul e blusa”, escreve o site, num trecho de comparação entre a líder do BE e Alexis Tsipras. “O fim do ‘Muro de Berlim’”, questiona o texto da Reuters, citado pela Voice of America, em alusão à afirmação de António Costa relativamente ao encontro dos partidos de esquerda. Sobre Jerónimo, o texto cita Clemente Alves, “um companheiro comunista” de há 40 anos, que diz que “ele não é dogmático e não é, definitivamente, o estalinista rígido e sem coração que os media às vezes tentam pintar”. É, sim, “’um homem normal’ que gosta de passar tempo com os amigos a dizer piadas, jogar cartas e desfrutar uma bebida”, escreve a Voice of America.

 

Ler em: http://economico.sapo.pt/noticias/logico-ou-radical-como-o-mundo-ve-a-possibilidade-de-um-governo-do-ps_232315.html

Rajoy receia que exemplo do PS seja repetido em Espanha Económico/Lusa (21/10/2015)

“Espero que isso não se passe em Espanha e que a lista mais votada possa governar já que, em democracia, foi o que sempre vivemos em Espanha”, disse o presidente do Governo espanhol.

O presidente do Governo espanhol e do Partido Popular, Mariano Rajoy, disse hoje esperar que a situação política que se vive em Portugal não se repita em Espanha, com o “Partido Socialista a aliar-se com quem quer que seja para que não governem os mais votados”.[…]

Rajoy referia-se à possibilidade de a lista mais votada em Portugal, a coligação PSD-PP, poder não conseguir governar devido a uma coligação de esquerda pós-eleitoral constituída pelo PS, pelo Bloco de Esquerda e pelo Partido Comunista Português. Puxando o assunto para Espanha, o presidente do Governo e do PP espanhol disse estar convencido de que o PSOE de Pedro Sanchéz pretende fazer o mesmo[…].

Ler mais em: http://economico.sapo.pt/noticias/rajoy-receia-que-exemplo-do-ps-seja-repetido-em-espanha_232328.html

Sobre as ameaças do nosso Presidente e dos “parceiros” Europeus da mesma linha partidária, quanto a situação da dívida portuguesa e da sustentabilidade financeira do país o Presidente do BCE já pronunciou conforme artigo de Marta Moitinho Oliveira/Económico (22/10/2015)

Garantias do BCE aliviam juros da dívida portuguesa

Mario Draghi lembra que “incerteza política faz parte da democracia”, apesar de reconhecer que indefinição é “má para a economia”. Portugal está há 18 dias sem governo formado.

Os juros das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos desceram de um valor superior a 2,5% para uma marca ligeiramente acima de 2,3%, depois de Draghi ter desdramatizado o impacto da incerteza política.

Na conferência de imprensa, que se seguiu à reunião dos governadores do Banco Central Europeu, Mario Draghi deu dois sinais positivos para Portugal. Primeiro, apontou para Dezembro a renovação dos estímulos económicos para a zona euro – um dado que beneficia todos.[…]

Um jornalista do jornal italiano Il Sole 24 questionou o presidente do BCE sobre o impacto de um possível governo com partidos anti-euro. “Pode comentar a incerteza política em Espanha e Portugal e se isso pode colocar em risco o sucesso das reformas que tem referido tantas vezes hoje? É uma preocupação para o conselho dos governadores saber que os partidos que podem ser chamados a formar governo, especialmente em Portugal rejeitem o euro?”, questionou.

Draghi recusou-se a comentar, mas acrescentou que a incerteza “é má para a economia, para o investimento”. “Mas de qualquer forma, a incerteza política faz parte da democracia”, alertou.[…]

Ler todo o artigo em: http://economico.sapo.pt/noticias/garantias-do-bce-aliviam-juros-da-divida-portuguesa_232437.html

BCE não mexeu nas taxas de juro Jorge Nascimento Rodrigues/Expresso (22/10/2015)

Como era esperado, o Banco Central Europeu decidiu manter o quadro de política monetária com taxas de juro em mínimos. A atenção vira-se, agora, para a conferência de imprensa que o seu presidente, Mario Draghi, dará em Malta

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter o quadro de política monetária sem alterações. A reunião do seu conselho, realizada desde ontem, em Malta, não mexeu nem na taxa de juros para as principais operações de refinanciamento dos bancos da zona euro, que se mantém num mínimo histórico de 0,05%, nem na taxa de remuneração dos depósitos dos bancos da zona euro nos cofres do BCE que está em terreno negativo, em -0,2%.[…]

As novas previsões do BCE só serão publicadas em dezembro.

