Crise da democracia, crise da política, crise da economia: o olhar de alguns analistas neoliberais – 15. Reflexões sobre a economia alemã. Uma abordagem macroeconómica. Parte 7 (conclusão): A alteração nos saldos financeiros dos setores económicos, 1950 – 2010. Por Egon Neuthinger

Seleção e tradução por Francisco Tavares, revisão de Júlio Marques Mota

Crise da democracia texto 13 analise ciclo economico

15. Reflexões sobre a economia alemã. Uma abordagem macroeconómica. Parte 7 (conclusão): A alteração nos saldos financeiros dos setores económicos, 1950 – 2010.

 

 

Por Egon Neuthinger, antigo funcionário do Ministério das Finanças da Alemanha  e colaborador em diversas instituições de investigação.

Publicado por Flassbeck-economics em 31 de agosto de 2016  flassbeck_logo

(parte 7, conclusão)

3. O desenvolvimento dos saldos financeiros nos anos de 1970 e de 1980 (continuação)

………………………………………………………………………………………………………………………………………….

Relativamente aos anos 80 recorde-se que se deu uma alteração nas estatísticas, com início nos dados dos anos 80 devido à revisão das Contas Nacionais, que afeta principalmente os setores das famílias e das empresas. Assim, a comparabilidade dos dados antes e depois dos anos 80 está dificultada e é de utilidade limitada. Deste modo, os saldos do setor das famílias foram reduzidos a favor dos do setor das empresas. A posição financeira positiva do setor das famílias diminuiu em cerca de 3% do PIB, enquanto o saldo do setor das empresas aumentou nesse valor. A análise da evolução nos anos 80 é, por conseguinte, somente útil para efeitos de comparação dentro deste período.

O excedente das famílias aumentou de algo menos de 4% no início da década para 4 ½ % no final; deste modo, o saldo deste setor foi bastante estável. Mas o défice do setor das empresas diminuiu de um saldo de quase 3% no início para um saldo praticamente de zero no final dos anos 80. E o saldo do setor público também melhorou de um défice próximo de 3% do PIB para quase zero no fim dos anos 80. Considerados no seu conjunto deu-se uma oscilação positiva nos saldos financeiros dos três setores domésticos de bem mais de 6 ½% do PIB. Escusado será dizer que o resultado desta drástica alteração foi uma melhoria do saldo da conta corrente, de um défice 2% no início para um excedente de 4 ½% do PIB no final da década. Os anos 80 foram, deste modo, para ambos os setores, o das empresas e o setor público, uma fase de significativa consolidação.

Este resultado deve ser visto no contexto da mudança de governo em 1982. Com a reviravolta política e a instalação da nova coligação negro/amarela (CDU/FDP) em 1982, foi formulada uma nova orientação na política económica. O objetivo era a libertação das forças de mercado (os mercados deveriam ser libertos de “correntes“), a estimativa de investimentos restauradas para uma base fiável e, principalmente, foram destacadas umas finanças públicas sãs. Estas medidas deveriam estabelecer uma nova confiança dos investidores e dos consumidores e dar início a um novo ciclo de crescimento. Caberia ao setor privado ser o motor fundamental do crescimento económico. A essência deste modo de pensamento económico é a visão de que as poupanças internas, o investimento, a exportação e importação de capitais são naturais e necessários e um elemento útil no aumento do bem-estar da economia mundial. Todavia, cabe mencionar, neste contexto, que de acordo com as Projeções Económicas e Planos Financeiros de Médio Prazo dos anos 80, o PIB, o investimento fixo real do setor das empresas e a procura interna deveriam ter crescido a taxas elevadas. A parte das exportações líquidas e do saldo da conta corrente deveriam diminuir de quase 4% em 1985 para 1% do PIB. Estas projeções nos anos 80 em relação à redução do excedente da conta corrente não se concretizaram.

