Espaldão da Ervilha / Espaldão Militar / Reduto Militar / Forte da Ervilha
Convém começar por explicar o que é um espaldão. Em arquitectura militar, um espaldão é um anteparo de uma trincheira ou fortificação, que serve para proteger a artilharia e a guarnição que lá se encontra. Um espaldão pode ser feito de alvenaria, terra, sacos de areia, betão ou outros materiais.


São já inexistentes os vestígios dos muretes toscos, feitos com pedra de granito, assim como das trincheiras de terra compactada, ou da plataforma em pedra que compunham o Forte da Ervilha, mandado construir por El Rei D. Miguel, aquando do Cerco do Porto. Hoje nada mais é do que um monte de terra mal arranjada, onde crescem pinheiros e eucaliptos e silvas e algum canavial (junto ao qual passaria a ribeira da Ervilha), por onde os “motoqueiros” vão fazendo incursões e lavrando trilhos estreitos. Ainda se consegue ver parte do caminho que a “Máquina” fazia, vinda da Avenida da Boavista e percorrendo a actual Rua de Correia de Sá, e que depois seguia para Cadouços e Matosinhos. O acesso ao Monte é feito pela Rua do Professor Rodolfo de Abreu, mas também se lá chega através da entrada existente, por caminhos de terra batida, no cimo da Rua do Crasto. O que não resta do Forte da Ervilha (sobra o espaço) constituiria o único vestígio material da história heróica das Linhas do Porto, e um testemunho essencial à memória histórica da cidade, pelo que será urgente que, quem de direito, reedifique partes do forte, arranje a sua envolvente e lá coloque placas a explicar o que foi, para que serviu e porquê.


De acordo com o IGESPAR, consta na sua página, no Monte ou Lugar da Ervilha (um projecto de loteamento urbanístico entre as Ruas de Fez e do Dr. Afonso Baldaia, na zona da Ervilha, implicou a avaliação prévia do potencial arqueológico do local, tendo sido efectuadas 31 sondagens no terreno) foram feitos estudos arqueológicos numa área de 156 metros quadrados (tão pouca área para tão grande loteamento!) devido a um processo de loteamento do local, e que, pelo seu fraco interesse arqueológico os estudos foram abandonados em 1995. Durante os estudos arqueológicos foram descobertos espólios diversos bem como uma plataforma em pedra onde terá assentado uma peça de artilharia. Embora degradado era um dos poucos vestígios arquitectónicos do Cerco do Porto.

AQUI ESTARIA SITUADO O FORTE DA ERVILHA
Aqui existiu um espaldão militar, conhecido como do Porto, da Ervilha ou Forte da Ervilha, utilizado na Guerra Civil de 1828-1834 (mais conhecida como Lutas Liberais) para albergar a artilharia das Tropas de D. Miguel (a elevação já tinha sido utilizada como Linha de Defesa do Porto, em 1809, contra os franceses). Este espaldão construído com muros de pedra e valas era considerado inexpugnável, e serviu, os interesses Realistas. A sua utilização militar tinha ligação visual com outras elevações do género e concedia grande domínio sobre as forças inimigas existentes nas proximidades,
(Em cima, existiam duas pequenas grutas servindo de paiolins ou de abrigos das guarnições dos canhões ali postados – Helder Pacheco in O Forte da Ervilha – JN 2007)
tendo servido também para impedir, em conjunto com o Forte do Crasto, o desembarque de armas, homens e mantimentos, destinados aos Liberais, no Molhe de Carreiros. Este, pela parte Miguelista, atacava, em conjunto com o Forte do Castelo do Queijo, o Molhe e a zona para Norte deste, aquele atacava o Forte da Luz (que fazia a defesa das linhas Liberais). De qualquer forma, e graças ao Forte da Luz, o espaço entre este e o Castelo de São João Baptista da Foz do Douro estava seguro para os necessários desembarques na Praia da Luz ou na do Caneiro.
O Espaldão acabaria por ser tomado pela Tropas Liberais em 24 de Janeiro de 1833.
Segundo a tradição terá aqui existido anteriormente um castro pré-romano, mas, na realidade, não existem estudos científicos que o comprovem.



Lamentavelmente ninguém parece cuidar daquela área protegida (?) a que os mais velhos moradores de Paços e da Ervilha chamam de “O Monte das Alminhas” (não consegui saber a origem deste nome), que faz parte da memória da cidade e que é o último testemunho do género existente no Porto. Oficialmente não é relevante nem tem protecção legal, uma vez que o IPPAR assim o decidiu;
(Séc. 19 – Construção do reduto, por tropas Miguelistas, com o objectivo de aí instalar artilharia para fazer fogo sobre as tropas liberais, durante o cerco do Porto; Outubro de 1984, – despacho de abertura do procedimento administrativo relativo à classificação como IIP; 27 de Janeiro de 2005, – despacho de encerramento do procedimento, assinado pelo Presidente do IPPAR).

À DIREITA ESTÃO AS INSTALAÇÕES DO F. C. DA FOZ
Do lado poente do Monte (que a Norte, Nascente e Sul estão prédios de habitação) estão as instalações do Futebol Clube da Foz, clube fundado em 1 de Maio de 1934, cujo campo de jogos tem o nome de baptismo de Campo da Ervilha. Alguns dos terrenos à volta do campo foram já cedidos ao Clube pela autarquia, outros pertencem a um Sr. Fontes e estão abandonados, e outros ainda, pertencentes ao mesmo senhor, estão cultivados por diversos lavradores. O Monte, pertence à autarquia, ou seja, a todos nós.
Para quando a reabilitação deste espaço, senhor Presidente da Câmara Municipal do Porto?
O Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP) fechou o ano de 2016 com um crescimento de dormidas na ordem dos 10,7 por cento em relação a 2015, alcançando 6,8 milhões, valores próximos dos objectivos traçados para o ano de 2020.



Que grande ( em interesse e qualidade ) esta CARTA DO PORTO !
25 de Janeiro ?
– Se puder lá estarei.
Muito obrigado e um abraço.
Obrigado, meu caro João Menéres.
Lá nos encontraremos no dia 25. Até lá.
Um abraço