Selecção, introdução e tradução de Júlio Marques Mota
Os novos migrantes
Estes trarão com eles o fascismo ou um sucedâneo
Yves-Marie Laulan*, LES « NOUVEAUX » MIGRANTS – Ils apporteront le fascisme ou un succédané
Revista Metamag.fr, 4 de Novembro de 2015
(conclusão)
…
Uma ameaça que corre o risco de arrastar a nossa civilização
Mas voltemos a colocar os pés na terra . É necessário efectivamente ver que esta colossal vaga de imigração é duplamente perigosa para a Europa porque:
– trata-se, naturalmente, de uma imigração étnica de forte componente árabe, mas também africana, (já) não deve ser necessário tapar a cara (mas horror, não é necessário ser-se racista)…
– além disso, estamos na presença de uma imigração religiosa que vem consolidar as posições do Islão sobre o nosso território nacional. O que é se pode passar se, de aventura, os Muçulmanos do interior fizerem um dia causa comum com os que estão a vir do exterior? Isso já se viu, no passado a queda do império romano, entre outros factores foi provocado pelo conluio entre Bárbaros já instalados no Império e novas vagas de emigrações bárbaras nas fronteiras).
Noutros tempos, ter-se-ia exigido, horresco referens, a estes novos recém-chegados que renunciassem às suas práticas religiosas. Mas isso deixou de estar na moda. As nossas sociedades profundamente descristianizadas e embebidas de tolerância religiosa, e tolerância muito curta de resto, não encaram um segundo sequer em fazer outra coisa que não seja deixar o Islão consolidar pacificamente as suas posições sobre o nosso solo. À espera dos próximos atentados que irão inevitavelmente verificar mas também favorecer a alimentação hallal e o niqab. Mas sobretudo, não sucumbamos à medonha islamofobia que corrói a paz social e destrói a ordem das nossas ruas. Os Muçulmanos são os nossos irmãos. É necessário amá-los … esperando que estes nos substituam.
A Europa sem defesa
Porque estas vagas contínuas não se extinguem? Simplesmente porque uma vez cruzadas as portas do espaço de Schengen nenhuma barreira se opõe à sua passagem. O tratado de Schengen tocará os toques de finados da Europa incapaz de defender o seu território? Porque a nossa Europa foi construída sobre uma pirâmide de ilusões.
É de resto aqui que se aprecia plenamente a incrível burrice da criação do espaço de Schengen pelos idólatras da Europa, desprovidos estes da menor cultura histórica ou geopolítica. Como se a Europa tivesse a obrigação de contemplar serenamente um futuro infinito de paz, concórdia e segurança interna e externa, e isso para os séculos dos séculos. Simplesmente porque, durante 70 anos, a Europa não conheceu nenhuma guerra, nenhum conflito significativo (à parte o conflito de Sarajevo nos anos 90, prontamente asfixiado sob as bombas americanas e da ONU. Daí o sentimento perfeitamente ilusório de uma impunidade total, de uma segurança adquirida para a eternidade. Nada mais nos pode atingir.
Mas aí está. A ameaça não desapareceu. Mudou simplesmente de rosto. Já não se apresenta hoje em dia sob os uniformes de verde azeitona como antes, mas sob os traços lamentáveis de infelizes em procura de segurança, de alojamentos sociais, de educação gratuita e de ajuda social generosa. As sociedades europeias atingiram um tal grau de decomposição moral que já nem sequer dispõem dos reflexos mais elementares que comandam a sua sobrevivência, como estes grandes pássaros de outrora, Moas ou Dodos, incapazes de voar, desaparecidos desde há muito tempo das ilhas do Pacífico. As gentes da Melanésia desembarcando das suas pirogas podiam facilmente abatê-los com pancadas dadas simplesmente com varas. Os Europeus estão a caminhar nesse sentido. Mas o problema é que são eles, hoje, os grandes pássaros sem asas.