Está bem documentada a experiência de que por detrás de alterações drásticas nas estruturas económicas estão eventos específicos e causas que conduzem a expansões ou recessões económicas abruptas ou súbitas. Porque alterações estruturais endógenas (Strukturwandel) surgem gradualmente e permanecem por períodos mais longos. Poderão ser citados diversos acontecimentos e circunstâncias para este resultado nos anos 80: as políticas orçamentais expansionistas nos EUA (o caso de Reagan) combinado com uma política monetária restritiva (o caso de Volcker) que, em conjunto, conduziram uma retoma económica cíclica e a uma significativa apreciação do dólar, aumento das taxas de juro internas, desencadeando diferenciais de juros em relação a outros países. Isto mais uma vez induziu uma enorme exportação de capitais alemães e à procura de bens alemães nos mercados dos EUA. Este direcionamento para as exportações provocado exogenamente foi reforçado pelos esforços da política económica alemã para reduzir os défices orçamentais e a dívida. Em relação ao setor das empresas deu-se, devido aos esforços de consolidação do setor público, uma redução da procura interna. Marginalmente e devido ao resultado de forças compensatórias o défice financeiro do setor das empresas reduziu-se. Juntamente com os esforços de consolidação do setor público, um forte aumento do excedente da conta corrente foi a consequência inevitável.

Frequentemente argumenta-se que num país com a população em declínio, aumento das gerações mais idosas e maior esperança de vida, resultam em consequência a exportação de capitais e a acumulação de ativos estrangeiros. Esta é a teoria inter-temporal da conta corrente [1]. Todavia, os agregados familiares não acumulam e não planeiam a acumulação conscientemente como ação coletiva. Pelo contrário, o comando causal vem de taxas de poupança mais elevadas; se estas poupanças não são investidas internamente pelas empresas ou pelo setor público cria-se uma pressão sobre os bancos e outras instituições financeiras para procurarem uma saída na exportação de capitais e nos mercados estrangeiros; este círculo acentua-se se, adicionalmente, a procura interna induzida pelos salários for fraca.

Com frequência, argumenta-se que o excedente da conta corrente alemã é atingido através de exportações líquidas autónomas do resto do mundo e, por conseguinte, é distribuído por diferentes países e regiões; eventuais efeitos negativos sobre esses países com perda de procura agregada não são, assim, de tal modo fortes ao ponto de provocarem desacelerações ou recessões. Constata-se também que a importação de bens de capital inovadores melhoram o stock doméstico de capital e o potencial de crescimento, assim como a produtividade. O excedente alemão poderia, nesses casos, ser benéfico para esses países.  Mas tais efeitos benéficos podem também surgir com excedentes alemães bastante menores ou até com uma conta corrente equilibrada.

Deste modo, se poupanças altas induzidas por motivos pessoais de poupança para assegurar rendimentos e padrões de vida mais elevados na velhice, é de esperar a ocorrência de exportação de capitais, contanto que o investimento das empresas e público permaneça baixo. Mas o saldo financeiro dos agregados familiares não apresentam uma permanente taxa de poupança alta estrutural. Deve-se também reparar na relativa estabilização dos salários e do rendimento disponível que deprimem as poupanças para permitir manter as taxas de consumo. A este respeito deve recordar-se também que em quase todos os países desenvolvidos, inclusive a UEM, o tempo de esperança de vida é elevado e, portanto, as poupanças para a velhice são também elevadas. O argumento da estrutura etária idosa para a exportação líquida de capitais é bastante fraco. Porque deve ser perguntado, e respondido, porquê outros países com idêntica situação não têm tão elevados excedentes da conta corrente como tem a Alemanha. Obviamente deve haver outras forças em jogo que provocam diferentes padrões nesses países. Por exemplo, o Japão e a China com estruturas similares apresentam, desde há anos, muito menos excedentes da conta corrente.

4. Evolução e alterações dos saldos financeiros desde os anos 1990 até ao presente

Os anos 90 apresentam, de novo, uma nova estrutura dos saldos financeiros. A principal característica desta década foi, em primeiro lugar, a constelação de mercado e o meio ambiente de política económica modulados pela unificação alemã e, em segundo lugar, as prescrições normativas e de convergência do Tratado de Maastricht, bem como as posturas políticas que os países europeus adotaram na preparação para a entrada na UEM.

