BREXIT: UM EXEMPLO DA ENORME NUVEM DE FUMO A PAIRAR SOBRE A REALIDADE EUROPEIA – 16. BREXIT: CRÓNICA PÓS APOCALIPSE – PIOR QUE AS DEZ PRAGAS DO EGIPTO? A DEMOCRACIA! – por DAVID DESGOUILLES

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Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

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Brexit: crónica pós-apocalipse

Pior que as dez pragas do Egipto? A Democracia!

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David DesgouillesBrexit: chronique post-apocalyptique – Pire que les dix plaies d’Egypte? La démocratie!

Revista Causeur.fr, 23 de Junho de 2016

David Desgouilles leu  o  cenário  que  Arnaud Leparmentier assinou quanto ao desastre  Brexit  nas colunas do “Le Monde ” imaginando os dias após o  Brexit. Mas para o nosso blogger, o jornalista transformou-se em cordeiro ou num valete de outros interesses.

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(Photo : SIPA.00105665_000001)

Sexta-feira,   24 Junho de 2016 :  Os cidadãos de  sua graciosa Majestade decidem deixar a UE com 50,9% dos votos. Jean Quatremer twittou: “Eu espero que vão para o Diabo que os carregue,  estes safados  xenófobos!

Domingo,  26 de Junho de  2016 :  Um  colectivo de personalidades, incluindo Jacques Attali, Martine Aubry, Alain Minc, Benoist, Bruno Le Roux e Christine Angot, assinou  uma tribuna  no Journal de Dimanche, JDD. Eles pediram solenemente à  Comissão Organizadora do  Euro 2016  “que expulse  a equipa nacional da Inglaterra  da competição, em nome de valores humanistas, democráticos e europeus”.

Terça-feira, 27 de Junho de 2016: colunas de refugiados franceses, apavorados com as consequências futuras do Brexit, afluem  na direcção de Dover. Após investigação, parece que a maioria deles continuou a acreditar no que dizem os media franceses.

 Domingo, 3 de Julho de 2016: adversária dos  valentes jogadores franceses, “carregando com a esperança de todos os cidadãos europeus”, a equipa nacional de Inglaterra é vencida por um resultado de 9-0 nos quartos de final do Euro. Sem dúvida, os  jogadores britânicos foram perturbados  pelo equipamento azul dos franceses, excepcionalmente  embelezados pelas 12 estrelas da bandeira europeia, depois do solene e  comum pedido  de François Holland e de  Angela Merkel.

 Segunda-feira 25 de Julho de 2016: Já traumatizados pelo abandono do seu campeão ciclista Christopher Froome, devido a uma queda, a  duas voltas da chegada sobre Champs-Elysées, enquanto que tinha quase doze minutos de avanço na  classificação geral, o Reino Unido deve ter que enfrentar uma epidemia de cólera nas Midlands. Arnaud Leparmentier conclui o editorial do Le Monde escrevendo : “Vê-se mal como é que os países da União europeia poderiam ser solidários com uma  nação que lhes virou egoisticamente as costas há um mês”, o  que o seu colega  e  comparsa,  Jean Quatremer,  resume de um tweet de raiva : “Que rebentem, esses cretinos!”

Terça-feira 27 de Setembro de 2016: Após uma mortandade de  14.000 vítimas da cólera  e a devastação do bairro de Chelsea por  uma praga de milhares de milhões de gafanhotos no final de Agosto, o novo Primeiro ministro Boris Johnson acaba de anunciar  a criação de senhas  de racionamento. Uma ideia tanto mais urgente quanto a libra   esterlina perdeu 97% do seu valor em três meses. A medida atinge mesmo a gordura de rim necessária elaboração do pudding.

Domingo, 25 de Dezembro de 2016:  A Escócia anuncia a sua saída do Reino Unido. A reacção de Boris Johnson não se fez esperar: Glasgow e Edimburgo são bombardeadas no dia de Natal.

Domingo, 1 de Janeiro de 2017: Tal como Charles I, a  cabeça de Boris Johnson é cortada  no primeiro dia do ano em frente ao  Palácio de Whitehall. George Osborne, que lhe sucedeu na Downing Street, solicita formalmente a reintegração do Reino na União Europeia e a adesão ao euro. Como um sinal de boa vontade, o novo chefe do governo britânico impõe a proibição do Times e a condução pela  direita. Lamentam-se  algumas mortes de utilizadores de autocarros  em Londres, mas estas medidas ainda são recebidas com entusiasmo pelo povo britânico, finalmente vacinado contra o soberanismo.  O que é  indispensável, resume  Quatremer  no Twitter : ” A partir de hoje deixa de se andar a brincar connosco no Canal da Mancha !” (Ce que l’indispensable Quatremer résume en un tweet : « Aujourd’hui, il n’y a plus de Manche ! » (1))

 

David Desgouilles.  Revista Causeur,  Brexit: chronique post-apocalyptique- Pire que les dix plaies d’Egypte? La démocratie!. Texto disponível em :

http://www.causeur.fr/brexit-royaume-uni-union-europeenne-quatremer-leparmentier-38864.html

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(1) – Nota da tradução – há aqui um trocadilho intraduzível para português. Manche em francês existe como substantivo próprio para designar o canal que separa a França da Inglaterra, mas  também como substantivo comum para designar o que em português se chama as mãos de uma partida desportiva, como por exemplo, o ténis.

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