
E depois do Brexit caiu o pano e ninguém estava em cena, David Cameron, Boris Johnson, Nick Farage, Jeremy Corbyn tinham desaparecido – Uma série de textos tendo como pano de fundo a União Europeia e a sua classe política.
Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

O voto no Brexit, o que significa?
Paul Craig Roberts, The Brexit Vote – What does it mean?
PaulCraigRoberts.org, 24 de Junho de 2016
Espera-se que uma ruptura entre a UE e a NATO e, assim, que se consiga evitar uma III Guerra Mundial.
A UE e a NATO são instituições malignas. Essas duas instituições são mecanismos criados por Washington a fim de destruir a soberania dos povos europeus. Estas duas instituições dão a Washington o controle sobre o mundo ocidental e servem ambas como cobertura e instrumento que permite as agressões que são feitas a partir de Washington. Sem a UE e a NATO, Washington não podia forçar a Europa e o Reino Unido a entrarem em conflito com a Rússia, e o governo de Washington não poderia ter destruído sete países muçulmanos em 15 anos sem ficar isolado como um odiado criminoso de guerra, e nenhum membro seu poderia viajar para o exterior sem ser preso e levado a julgamento.
Claramente, os media prostituídos mentiran sobre as sondagens, a fim de desencorajar a votação na saída do Reino Unido da UE. Mas não funcionou. O povo britânico sempre foi uma fonte de liberdade. Foram as conquistas históricas dos britânicos que transformaram a lei num escudo de proteção das pessoas a partir de uma arma nas mãos do Estado e deram ao mundo governos responsáveis. Os britânicos, ou a maioria deles, entendeu que a UE é um mecanismo de governo ditatorial em que o poder está nas mãos de pessoas irresponsáveis e em que a lei pode ser utilizada facilmente como uma arma nas mãos do governo irresponsável.
Washington, num esforço para poupar o seu poder na Europa, lançou uma campanha, a que a imprensa prostituída se juntou assim como a esquerda previamente sujeita a uma lavagem cerebral, tudo sob a bandeira dos One Percent, que apresentavam e denunciavam o esforço para preservar a liberdade dos britânicos e a sua soberania como sendo racismo. Esta campanha desonesta mostra sem sombra de dúvida que Washington e os seus meios de comunicação prostituídos não têm nenhuma consideração nem pela liberdade nem pela soberania dos povos. Washington olha para cada afirmação de um regime democrático como uma barreira à sua hegemonia e diaboliza cada afirmação de democracia. Os dirigentes reformistas na América Latina são constantemente derrubados por Washington, e Washington afirma que apenas Washington e os seus aliados terroristas têm o direito de escolher o governo da Síria, assim como Washington escolheu o governo da Ucrânia.
O povo britânico, ou grande parte dele, deu a Washington uma afirmação de independência. Mas a luta ainda não acabou. Talvez até não tenha ainda começado. Aqui está o que os britânicos provavelmente podem esperar: O Federal Reserve, o Banco Central Europeu, o Banco do Japão e George Soros irão conspirar para atacar a libra britânica, levando-a a uma significativa perda de valor nos mercados cambiais e aterrorizando a economia britânica. Vamos ver quem é o mais forte: se a vontade do povo britânico ou a vontade da CIA, dos One Percent, da UE e dos neoconservadores nazistas.
O ataque que se espera acontecer contra a economia britânica é a razão pela qual que os defensores da saída tais como Boris Johnson estão enganados na sua crença de que “não há necessidade em ter pressa” de sair da UE. Quanto mais longo for o tempo que os britânicos levarem para sair da UE autoritária, mais tempo Washington e a UE dispõem para poder infligir uma punição sobre o povo britânico por ter votado a favor da saída e assim mais tempo terá a imprensa prostituída para convencer o povo britânico de que o seu voto foi um erro. Como o voto não é obrigatoriamente vinculativo um Parlamento de gente cobarde e intimidada pode rejeitar o voto popular.
Cameron deve demitir-se e sair mediatamente, não meses depois do referendo. O novo governo britânico deve dizer à UE que a decisão do povo britânico é executada agora, não daqui a dois anos e que todos as relações políticas e legais terminaram com a votação do referendo. Se assim não for, em dois anos os Ingleses estarão em baixo pelas punições e pela propaganda de que a sua votação será anulada.
O governo britânico deve imediatamente anunciar o fim da sua participação nas sanções de Washington contra a Rússia e articular a sua economia com a dos países emergentes como a Rússia, a China, Índia e o Irão. Com este apoio, os Ingleses podem sobreviver ao ataque conduzido por Washington contra a sua economia.
The Brexit Vote — Paul Craig Roberts. Texto disponível em:
http://www.paulcraigroberts.org/2016/06/24/the-brexit-vote-paul-craig-roberts/
Dr. Paul Craig Roberts was Assistant Secretary of the Treasury for Economic Policy and associate editor of the Wall Street Journal. He was columnist for Business Week, Scripps Howard News Service, and Creators Syndicate. He has had many university appointments. His internet columns have attracted a worldwide following. Roberts’ latest books are The Failure of Laissez Faire Capitalism and Economic Dissolution of the West, How America Was Lost, and The Neoconservative Threat to World Order.