Viveu-se e vivemos ainda sob a bandeira do slogan agradavelmente ilustrado por Jan Yann: “toda gente é bonita, toda a gente é agradável”. Nada de mais falso, nada de mais enganador. O mundo real, fora das fronteiras da Europa é duro, cruel, brutal e sem piedade. É um mundo onde o cocktail de bons sentimentos de que nos embriagamos a cada momento não tem sentido, não existe. É de resto a razão pela qual de numerosos Afegãos, Paquistaneses e Etíopes, que vêm engrossar as filas dos nossos “bons” migrantes, são assimilados comodamente “aos infelizes, “os sírios, expulsos pela guerra. Mas será que se está a acreditar que a passagem das nossas fronteiras os vai tornar mais atentos às condições das suas desafortunadas mulheres tratadas como seres inferiores?
Uma vez em nossa casa, eles continuarão, certamente, a comportar-se da forma como o entendem, mas ao abrigo dos batentes fechadas dos alojamentos sociais que lhes serão atribuídos, gratuitamente certamente, aproveitando ao mesmo tempo, e largamente, as delícias dos nossos subsídios familiares, e outras vantagens sociais. Ei sim, George Dandin …… os migrantes trazem os seus costumes e os seus hábitos até na sola dos seus sapatos. A actualidade ensina-nos a morte por lapidação de uma mulher afegã acusada de adultério. Sempre na actualidade, uma mulher, desta vez no Paquistão, é queimada viva por ter recusado casar-se à força. E são estas pessoas que agora se pretende fazer-nos aceitar por comunidades inteiras?
Como se a ameaça vinda do estrangeiro devesse ter de cobrir uniformemente o mesmo rosto, o de tanques que desfilam em filas apertados. Como se a entrada de multidões em massas compactas não apresentasse exactamente os mesmos perigos, e mesmo mais ainda. Porque os tanques podem ser repelidos ou destruídos. Em contrapartida, uma vez entrados, é quase impossível desalojar ou deslocar os indesejáveis, mesmo à força. A experiência mostra frequentemente que se instalam prontamente sobre os lugares e se incrustem para sempre.
A Europa é assim uma vítima prodigiosa “de uma fraude aos bons sentimentos” que oculta uma realidade bem desagradável. Porque, enfim, não se pode andar a interrogar estes enormes rebanhos humanos que, como os gafanhotos da Bíblia, vagueiam sobre as estradas e os caminhos da Europa, sem mapas, sem GPS, sem guias. Mas também aparentemente, sem pão, sem água, sem equipamentos contra o frio e a chuva, sem abrigos nem medicamentos. O que é que lhes serve de referências? Quem os alimenta ? Quem os financia? Quem os protege? Tantas perguntas no entanto bem evidentes que os nossos corajosos receptores de grande coração aberto não parecem estarem dispostos a levantar, em nome da sua ternura muito altruísta.
A Europa é assim a presa da sua ideologia abstracta e irrealista, quando “os bons sentimentos” substituem o bom senso. As fronteiras são sempre necessárias num mundo imperfeito. E Deus sabe se é e se será também assim por tanto tempo quanto houver homens, da mesma maneira que há o recurso à força, ou mesmo à violência, fazendo uso de todos os meios disponíveis, da polícia e do exército. Mas aí está. Ainda é necessário ter a vontade de se servirem destes meios. A Europa arrisca-se extremamente a perecer por falta de vontade em querer sobreviver: antes morrer do que ter de renunciar aos seus princípios morais enternecedores, mesmo se estes se revelam mortíferos.
A Alemanha um exemplo consternador de ingenuidade
O caso alemão é um problema. Quais as bizarras razões que levam Mutter Merkel a desencadear este movimento irresistível para “o Eldorado” germânico, do qual se arrisca, de resto, a ser ela-própria a primeira vítima política? Pelo menos, a acreditarem-se nas primeiras indicações sobre uma mudança de opinião na Alemanha, nomeadamente na Baviera. Acabaram-se os cartazes “wilkommen” que floresciam à passagem das primeiras vagas de migrantes. Mas terá sido ela mesma que, pelas suas declarações estonteantes sobre a Alemanha que era capaz de absorver um milhão de migrantes ou mais, que desencadeou a fenomenal a migração actual.