Ler todo o artigo em: http://expresso.sapo.pt/economia/2015-10-22-BCE-nao-mexeu-nas-taxas-de-juro

Apesar da austeridade imposta aos portugueses pelos credores e a que estes se submeteram pelas práticas governamentais dos últimos 4 anos, estamos numa situação nada invejável e muito delicada para quem vier a constituir governo em Portugal, como se pode constatar do artigo de Margarida Cardoso/Expresso (23/10/2015)

Dívida pública portuguesa é a 3ª mais elevada da União Europeia

Com um rácio de 128,7% face ao PIB, a dívida pública portuguesa só fica atrás da grega e da italiana, diz o Eurostat

Portugal fechou o segundo trimestre de 2015 com uma dívida pública de 128,7% do PIB, no top 3 da União Europeia, informa esta sexta-feira o Eurostat. Apenas batida pelos valores da Grécia (167,8%) e de Itália (136%), a dívida pública portuguesa registou, no entanto, uma descida de 1,7 pontos face a período homólogo de 2014, acompanhando a tendência da zona euro.[…]

Relativamente ao segundo trimestre do ano, os países que protagonizaram maiores descidas na sua dívida pública face ao PIB foram a Irlanda (-12,5 pontos percentuais) e a Grécia (-9,7 pontos). Quando aos países que apresentarem a menor percentagem de dívida pública face ao PIB, são a Estónia (9,9%), o Luxembrugo (21,9%) e a Bulgária (28,3%).

Ler todo o artigo em: http://expresso.sapo.pt/economia/2015-10-23-Divida-publica-portuguesa-e-a-3-mais-elevada-da-Uniao-Europeia

Voltando à politica nacional o Parlamento manifestou na passada sexta-feira (23/10/2015) a sua vontade de mudança ao eleger para Presidente da Assembleia o socialista Ferro Rodrigues, conforme noticiado por Sónia Sapage/Visão (23/10/205) – Foto De José Carlos Carvalho

Primeira derrota da coligação na AR

Com 120 votos, o equivalente à soma dos deputados do PS, PCP e BE menos dois, Ferro Rodrigues foi eleito líder do Parlamento, derrotando o candidato da direita

 

A votação para eleger o Presidente da Assembleia da República dividiu o Parlamento em duas partes: a esquerda e a direita. Ferro Rodrigues venceu com 120 votos e Fernando Negrão conseguiu 108, sobrando ainda dois votos nulos.

Foi por volta das quatro da tarde que Eduardo Luís Barreto Ferro Rodrigues, 66 anos, ex-ministro de António Guterres e ex-líder parlamentar do PS, foi chamado à cadeira da Presidência, acrescentando ao seu currículo o segundo lugar mais importante da hierarquia do Estado.[…]

Já eleito, coube a Ferro Rodrigues dirigir algumas palavras à câmara, antes de encerrar a sessão. “Serei o Presidente de todas as senhoras e todos os senhores deputados”, assumiu para mais tarde referir as “feridas sociais” provocadas pelo “período de ajustamento” que foram os últimos anos. Citando o escritor Mário de Carvalho, deixou ainda um apelo: “Os senhores deputados vão ter de trocar muitas ideias sobre muitos assuntos”. Ninguém pode dizer que não foi convocado.

Ler mais em: http://visao.sapo.pt/actualidade/portugal/2015-10-23-Primeira-derrota-da-coligacao-na-AR

Dado o primeiro passo em que prevaleceu a vontade maioritária do parlamento fica-se já na expectativa do que se segue, conforme artigo da autoria de João Pedro Henriques e Octávio Lousada Oliveira/DN (24/10/2015)

Esquerda com moção única de rejeição ao governo

João Pedro Henriques e Octávio Lousada Oliveira/DN (24/10/2015)

Se fossem apresentadas três moções de rejeição, a aprovação da primeira prejudicaria a votação das outras duas. Daí um só texto

A hipótese está de facto em cima da mesa: em vez de três moções de rejeição ao programa de governo que Passos Coelho apresentará na Assembleia da República (provavelmente já na próxima semana), a esquerda poderá unir-se numa só.

