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O mundo está cheio de trumps. De pequenos e grandes trumps. E eles, os trumps, pequenos e grandes, não são gerados espontaneamente. São fabricados em laboratórios e colocados no mercado com códigos de barras e chip’s de obediência.
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Não nos enganemos: os trumps, pequenos e grandes, são produtos made in sistema. Por mais que o sistema e eles próprios digam que não. Seja nos EUA, seja em Portugal ou em qualquer outro país deste mundo de trump.
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Os grandes trumps tornam-se bimilionários à custa dos pequenos trumps a quem as televisões de todo o mundo ordenam que vejam telenovelas, cacem pókemons e façam joguinhos de telemóveis e tablets.
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Assim, alguns dos grandes trumps têm caminho livre para caçar os votos dos pequenos trumps e tornam-se presidentes de junta, de câmara ou de um país. Como o Donald, que é o 45º presidente dos EUA.
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Donald disse aos pequenos trumps aquilo que eles queriam ouvir: os vossos empregos são ameaçados pelos emigrantes ilegais!
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E prometeu-lhes construir um muro ao longo de toda a fronteira que separa os Estados Unidos do México. Foi o que bastou para garantir-lhe o aplauso e o triunfo.
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Os pequenos trumps do planeta estão-se nas tintas para os muros que se erguem na Faixa de Gaza, no Túnel da Mancha, em Calais, ou na Hungria.
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O Trump presidente e os pequenos trumps que o escolheram são irmãos siameses. Pois muitos dos pequenos trumps sonham tornar-se em grandes trumps…
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Ambos, os grandes trumps e os pequenos trumps, são filhos dilectos de uma sociedade “uberizada”, livre de direitos e vínculos laborais (mesmo que muitos destes pequenos trumps acabem arrumados em call-centers onde são pagos a três euros à hora).
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Trump é filho de um capitalismo brutal que se serviu e agora dispensou Obama e Clinton. Ele é o herdeiro do legado de George W. Bush, que ditou a invasão do Iraque e a morte de Saddam em directo, entre outras fascistóides maldades.
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E é Símbolo Supremo de um capitalismo “de sucesso” que proclama: Não te importes com os outros. Safa-te tu, pois só assim lograrás a tua casinha, o teu carrinho, o emprego e o subsídio que garante as tuas férias em Cancun.

Comentário que sob aspecto jocoso não deixa de nos fazer pensar. Caminha a Europa para a trumpização? E Portugal para onde caminha?