De uma crise a outra, dos anos de Miterrand aos anos de Hollande, da tragédia de outrora à farsa de agora. 2ª Parte: Os tempos de Lionel Jospin, tempos de vazio. Texto 2.2 – Jospin em 2002- Nem de esquerda nem de direita

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

2ª Parte: Os tempos de Lionel Jospin, tempos de vazio

 Texto 2.2 – Jospin em 2002- Nem de esquerda nem de direita

Radio France, Thomas Snégaroff 

Publicado em 8 de abril de 2016

Nem de esquerda, nem direita”… Uma aposta arriscada (em França)

Em fevereiro de 2002, Lionel Jospin afirma que o seu “projeto não é um projeto socialista”. Uma frase que lhe custará muito caro mas que se inscreve no espírito de uma terceira via que triunfou algures.

Regresso ao dia 24 de março de 1998. O jovem primeiro-ministro britânico trabalhista Tony Blair está em Paris, e teve a honra de ser convidado a pronunciar um discurso perante a Assembleia Nacional. E embora Blair se exprima em francês, o seu discurso é largamente estranho para a cultura política francesa…

“A gestão da economia não é nem de esquerda, nem direita….Ela, ou é boa ou é má”

Tony Blair, como Bill Clinton nos Estados Unidos ou como Gerhard Schröder na Alemanha, encarna esta nova geração de dirigentes do final dos anos 1990, que tentam ultrapassar a velha segmentação entre a esquerda e a direita, e abraçar uma visão pragmática dos problemas. Três jovens dirigentes, todos vindos da esquerda, inventando o que, por vezes, se chama de Terceira Via.

Em França, mesmo que o general de Gaulle tenha construído o seu discurso político acima dos partidos, este velho país permanece profundamente estruturado pela esquerda e a direita.

Basta ouvirmos as declarações de Patrick Devedjian na Assembleia Nacional, imediatamente a seguir às palavras de Tony Blair, para ficarmos convencidos:

“Eu observei que as palavras de Tony Blair foram muito mais aplaudidas pela direita do que pela esquerda”

A modernidade deste último tenta ser partilhada pelo primeiro-ministro Lionel Jospin, que gostaria de se ver bem inserido na dinâmica desta terceira forma que ganha. Ele é o convidado do Telejornal de France 2 em 21 de fevereiro de 2002 para anunciar a sua candidatura para as eleições presidenciais, afirmando:

“Eu sou um socialista de inspiração, mas o projeto que proponho ao país não é um projeto socialista. É uma síntese do que é necessário hoje. Ou seja, é a modernidade: é necessário estarmos de acordo com os tempos. Se nós nos fecharmos, se nós não evoluirmos, se não formos confrontados com os desafios da globalização, acho que seremos ultrapassados, vencidos. Mas ao mesmo tempo, essa modernidade deve ser partilhada.”

Alguns meses mais tarde, Lionel Jospin era afastado da corrida ao cargo de Presidente, ausente da segunda volta das eleições presidenciais, o que constitui uma lição que Ségolène Royal e depois François Hollande não irão esquecer , pelo menos durante a campanha. Inegavelmente ao pretender ultrapassar a clivagem esquerda-direita, Emanuel Macron está a correr um risco.

France Info: Ni de gauche, ni de droite”…Un pari risqué (en France). Texto disponível em :

http://www.francetvinfo.fr/replay-radio/histoires-d-info/ni-de-gauche-ni-de-droite-un-pari-risque-en-france_1780377.html

 

 

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