Um ato que simbolizaria a unidade das três formações envolvidas – PS, BE e PCP – e que resolveria um problema prático: se forem apresentadas três, a primeira a ser aprovada impedirá a votação das outras duas (porque a partir da aprovação da primeira moção o programa de governo já estará rejeitado, sendo absurdo voltar a fazê-lo).[…]

Ontem, após a eleição de Ferro Rodrigues para presidente da Assembleia da República (AR), António Costa vaticinou o fim do ciclo PSD-CDS. “Essa maioria acabou no dia 4 de outubro e hoje ficou bem claro que essa maioria acabou”, afirmou o secretário-geral do PS, salientando que a votação mostrou “de forma inequívoca que a vontade maioritária que os portugueses expressaram nas urnas tem também representação aqui na Assembleia da República”.

Por isso, perspetivou logo a formação de um novo governo ao referir que espera que a maioria de esquerda no hemiciclo “se expresse também na aprovação e no apoio de um governo que possa governar com estabilidade”. Executivo esse que responda a uma vontade de “mudança” mas que garanta também “o cumprimento dos compromissos internacionais”, assinalou aos jornalistas quase em jeito de recado a Cavaco Silva de que algumas das bandeiras do BE e do PCP – como a recusa do Tratado Orçamental ou a saída da NATO – podem cair por terra.[…]

Entretanto, o BE avançou já com os dois primeiros projetos-lei desta legislatura, conforme prometeu na campanha eleitoral. Um dos diplomas visa revogar as taxas moderadoras no SNS para quem aborta voluntariamente. O outro articulado pretende legalizar a adoção de crianças e o apadrinhamento civil por parte de casais (casados ou em união de facto) do mesmo sexo.

Ler todo o artigo em: http://www.dn.pt/portugal/interior/esquerda-com-mocao-unica-de-rejeicao-ao-governo-4852225.html

A nível internacional continuam em destaque todas as noticias relacionadas com os refugiados

ONU defende plano para acolher dois milhões de refugiados na Europa – Agência Lusa/Observador (23/10/2015)

A União Europeia (UE) deve elaborar planos de acolhimento em massa para receber dois milhões de refugiados que fogem dos conflitos no Médio Oriente, afirmou o relator especial da ONU sobre os direitos humanos dos migrantes, François Crépeau.

GEORGI LICOVSKI/EPA

“Precisamos de oferecer soluções de mobilidade para as necessidades dos migrantes. As pessoas cruzarão as fronteiras de qualquer forma. Se não oferecermos as soluções, elas virão por meio de contrabandistas e traficantes”, destacou hoje o canadiano, numa conferência de imprensa na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.[…]

O relator da ONU defendeu que os países ricos elaborem um plano em conjunto para distribuir a capacidade de acolher dois milhões de refugiados do Médio Oriente nos próximos cinco anos.

“Os números não são aterrorizantes. Estou a falar de 400.000 refugiados por ano. E se contabilizarmos os 28 países europeus, mais os Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, chegaríamos ao final com pequenos números para cada país”.

Na sua opinião, o Canadá poderia colher 17 mil refugiados por ano, a Alemanha 50 mil, França e Reino Unido 40 mil cada.[…]

Na sua opinião, um dos grandes empecilhos para que se elabore um plano de assentamentos é a persistência de discursos de extrema-direita contrários à migração.

“Ainda há o pensamento de que os migrantes irão roubar os trabalhos. Não lhes é garantido o direito de fazer denúncias das discriminações que vivem ou das explorações a que são submetidos”, referiu, defendendo que as barreiras impostas pelos países estão a ser inúteis e fomentam a ação de traficantes.

“Contrabandistas são oportunistas, atuam porque existem barreiras à mobilidade. Se não houver estas barreiras, não haverá contrabando”, refletiu.

