À MESA – OS BONS PETISCOS DA CASA PINTO – por Soares Novais

 

 

 

O cronista regressa à crónica gastronómica para tornar público que, na “Invicta”, ainda é possível comer petiscos “à  portuguesa”. Tudo por boa culpa de alguns (poucos) resistentes. É o caso da Casa Pinto (Avenida Fernão de Magalhães, 916) onde a dona Maria da Conceição confecciona rojões, papas de sarrabulho, bucho, iscas de bacalhau, fígado de cebolada, orelheira e pataniscas que nos levam de reencontro aos sabores dos pratos feitos pelas nossas mães e avós.

A Casa Pinto fica num edifício que faz gaveto entre a Avenida de Fernão de Magalhães, o duriense de Sabrosa que protagonizou, entre 1519 e 1522, a primeira viagem de circum-navegação, e a Rua de Câmara Pestana, o notável médico higienista, nascido no Funchal (1863) e licenciado em Lisboa, que morreu aos 36 anos (1899) vitimado pela epidemia da peste que combatia na cidade do Porto.

Com escassos 70 metros quadrados, divididos entre o rés-do-chão e a cave, que funciona apenas como espaço de apoio, a Casa Pinto tem uma pequena sala de refeições com 10 mesas e um balcão. É ali que Jorge Laginhas, filho de dona Maria da Conceição, nos serve as preciosidades de que já falei ao abrir da crónica. Há também excelentes sandes presunto ou deliciosos filetes de polvo. Para aqui deixar mais dois exemplos dos petiscos que se podem petiscar nesta pequena-grande-casa.

A cozinha da Casa Pinto, pelas razões apontadas, é minúscula. Mas isso não impede dona Maria da Conceição de fazer verdadeiras obras-primas. As que já aqui citei e aquelas que protagoniza em “pratos do dia”, entre segunda e sexta-feira de casa semana. “Bacalhau à Braga”, “Pernil Assado no Forno”, “Feijoada à Trasmontana” e, claro, as  “Tripas à Moda do Porto”, às quartas-feiras, são alguns deles. Agora que o Inverno está aí à porta e é aconselhável o consumo de pratos quentes e fortes que nos aconcheguem o corpo e a alma. Acompanhados por vinho a copo ou um  “espadal”  de estalo.

Fundada em 1986, a Casa Pinto já esteve para encerrar. O marido de dona Maria da Conceição faleceu em 2007 e a mãe de Laginhas,  farta de uma vida inteira a lidar com tachos e panelas, comunicou-lhe tal decisão em 2015. Jorge Laginhas, que em miúdo serviu às mesas da Casa, torceu o nariz, abandonou as suas funções no “marketing” de uma empresa de mobiliário de Rebordosa, fez pequenas obras de remodelação, e mantém a Casa aberta.

Para bem dos amantes da boa comida portuguesa. Daqueles que gostam do petisco e do copo de vinho. Pois esse é o conceito que Laginhas quer fazer vingar numa Casa situada numa via pejada de casas de “comes e bebes” e que já não tem a vida intensa de outros tempos. A Casa Pinto encerra às 20 horas, não serve jantares, e domingos e “feriados” são dias de descanso.

O preço médio de uma petiscada ou de um “prato do dia”, que inclui pão, sopa e vinho, não ultrapassa os 5,50 euros, Uma ninharia se se tiver em linha de conta a excelência dos produtos que a Casa Pinto serve.

 

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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