A influência decisiva sobre a evolução económica na Alemanha nos anos 90 proveio da política económica, principalmente da política orçamental. A principal alteração na estrutura dos saldos financeiros é a evidente queda dos excedentes financeiros aplicados em planos poupança reforma (rsp, retirement savings plan), de aquisição líquida de ativos financeiros das famílias de uma média de 4 ¾ % do PIB nos anos 80 para 3 ¾ % nos anos 90. A alteração ocorrida reflete o efeito da, já iniciada nos anos 90, moderação salarial e do baixo aumento de rendimento disponível. Após aumentos de salários mais fortes nos primeiros anos da unificação, a distribuição do rendimento alterou-se depois gradualmente a favor dos rendimentos das empresas. Em virtude do declínio dos rendimentos a taxa de poupança das famílias reduziu-se a fim de manter as despesas de consumo (alisamento do consumo). Em comparação com as décadas precedentes a acumulação de ativos financeiros pelas famílias mostrou-se mais lenta que o ritmo de crescimento do PIB. Os saldos do setor das empresas foram negativos em torno de 1% do PIB.  Apesar disto o rácio de auto-financiamento, que já tinha melhorado nos anos 80 (cash flow =lucros retidos, depreciação e transferências líquidas de capital = meios financeiros próprios relativamente ao investimento das empresas) aumentou de 65% em 1991 para 84% em 2000; deste modo, as empresas reduziram novamente os investimentos fixos relativamente aos meios financeiros de que dispunham. Poder-se-ia estar perante a praga da viúva de Keynes (uma inesgotável fonte de abastecimento) [2] em sentido negativo. Este padrão está em flagrante contraste com períodos anteriores, nos quais os investimentos fixos também eram limitados mas em consequência de um maior endividamento do setor das empresas. As empresas alemãs preferiram crescentemente a aquisição líquida de ativos financeiros em vez de investimentos de capital fixo. Aparentemente o setor das empresas no seu todo, desde há algum tempo, julga não muito promissoras a utilização da capacidade disponível e as perspetivas de procura.

A consequência desta evolução – a redução da acumulação dos ativos financeiros das famílias e a ligeiramente negativa posição financeira do setor das empresas – foi que o excedente financeiro do setor privado no seu conjunto se reduziu para um valor de 2 ½ % do PIB, contra um excedente de 4 % nos anos 80. Deste modo, em questão estiveram forças de sentido oposto no saldo do setor privado dos anos 90: a deterioração do saldo do setor das famílias mas uma percentagem de participação do setor das empresas que se manteve quase constante. Pode-se falar de fortes alterações na estrutura dos saldos financeiros refletindo diferentes padrões de despesas e receitas dos setores da economia. A contrapartida da procura e das aquisições de ativos do setor privado foi o setor público. Enquanto o défice financeiro na segunda metade dos anos 80 tinha decaído um pouco, nos anos 90 ele aumentou significativamente para mais de 3 % do PIB, uma postura definitivamente expansionista. Os saldos domésticos mostram, por conseguinte, uma crescente absorção e, assim, uma alteração substancial na conta corrente que passou para um défice perto de 1 % do PIB em média, continuadamente até 2001. A evolução nos anos 90 comprovam, uma vez mais, que os efeitos políticos têm um impacto significativo na economia e suas despesas e receitas e nos saldos: a conta corrente da balança de pagamentos.

A primeira década do novo século, com o início da UEM, apresenta, de novo, uma renovada alteração na constelação de mercado, nas políticas económicas e nos saldos setoriais, sendo o aspeto dominante, claro, o ressurgimento de um saldo positivo da conta corrente para perto de 6 % no final da década. As causas desta evolução são os efeitos da UEM na economia alemã, mas mais especificamente as políticas económicas, nomeadamente a agenda 2010 aplicada em 2003 com a subsequente transição de uma postura da política orçamental ainda bastante expansionista para uma posição gradualmente neutral, interrompida por nova viragem expansionista na Grande Recessão de 2009/010, e depois novamente o regresso a orçamentos equilibrados, o que na prática conduz finalmente a excedentes no saldo financeiro do setor público. A agenda 2010 visava reformas estruturais no mercado de trabalho (Hartz-Laws), bem como a redução e racionalização das despesas públicas, nomeadamente as despesas sociais mas também as de investimento com o objetivo de diminuir o défice orçamental. O outro importante pilar foi a continuação da política salarial restritiva com o objetivo de fortalecer a competitividade internacional (coteje com o chamado “debate de localização“ – Standort Debatte [3] – nos anos 90). O resultado foi uma redução do défice financeiro do setor público desde meados da década até quase atingir zero em 2007 e 2008, e depois – em virtude da crise financeira – a viragem expansionista em 2009/10 para uns –3 ½ do PIB. Depois novamente um orçamento equilibrado em 2013 e excedentes em 2014 (0.3%) e 2015 (0.5%). As mais recentes previsões para 2016 estimam um orçamento equilibrado do setor público, particularmente devido a despesas mais elevadas para ocorrer ao elevado número de refugiados. Esta tendência para “orçamentos consolidados” foi acompanhada de uma “tremenda “ melhoria do saldo do setor privado; os setores privados aumentaram drasticamente as suas aquisições de ativos financeiros líquidos (NAFA) que, em conjunto, atingiram excedentes de quase 4 ½ % na primeira metade da década 2000-2010 e até 7 ½ a  8% na segunda metade. O efeito na procura foi uma acentuada redução da absorção principalmente na segunda metade da década. A contrapartida desta evolução foi que os défices da conta corrente dos anos 90 passaram, primeiro gradualmente, mas depois dramaticamente, para uma explosão de excedentes na conta corrente, em média de quase 6 % do PIB na segunda metade da primeira década após 2000.