Ler mais em: http://observador.pt/2015/10/23/relator-da-onu-defende-plano-para-assentar-dois-milhoes-de-refugiados-na-europa/

Para além da situação na Síria que envolve (em termos militares) americanos e Russos. As questões humanitárias são problema da Europa, há outras notícias que merecem também destaque

Sair ou ficar na UE, eis a grande questão – Reino Unido – Artigo de Patricia Viegas/DN (24/10/2015)

Líderes europeus e eleitores britânicos à espera de ver o que o primeiro-ministro David Cameron exige e consegue para defender o sim no referendo

Mais de dois anos antes das legislativas britânicas de maio de 2015, David Cameron estabeleceu seu programa eleitoral: realizar um referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia em 2017. Foi no dia 23 de janeiro de 2013 que o primeiro-ministro conservador fez essa promessa, num aguardado discurso sobre a Europa que vinha sendo adiado desde o outono anterior. A 7 de maio deste ano, os britânicos deram-lhe a vitória por maioria absoluta, permitindo ao Partido Conservador governar sozinho no Reino Unido.[…]

Apesar de prometido para 2017, o referendo poderia ser antecipado para 2016. Isto porque, em 2017, há eleições presidenciais em França e legislativas na Alemanha e o seus interlocutores nos dois países que constituem o eixo fundador da UE poderiam dar menos prioridade à questão britânica do que à política interna. Além disso, Cameron poderá tentar aproveitar uma onda positiva e favorável à UE, como a revelada pela sondagem ComRes, de dia 6, na qual 55% dos inquiridos defendem a permanência do Reino Unido no bloco a que aderiu em 1973.[…]

Ler todo o artigo em: http://www.dn.pt/mundo/interior/sair-ou-ficar-na-ue-eis-a-grande-questao-4851957.html

O último tango da era Kirchner – Argentina – Artigo de Susana Salvador/DN (24/10/2015)

Eleitores escolhem amanhã sucessor de Cristina, que quando passar o testemunho põe fim a 12 anos de kirchnerismo

Os primeiros acordes do último tango kirchnerista começam a ser ouvidos amanhã, quando mais de 32 milhões de eleitores argentinos forem chamados às urnas para eleger o sucessor de Cristina Kirchner. Daniel Scioli, apoiado pelo governo, é o favorito face aos principais opositores, Maurício Macri e Sérgio Massa. Independentemente de quem sair vencedor, a cerimónia de tomada de posse do novo presidente, a 12 de dezembro, marcará o fim de uma era. Depois de 12 anos, deixará de haver um Kirchner na Casa Rosada – Néstor foi eleito em 2003 e a mulher em 2007 e 2011. Resta saber se o tango kirchnerista continuará a ouvir-se nos bastidores do governo.[…]

Desafios

A Argentina de hoje não é a de há 12 anos, mas também já não é a dos anos dourados do kirchnerismo, quando a economia crescia a uma média de 7% ao ano. A previsão do Fundo Monetário Internacional para o próximo ano é de uma contração do PIB de 0,7%. Outro valor negativo que o sucessor de Cristina terá de enfrentar é a da elevada inflação: segundo o governo, foi de 23,9% em 2014, mas os institutos privados dizem que foi de 35%.[…]

Ainda a nível económico, o kirchnerismo nacionalizou empresas como a petrolífera YPF ou as Aerolínhas Argentinas. Algo que nem o principal candidato opositor, Macri, disse que pretende mudar. Tal como não quer abandonar os programas sociais, como o abono de família (46 euros por criança, por mês), base de muito apoio do kirchnerismo. Esses programas sociais permitiram reduzir a pobreza, que era de 57% em 2002. O valor atual é desconhecido, já que o governo argentino optou por não divulgar o índice da pobreza, mas a oposição fala numa subida nos últimos anos.[…]

Ler todo o artigo em: http://www.dn.pt/mundo/interior/o-ultimo-tango-da-era-kirchner-4851950.html

Tal como na Europa também na América, neste caso em particular no Canadá há uma mudança radical no plano político

Justin Trudeau and Liberal Party Prevail With Stunning Rout in Canada – By IAN AUSTENOCT (19/10/2015)

Justin Trudeau of the Liberal Party and his wife before giving his victory speech in Montreal. Credit Jim Young/Reuters

OTTAWA — The nine-year reign of Prime Minister Stephen Harper and his Conservative Party came to a sudden and stunning end on Monday night at the hands of Justin Trudeau, the young leader of the Liberal Party.

