EDITORIAL –  TRUMP NÃO ESTÁ SÓ

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Tem sido sublinhado em várias instâncias, a propósito das eleições norte-americanas, o quão estranho é que uma pessoa como Donald Trump consiga ir tão longe na sua candidatura e, ao fim e ao cabo, a menos de uma semana do acto eleitoral, se mantenha como um candidato á vitória final, estando mesmo a subir nas sondagens. É verdade que a sua adversária, embora sob outros aspectos, também se tem mostrado como uma pessoa altamente problemática, capaz mesmo de tomar atitudes muito perigosas para a paz mundial. Mas não é minorar os problemas que eventualmente poderão vir a ser criados por Hillary Clinton, caso seja eleita, afirmar ser muito preocupante que uma pessoa como Trump consiga sequer chegar perto de deter poderes tão grandes. Não será a primeira vez que isso acontece. Mas é preciso compreender que quando um sistema que se auto-intitula de democrático promove e se propõe eleger pessoas tão desprovidas de sentido cívico e humanitário, e mesmo do respeito humano mais comum, não se trata apenas de uma limitação da democracia representativa, mas de uma falha profunda da vida política. E o caso é tanto mais grave quanto facilmente se verifica que Donald Trump não é um caso único. Analisemos um caso:

Clicando no link abaixo, pode-se ler uma notícia sobre disparates (melhor dito, alarvices) proferidos por um tal Gunther Oettinger, um senhor alemão que ocupa o cargo de comissário europeu para o mercado digital. É claro que o senhor foi repreendido, e pediu desculpas. Até à próxima. Mas tem todo o sentido perguntar como chega uma pessoa assim a comissário europeu. Claro que haverá quem diga que, como fulano  e cicrano chegaram, que também são frescos, porque não este? Chegamos ao âmago do problema: as políticas europeias, sobretudo a partir da década de noventa, têm assentado em “princípios” (a mafia ou qualquer quadrilha de ladrões também os têm) que têm muito a ver com as canalhices do senhor Oettinger. Vejam só as políticas de austeridade dirigidas aos povos do sul da Europa e as “justificações” em que foram apoiadas, muito semelhantes às ideias expressas pelo ilustre comissário. No caso de Trump, também não será difícil encontrar semelhanças entre as suas afirmações e ideários que têm presidido a políticas que têm sido levadas a cabo pelo seu país, interna e externamente.

https://www.publico.pt/mundo/noticia/como-um-comissario-juntou-contra-si-chineses-valoes-e-homossexuais-1749821

 

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