O anteriormente exposto contém indicações e argumentos esmagadores sobre interdependências que mostram que as preferências e decisões do setor privado e as respetivas condições de mercado são fatores determinantes para o consumo e os investimentos; para as famílias os fatores determinantes são o rendimento disponível, o desempenho dos ativos financeiros adquiridos, a procura na construção e, claro, a situação de emprego e desemprego e as preferências na transmissão para herdeiros e dependentes de ativos financeiros e fixos. Para o setor das empresas os fatores considerados são a utilização da capacidade, as expetativas de vendas e lucros, o acréscimo estimado de stock de capital, a qualidade e competência dos seus empregados e, realmente, a avaliação da adequação da política económica num mundo no qual as ações e decisões empresariais têm de ser tomadas e delimitadas de acordo com as expetativas e confiança a longo prazo (Keynes). Todavia, confiança assente somente em finanças públicas sãs e no cumprimento de normas e disposições institucionais (pacta servanda sunt – os contratos assinados devem ser cumpridos) é uma visão irrealista dos processos económicos.

Neste sentido, a relutância e reserva do setor alemão das empresas, no seu conjunto, para se comprometer com um passo mais forte de investimentos fixos é um indicador de que o setor empresarial tem uma visão céptica em relação às expetativas de vendas e à expansão do stock de capital, num meio ambiente no qual a futura Eficiência Marginal do Capital (MEC) não é muito promissora, apesar dos atuais elevados e satisfatórios lucros e rendimentos da propriedade. Se o Conselho Alemão de Peritos Económicos, no seu relatório de 2014/015 define o comportamento de moderado investimento existente como sendo uma “fase de consolidação” que se seguiu a um período difícil para as empresas, deve ser recordado, neste contexto, que esta fase teve início já no final dos anos 70. Não é, por conseguinte, infundado admitir que possa haver uma diferença entre as perspetivas do setor das empresas de exportação e as das empresas orientadas para o mercado interno. É isto um indicador de que o país poderá estar a enfrentar um estado de “penúria de investimento”? No âmbito destas considerações surge a questão de como deve ser avaliado e determinado o investimento. Geralmente a resposta é que o investimento tem de se adequar relativamente à procura agregada. O investimento deverá ser o suficiente para criar suficiente stock de capital stock e potencial de produção. Deste modo, claro, o próprio investimento cria procura sobre os fatores de produção. O investimento tem, por conseguinte, efeitos sobre o rendimento bem como os multiplicadores e aceleradores. O resultado é a identificação de determinadas necessidades de investimento das empresas e do setor público. As considerações anteriores mostraram, no entanto, dois outros critérios. O primeiro resulta das interdependências das variáveis macroeconómicas, nomeadamente se os investimentos realizados têm envergadura para absorverem as poupanças dos agregados familiares. Aqui na linha dianteira está o setor das empresas. Se o setor das empresas absorve as poupanças das famílias então os saldos do setor público e do setor externo poderiam ser ambos de zero. O segundo critério pode ancorar-se e ligar-se à relação de recursos e/ou poupanças do setor das empresas destinados a despesas de investimento, ou seja, se o setor das empresas atinge excedentes financeiros tal como sucedeu durante alguns anos: todos estes três critérios têm de ser considerados e levados em linha de conta.