Starting with a sweep of the Atlantic provinces, the Liberals capitalized on what many Canadians saw as Mr. Harper’s heavy-handed style, and the party went on to capture 184 of the 338 seats in the next House of Commons. The unexpected rout occurred 47 years after Mr. Trudeau’s father, Pierre Elliott Trudeau, first swept to power.[…]

Tom Mulcair, the leader of the New Democratic Party, who had insisted that the election should be focused on removing the Conservatives from power, devoted much of the final hours to attacking the Liberals.[…]

Ler todo o artigo em: http://www.nytimes.com/2015/10/20/world/americas/canada-election-stephen-harper-justin-trudeau.html?hp&action=click&pgtype=Homepage&module=first-column-region&region=top-news&WT.nav=top-news&_r=1

Os relógios atrasam uma hora HOJE (domingo – 25/10/2015). Mas porquê? – Artigo de Claudia Carvalho Silva/Público (23/10/2015)

Foi há cerca de cem anos que se decidiu aplicar um horário diferente no Inverno e no Verão.

No próximo domingo, 25 de Outubro, tem início o horário de Inverno. Assim, deverá atrasar os seus relógios 60 minutos às 2h da madrugada de domingo, passando para a 1h. Na Região Autónoma dos Açores, a mudança é feita à 1h da madrugada de domingo, passando os ponteiros a marcar meia-noite.[…]

Esta medida surgiu “na altura da Primeira Guerra Mundial, numa época em que o consumo energético teve de ser redireccionado para o consumo de guerra e a população civil sentiu restrições no aquecimento e na iluminação”, refere o director do OAL – Daylight Saving Time é o nome original atribuído a esta mudança de horário. Entre as pessoas que sugeriram esta mudança de horário estão Benjamin Franklin, nos EUA, William Willett, no Reino Unido, e George Vernon, na Nova Zelândia. A medida era aplicada de forma a poder poupar carvão, velas e ajustar os horários de forma a conseguir obter mais luz solar e mais temperatura.[…]

O meridiano de Greenwich – uma linha imaginária vertical que se estende de um pólo ao outro do planeta – é, por convenção, aquele em que a longitude corresponde a zero, dividindo o globo terrestre em oriente e ocidente. Esta escolha esteve relacionada com o “maior tráfego de mercadorias em Inglaterra na altura [1884] e à utilização dos almanaques náuticos do Observatório Real de Greenwich”, refere Rui Agostinho. Observa que, apesar de se ter deixado de usar a GMT e passado a usar a hora atómica, o meridiano de referência continuou a ser o mesmo.[…]

A próxima mudança de horário será feita daqui a cinco meses, no último domingo de Março de 2016, dia 27.

Texto editado por Hugo Daniel Sousa

Ler todo o artigo em: http://www.publico.pt/n1712044

Finalmente e como referido no inicio desta “Revista da Semana”  transcrevo o artigo publicado pelo Expresso em 25 de Abril de 2014

Quando a PIDE foi apanhada

ENCURRALADO o major Silva Pais, último responsável da PIDE, na cela da prisão de Caxias Foto D.R.

Fez esta quinta-feira (22/10/2015) 70 anos que foi criada a Policia Internacional de Defesa do Estado (PIDE), a polícia política do regime deposto no 25 de Abril. Apanhada de surpresa pelo ‘golpe dos capitães”, foi a última instituição da ditadura a sucumbir, como relembramos neste trabalho, publicado originalmente na Revista do Expresso de 25 de abril de 2014

Texto de José Pedro Castanheira

Há mais de três horas e meia que o golpe de Estado estava a rolar. A partida fora dada as 0h20, quando a Rádio Renascença soltara a segunda e última senha – a canção ‘Grândola, Vila Morena”  de Jose Afonso. Apanhadas completamente de surpresa, só muito perto das 4 horas da madrugada é que as autoridades militares e policiais foram alertadas.