Será necessário ver nisto o sentimento quase materno de uma mulher privada de crianças e de vida familiar? Ou, depois do lamentável episódio grego, será que isto traduz a preocupação de embelezar a imagem da Alemanha e de a fazer aparecer como uma nova “terra de asilo” entre as nações? A menos que não seja a preocupação, evidentemente menos generosa, de preencher a baixo custo o défice dos nascimentos alemães (pelo menos 3 milhões de pessoas) de forma a fornecer à Alemanha braços a muito bom preço para a indústria alemã.
Ou ainda muito simplesmente um ataque inesperado de “híbris”, esta forma de embriaguez que atinge os responsáveis políticos que desde há muito tempo têm estado no poder. Na falta de uma contestação política séria, são vítimas de uma certa esquizofrenia. Tudo isto lhes faz perder o contacto com a realidade política ao ponto de se convencerem que poderão ter êxito em tudo, que podem enfrentar todos os tipos de desafio, por muito insensato que seja. Não serás isto o caso da Alemanha de Angela Merkel?
Isto sendo o que é, como é que podemos sair deste mau passo?
É bem simples: é necessário impedir os migrantes de deixarem o seu país, (mesmo que seja à custa de uma ajuda financeira gigantesca, o que está em jogo vale esse sacrifício) impedi-los de passar (por terra ou por mar), impedi-los de entrar (no nosso território). E repatriá-los, aceitem-no ou não, se mesmo assim forem bem sucedidos em entrar nos nossos países. Esta tripla proibição seria só por si é suficiente para estancar consideravelmente com a onda da migração.
Porque, quando os candidatos a uma imigração feliz souberem o que os espera na Europa e sobre os caminhos que a esta conduzem, por meio de telefones satélites de que estão abundantemente equipados, ninguém duvida que estes fluxos migratórios acabariam por acabarem por si-mesmos. Se não, será necessário efectivamente utilizar a maneira forte, ou seja, fazer uso dos nossos meios militares para nos defendermos desta invasão calma.
Mas não são certamente os nossos responsáveis políticos actuais com estes colocados sob a elevada vigilância dos meios de comunicação social e das organizações caritativas que serão capazes de agir assim. Alimentados ao biberão do humanitarismo, alimentados à força dos princípios generosos de uma ideologia caritativa, protegidos no casulo dos direitos do homem, de facto, estes líderes estão atingidos de paralisia.
No entanto, além de certo limiar, o público, até agora largamente indiferente e passivo, corre o risco de despertar. Vai-se sentir ameaçado na sua segurança, na sua maneira de viver, no seu nível de vida. Vai sem nenhuma dúvida reagir e talvez saltar de um excesso de laxismo para um excesso de pânico. É o inevitável regresso do cassetete que provoca uma política de correcção durante demasiado tempo diferida. A partir daí, a pressão da opinião pública levará ao poder partidos vigorosos, ou mesmo autoritários, que se encarregarão do “ trabalho sujo” manu militari que os nossos governos “frouxos” terão sido bem incapazes de efectuar sem violência. E as nossas tão caras liberdades correm o risco de sere com esta mudança completamente evacuadas
O afluxo de migrantes faz correr de o grande risco de matar as nossas liberdades, como os marinheiros vindos de longe traziam outrora a peste para os portos de acolhimento.
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Para ler a Parte I deste artigo de Yves-Marie Laulan, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:
OS NOVOS MIGRANTES –ESTES TRARÃO COM ELES O FASCISMO OU UM SUCEDÂNEO – por YVES- MARIE LAULAN – I
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Yves-Marie Laulan, Revista Metamag, LES ” NOUVEAUX ” MIGRANTS – Ils apporteront le fascisme ou un succédané. Texto disponível em :
http://www.metamag.fr/metamag-3328-LES–NOUVEAUX–MIGRANTS.html
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