Homenagem ao Carlos Tenreiro, uma série de textos sobre questões de macroeconomia e de alta finança. Introdução, por Júlio Marques Mota

Carlos Tenreiro grupo

1980-81 (Carlos Tenreiro, 1ª fila, primeiro à direita)

Um amigo e meu antigo aluno morreu, Carlos Tenreiro.

Foi um dos alunos que não poderei nunca esquecer, um dos muito poucos alunos que ao longo de 30 anos obtiveram a classificação por mim atribuída de 18 valores. Foram raros e a classificação obtida nessa altura significava mesmo muito. À distância, e como está o ensino hoje, mais parece que me estou a referir ao tempo em que as galinhas falavam, mas não, estou a referir-me a um tempo ainda bem próximo, em que os docentes estavam nas Faculdades sobretudo para ensinar e os discentes sobretudo para aprender.

Carlos Tenreiro, um estudante de excecional maturidade emocional, de rara cultura, de rara sensibilidade e de alta capacidade pedagógica para transmitir o que sabia e até muitas vezes a gerar nos estudantes uma apetência por aquilo que ele mesmo ainda não sabia, mas que faria parte da sua trajetória de conhecimentos a desenvolver. Era assim o Carlos Tenreiro.

Hoje, vivemos um tempo de esquecimentos. Se é tempo de esquecimento para uns, para muitos talvez, não o é para outros e eu faço parte deste último grupo, o dos outros. Daí esta minha homenagem singela a um aluno e professor exemplar, editando uma série de textos sobre temas que estiveram sempre ou presentes nas matérias que lecionava ou presentes nas suas inquietações intelectuais.

Mas um homem é também o produto das circunstâncias, disse-nos Marx, e portanto, com esta homenagem singela não devo deixar também de saudar a geração de estudantes que com ele conviveram, com ele estudaram, com ele discutiram e que com ele fizeram as circunstâncias que o levaram a ser o que foi, primeiramente um estudante notável e, depois, um grande professor. Daí a utilização da fotografia de grupo como símbolo do que acabo de afirmar e ao ter conhecimento dela, hoje, reconheci quase todos os rostos que nela constam. Outros tempos, outros afetos também.

Júlio Marques Mota

Coimbra, 24 de Abril de 2018

Os textos que compõem a presente série são os seguintes:

  1. Em forma de conclusão e como homenagem ao Carlos Tenreiro, por Júlio Mota
  2. “Erros da política monetária” do FED – um ponto de vista do outro lado do Atlântico, por John Mauldin
  3. A rotação da mente entorpecida de Peter Navarro, por Lance Roberts
  4. Onde é que vamos arranjar o dinheiro? por John Mauldin
  5. Rachas, por Doug Noland
  6. Ninguém pensa que isto possa voltar a acontecer, por Doug Noland
  7. Não haverá nenhum boom económico (parte I e II), por Lance Roberts
  8. DERIVADOS – uma receita para o desastre e para o colapso sistémico, por Egon Greyerz
  9. Sheila Bair vê as sementes de outra crise financeira, por Reshma Kapadia
  10. Estado de confusão em torno da inflação, por John Mauldin
  11. Não há uma única boa razão para desregulamentar os bancos agora, por Jordan Weissmann
  12. Declaração e duas intervenções do senador Sherrod Brown sobre o projeto de lei de reversão da lei Dodd-Frank
  13. A posição de Sarah Bloom Raskin sobre o projeto de lei S 2155
  14. A vingança dos bancos com direitos de nome de estádio, por David Dayen
  15. Os Democratas do Senado ajudam a avançar um projeto de lei que poderá aumentar o risco de crise financeira, por Igor Bobic e Arthur Delaney
  16. Este é o ponto de viragem, por Tyler Durden
  17. A Senadora Elizabeth Warren Discute o Impacto Negativo do projeto de Lei de Desregulamentação Bancária sobre os Consumidores Americanos

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