Irene Pimentel, a historiadora que mais estudou a PIDE/DGS, considera, no livro “Democracia e Ditadura” (2014,) que “o fator surpresa apenas foi quebrado às 3 horas e 56 minutos, quando a DGS (Direção Geral de  Segurança, o nome com que a PIDE foi rebatizada em 1969) soube que alga se passava, através de um telefonema do ministro do Exército, general Andrade e Silva, ao diretor daquela policia politica, major Fernando da Silva Pais, a dar conta da chegada de forças com blindados ao Terreiro do Paço”

Até essa hora, Silva Pais de nada sabia. Este dado, revelador do total desconhecimento por parte da polícia politica sobre a operação ‘Viragem Histórica ‘, viria a ser confirmado logo em maio pelo próprio major em declarações à Comissão de Extinção da PIDE/DGS. No depoimento então prestado, Silva Pais admitiu que nada soubera pelos seus homens e que fora o ministro do Exercito quem o alertara que o Ministério “estava cercado” por blindados que haviam desaguado no Terreiro do Paço.

NUMERO DOIS DA PIDE ESTAVA DESCANSADO, EM PARIS

Se o numero um da DGS nada sabia, o numero dois estava sossegado em…Paris. Foi já a meio da manha de 25 que Barbieri Cardoso soube do que se estava a passar em Portugal. Também aqui não foi nenhum dos seus homens que o informou, mas o conde Alexandre de Marenches, chefe dos serviços secretos franceses, o SDECE. No livro “No Segredo dos Deuses”, editado em França (1986) e depois traduzido em Portugal, Marenches gabou-se à jornalista  Christine Ockrent de ter sido ele a comunicar a Barbieri (que identifica coma ‘senhor B.’) que em Lisboa o poder estava na rua. “Pergunto­ lhe: ‘Está ao corrente do que se passa em Portugal?’ Responde: ‘Não, que é que se passa?  Digo: ‘Há uma revolução.’ Levanta-se como esticado por uma mola:  ‘Não é possível!´ ‘Ora, não sabe?’ Ele responde-me: ‘não!´

Em Bruxelas, por sua vez, estava Cunha Paço, que dirigia o gabinete português da Interpol. A participar numa  reunião  da NATO,  também  ele ignorava o que se passava no país. Segundo Bruno Oliveira Santos, em “Histórias Secretas da PIDE/DGS”, Paço admitiu: “Pensávamos que o golpe estava programado só para maio.” “A revolução (…) veio efetivamente de surpresa” – confessou Marcello Caetano no seu “Depoimento” , escrito e editado no Brasil ainda em 1974.

“Pode dormir descansado, sr. ministro”,,, DISSERA O DIRETOR-GERAL DE SEGURANÇA AO MINISTRO DA DEFESA NA NOITE DE 24 DE ABRIL. O SONO DO MINISTRO NÃO DUROU MUITO

Na noite de 24 para 25, o ministro da Defesa, Silva Cunha, não tinha motivos para estar preocupado e adormeceu em paz. No seu livro de memórias “O Ultramar, a Nação e o 25 de Abril” (1977), contou como, antes de ir para a cama, recebera um telefonema de um colega do Exercito, general Andrade e Silva, a dar-lhe conta de que “no dia seguinte de manhã, sairia de Lisboa para visitar algumas unidades militares ao sul do Tejo” e que tudo “estava tranquilo”.

A seguir falara-lhe o diretor-geral de Segurança, dizendo o mesmo. “Pode dormir descansado, sr. ministro! “, assegurara Silva Pais. O sono não durou muito. Horas depois, novo telefonema, de teor diametralmente diferente, desta vez do comandante-geral da PSP, general Tristão de Carvalhais, informando que uma coluna blindada da Escola Prática de Cavalaria avançava sobre Lisboa.

Sentindo-se perdidos, vários responsáveis, reunidos no Ministério do Exército, mandaram abrir, a picareta, um buraco na parede do gabinete, por onde fugiram

Prontamente alertados por Silva Cunha, os ministros do Exercito e da Marinha, o subsecretário de Estado do Exercito e o chefe do Estado-Maior­ General das Forças Armadas (CEMGFA), general Luz Cunha, reuniram-se no Ministério do Exercito. Pelas janelas, assistiram as deambulações da coluna da Escola Pratica de Cavalaria, comandada por Salgueiro Maia, e recolheram informações alarmantes de todo o país. Sentindo-se perdidos, mandaram abrir, a picareta, um buraco na parede do gabinete, por onde fugiram, para se refugiarem no bunker da Força Aérea em Monsanto.