A primeira metade da nova década após 2010 caracteriza-se por uma ainda mais baixa absorção: o setor privado conseguiu um excedente financeiro, em média, de 7 ½ % do PIB, uma quota idêntica à que já atingira no período de 2005-2009. Uma cifra particularmente elevada de 9 ½ % teve lugar nos anos 2009/010, em média, que estava profundamente afetada pela Grande Recessão. Deste modo, os agregados familiares reduziram ligeiramente o seu excedente enquanto que o setor das empresas aumentou o seu saldo positivo em 2 ½ % na média da metade de década.  O setor público que ainda tinha absorvido défices financeiros de 2 ½ % do PIB nos anos 2010/2011 atingiu ligeiros excedentes no período 2012-2014.

Em conclusão: a evolução desde meados da década 2000-2010 até ao presente mostra-se como uma imagem única da estrutura da economia alemã que, deve reiterar-se, é singular entre as economias ocidentais mais desenvolvidas. A análise das alterações e da estrutura dos saldos financeiros desde os anos 50 até ao presente realçam, provavelmente mais que em outras abordagens e métodos de análise, úteis conhecimentos a respeito dos mecanismos de funcionamento de uma economia de mercado e de como pode deslizar para desequilíbrios internos e externos. Permite também a avaliação de que existe uma rota de evolução quase “teleológica” em direção ao presente estado da economia que apresenta como característica marcante o impressionante elevado excedente da conta corrente. O fator mais evidente é o gradual e forte declínio do tradicional défice financeiro do setor das empresas desde o final dos anos 70 e a sua conversão num excedente, até agora duradouro, que teve início no começo do novo século e no arranque da UEM. O rácio de auto-financiamento do setor empresarial, que anteriormente oscilava á volta de 60-70 % evoluiu para mais de 100%. O saldo do setor dos agregados familiares permaneceu, pelo contrário, bastante estável apesar de oscilações temporárias para cima e para baixo. O setor público atuou, na maior parte do tempo, como uma variável de política mais ou menos instrumental com valores oscilantes durante longos períodos. Desde a propagação e a atual postura em relação aos orçamentos equilibrados e até excedentários, esta perspetiva do setor público é uma nova característica no funcionamento das forças económicas com consequências para os mercados privados. Os resultados são, é claro, os excedentes da conta corrente. Ao longo das décadas não constituíram uma tendência mas desde há mais de uma década isso alterou-se e constitui uma nova característica da economia alemã.

 

Texto original em http://www.flassbeck-economics.com/reflections-on-the-german-economy-a-macroeconomic-approach-part-7-the-change-in-the-financial-balances-of-the-economic-sectors-1950-2010-by-egon-neuthinger/

NOTAS

[1] N.T. A abordagem intertemporal considera o saldo da conta corrente como sendo o resultado de decisões dinâmicas de poupança e investimento orientadas para o futuro. (Maurice Obstfeld, Kenneth Rogoff, in  http://www.nber.org/papers/w4893

[2] N.T. A expressão “praga da viúva” [widows cruse] foi utilizada pela primeira vez em economia por John Maynard Keynes (1930, p. 139) na apresentação das suas equações fundamentais. Keynes defendia que os proveitos macroeconómicos das empresas, como as definia então, ou aquilo que hoje designaríamos por  “lucros acumulados das empresas”, subiam univocamente com aumentos em consumo com base nos lucros. Deste modo Keynes defendia que  “por muito que os empresários gastassem dos seus lucros em consumo, o acréscimo de riqueza proveniente dos empresários permanece a mesma como anteriormente. Assim, os lucros, enquanto fonte de incremento do capital dos empresários, são uma praga da viúva, “widow’s cruse”, que permanece inesgotável por mais que os empresários se dediquem a uma vida dissoluta” (p. 139). Keynes fazia assim referência à história do Antigo Testamento (Livro dos Reis 17) na qual se garantia a uma viúva que o seu recipiente de carne e o seu pote de azeite nunca se esgotariam. In http://www.encyclopedia.com/social-sciences/applied-and-social-sciences-magazines/widows-cruse

 

[3] N.T. Vd. por exemplo “Standort Deutschland – is Germany losing its appeal as an international manufacturing location?” de Heinz Josef Tüselman, em http://www.emeraldinsight.com/doi/abs/10.1108/09555349510096117

 

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