CAETANO NO CARMO, TOMÁS NA GIRIBITA

Segundo o livro “A Fita do Tempo da Revolução”, do Centro de Documentação 25 de Abril, um telefonema entre o ministro da Defesa e o colega do Exercito foi intercetado pelos militares sublevados.

Eram 3 h e 31 e os ministros, alheados de quanto se passava, comentavam a próxima deslocação do Presidente da República, Américo Tomás, a Tomar, “com a ahabitual falta de segurança”. Um minuto depois o Rádio Clube Português era ocupado “sem dificuldade” pelos revoltosos e transformado em posto emissor do Movimento das Forças Armadas. De lá foi emitido, às 4h 20, o primeiro comunicado do MFA, lido pelo jornalista Joaquim Furtado.

Estranhamente segundo Freire Antunes em (“Nixon e Caetano” 1992) só por volta das cinco da manhã é que o director da polícia acordou o Presidente do Conselho, Marcelo Caetano.

Pelo telefone, informou-o que havia tropas na rua e que se tratava de mais uma tentativa de golpe de estado. Se na madrugada de 16 de Março, aquando do golpe das Caldas da Rainha, Silva Pais instruíra Caetano a procurar refúgio no Comando da Força Aérea em Monsanto, agora, admitindo que este viesse a ser um dos alvos prioritários dos revoltosos, recomendou-lhe o quartel da GNR no largo do Carmo. O mesmo local de rectaguarda foi sugerido por Silva Pais, quando telefonou para o Presidente da República Américo Tomás. O almirante rejeitou. No livro de memórias “Últimas décadas de Portugal” explicou que lhe parecera “pouco aconselhável por variadas razões, entre elas a da sua localização”. Tomás acabou por passar o dia entre a sua residência no Restelo e o pequeno forte da Giribita, em Oeiras.

A vez dele. Detido a 27 de Abril em sua casa, Silva Pais foi o principal prisioneiro do novo regime saído do 25 de Abril de 1974 (Foto D.R.)

Depois da tentativa de golpe de 16 de março, explicou Silva Pais, a DGS passara “a orientar-se para o 1° de maio”. “A verdade é que não se contava com aquele “movimento”, DISSE, REFERINDO-SE AO 25 DE ABRIL

No já referido depoimento a Comissão de Extinção da PIDE/ DGS, Silva Pais considerara que, após o fracasso do golpe de 16 de março, o caso estava “liquidado, pelo menos aparentemente”, acreditando que os ministérios da Defesa e do Exercito conseguiriam, “lentamente, sossegar tudo”. O mesmo julgara Marcello Caetano, que, em carta dirigida a 20 de março ao amigo Laureano Lopez Rodo, estava otimista: “Tenho vivido dias difíceis mas que graças ao apoio do povo português e à fidelidade das forças armadas fui vencendo” (Paulo Miguel Martins, “Cartas entre Marcello Caetano e Laureano Lopez Rodo”).

Para o último ministro da Defesa do Estado Novo, Silva Cunha, fora “possível dominar” o golpe das Caldas “por se dispor de informações a tempo”. Só que “entre o 16 de março e o 25 de Abril faltou completamente a informação sobre o que se preparava”. Depois do 16 de março, explicou Silva Pais, a DGS passara “a orientar-se para o 1° de maio”. O 25 de Abril surpreendeu inteiramente o diretor da DGS.

No seu depoimento confessou: “A verdade e que não se contava com aquele movimento”

MILITARES DESPISTAM POLÍCIA

Se houve demérito da policia politica – e dos serviços secretos das grandes potencias aliadas de Portugal, que também nada sabiam -, também houve mérito dos jovens capitães e majores. O movimento lograra despistar a policia. No rescaldo do 16 de março, que provocara cerca de duas centenas de detenções entre os militares insurrectos, a direção do movimento – explicou Vasco Lourenço – “como que adormece”.  Deixou de haver plenários, as reuniões passaram a ser muito mais restritas e sigilosas, não houve mais comunicados, o segredo tornou-se regra. “O inimigo tinha que pensar que o 16 de março arrumara com o movimento…”

Para despistar, acrescentou Vasco Lourenço no seu “Do Interior da Revolução”, chegou a ser lançado o boato de que seria feita “uma grande manifestação no dia 2 de maio (…) o que enganou em grande medida a PIDE”.

Apesar de todos os cuidados, houve descuidos imprevisíveis.

“Numa noite, quando me dirigia para casa de Vitor Crespo, para uma reunião sobre o programa do MFA, enganei-me na morada e bati a porta de um tipo da DGS”, contou ao Expresso o então tenente-coronel Costa Braz.

“Tia Aurora segue Estados Unidos da América 25, 3 da manhã. Um abraço primo António”, DIZIA O TELEGRAMA EM CODIGO DE OTELO ENVIADO NO DIA 24

A data exata do golpe foi um segredo que a cúpula operacional do movimento soube guardar a sete chaves. Apesar de envolvido na conspiração, Costa Braz garantiu: “Não sabia que o 25 era a 25. Só o soube nesse dia. Mas também foi intencional da minha parte: não quis saber nada da parte operacional.” Melo Antunes, principal autor do programa do MFA, e Vasco Lourenço, um dos motores do movimento, ambos transferidos para Ponta Delgada, só souberam da data a 24, graças a um telegrama em código de Otelo Saraiva de Carvalho: “Tia Aurora segue Estados Unidos da América 25, 3 da manhã. Um abraço primo António.”

SPÍNOLA SUGERE FUGA A SILVA PAIS

A informação ficara limitada ao restritíssimo circulo de operacionais em torno de Otelo e Garcia dos Santos. A ela acederam os jornalistas encarregados de propagar as duas senhas radiofónicas e poucos mais. E o próprio PCP – a principal força organizada entre as várias oposições – só foi informado da data dois dias antes, a avaliar pelo relato de Carlos Brito em “Tempo de Subversão”.

Foi no cerco popular à sede da DGS, ao princípio da noite de 25, que se verificaram as cinco mortes da revolução dos cravos: quatro civis baleados por atiradores da DGS, e um agente morto por foras do movimento quando tentava fugir.

A sede nacional da PIDE/DGS, na Rua Antonio Maria Cardoso, e as prisões de Caxias e Peniche figuravam entre os alvos do plano geral das operações do 25 de Abril, tendo-lhes sido atribuídos os nomes de códigos, respetivamente, de ‘Moscovo’, ‘Pequim’ e ‘Varsóvia ‘ . Para tomar conta da sede da policia e de Caxias fora apontado o Regimento de Infantaria 1. Sabe-se como, nas vésperas, esta unidade considerou não haver condições operacionais para controlar aqueles objetivos, o que levou Otelo a desistir deles – viriam a ser tomados, muito mais tarde do que o planeado, por forças de fuzileiros e de paraquedistas.

Foi no cerco popular à sede da DGS, ao principio da noite de 25, que se verificaram as cinco mortes da revolução dos cravos: quatro civis baleados por atiradores da DGS, e um agente morto por forças do movimento quando tentava fugir.

Ao raiar do dia 26, Marcello Caetano e Américo Tomás, acompanhados dos ex-ministros Silva Cunha (Defesa) e Moreira Baptista (Interior), apanharam um avião para a Madeira – de onde os dois primeiros  partiram, mais tarde,   para o exilio no Brasil. Silva Pais passou a noite no seu gabinete na Antonio Maria Cardoso, tendo-se rendido por volta das 9h30. A delegação do Porto foi o último bastião da policia politica a depor as armas, após ter sido também ela cercada pela multidão. Detidos, os elementos da DGS em serviço no Porto foram levados em viaturas militares para fora da cidade e libertados na estrada entre Famalicão e Braga.

Entre os fugitivos contava-se Antonio Rosa Casaco, o chefe da brigada da PIDE que assassinara o general Humberto Delgado em 1965 e que fugiu para Espanha. À noite, o general Antonio de Spínola, presidente da Junta de Salvação Nacional, falou ao telefone com o último diretor da policia politica.

Silva Pais garantiu no seu depoimento que Spínola ter-lhe-ia dito que dispunha de 24 horas para se ausentar do país. Ao contrário da maior parte do seus colaboradores diretos, Silva Pais recusou. Seria detido no dia seguinte, 27 de abril, em sua casa e enviado para o forte de Caxias, onde passou a ser o principal prisioneiro do novo regime.

 

 

 

 

 

 

 

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