UMA CARTA DO PORTO – Por José Fernando Magalhães (257)

 

“A Pequenina Caça-níqueis”

 

Na estação de São Bento, mesmo junto aos cais dos comboios, do lado direito de quem entra, os visitantes, portuenses ou turistas, poderão subir a bordo de um comboio, numa viagem a vapor, transportando-se até a um passado longínquo, e admirar a arte da serralharia e da mecânica nacionais, acompanhando o funcionamento da máquina; os rodados, os êmbolos e os cilindros. Vão ficar perplexos, tentando perceber, o movimento minucioso de cada uma das peças deste “brinquedo”.

Na verdade é mais do que um brinquedo, que foi acabado de construir nas Oficinas de Campanhã em 1940, mesmo a tempo da Exposição do Mundo Português. É um hino à qualidade técnica dos trabalhadores das Oficinas e, em especial, ao operário serralheiro José Nunes de Magalhães que, em 1930, decidiu construir uma cópia “fiel” da locomotiva que circulava na linha do Minho e Douro. E, se bem o decidiu, melhor o concretizou. Durante anos, em sua casa, começou a desenvolver aquela que seria a única réplica do modelo MD-2250, existente no país. A dada altura, por dificuldades económicas, viu-se obrigado a parar a construção. Estávamos em 1939. A peça foi então transferida para as oficinas da CP, em Campanhã, onde foi acabada, sempre sob a supervisão de José Magalhães.

Propriedade do Grupo Desportivo dos Ferroviários de Campanhã, esteve exposta em São Bento, numa primeira fase, entre 1945 e 2016. Retirada para arranjo e manutenção, voltou em meados deste ano, Junho de 2018, sendo colocada desta feita, em local com muito maior dignidade e visibilidade.

 

ANTIGO EXPOSITOR – 1945/2016
FOT. DO GDFC

 

ACTUAL EXPOSITOR

 

Especificações da Miniatura

Locomotiva a vapor, modelo da série ” CP MD 2251 – 2265 ”  (vulgarmente designada por MD – 2250)

    Fabrico e Ano: “Anton BORSIG” com fábrica em Berlim, Alemanha, 1904 a 1926

    Escala: 1:10

    Construtor da réplica e Ano: Oficinas Gerais da CP, Porto – Campanhã, 1940

    Materiais predominantes utilizados: Ferro, aço, bronze, latão, etc.

 

 

OFICINAS DE CAMPANHÃ – 1960

.

.

.

 

Sobre o GRUPO DESPORTIVO DOS FERROVIÁRIOS DE CAMPANHÃ

 

GDFC

 

SALA DE TROFÉUS DO GDFC

 

Fundado em 1930, o Grupo Desportivo dos Ferroviários de Campanhã teve a sua primeira sede social nas Oficinas Gerais dos Caminhos de Ferro do Estado – Direcção do Minho e Douro, mais tarde denominadas Oficinas Gerais da CP, que estavam localizadas na parte norte do terreno contíguo à estação de Porto – Campanhã.

A partir de 1932, e com a chegada do Engº Sousa Pires às Oficinas de Campanhã, o Grupo Desportivo cresceu. De um clube com uma escola de ginástica e uma pequena actividade no futebol, passou a ter secções nas modalidades de andebol (de onze e de sete), atletismo, basquetebol, pesca, ténis de mesa e voleibol, passando a ter um parque de jogos próprio, com campos de futebol, de basquetebol e de andebol.

O Grupo Desportivo tornou-se em pouco tempo numa referência Nacional e Internacional nos campeonatos federados e corporativos, em especial nas modalidades de basquetebol e de andebol de onze, escrevendo páginas de honra e glória para os ferroviários de Campanhã, chegando mesmo a fornecer atletas para as selecções nacionais de andebol e de basquetebol, dos quais, Abílio Serafim, António Mário e Pires são as principais glórias. As mais de seis centenas de taças, e de outras centenas de troféus, peças de cerâmica, galhardetes e medalhas exposta na sala de troféus do clube, são disso prova evidente.

Em 1990, as grandes transformações operadas na área adjacente à estação de Campanhã, com a construção da Via de Cintura Interna (VCI) do Porto que implicaram a demolição da sede social e do complexo desportivo, provocaram a mudança de instalações.

Longe das glórias passadas e da importância social que teve durante décadas, tanto para os ferroviários e seus familiares como para a população de Campanhã em geral, que se manifestava através da prática desportiva e do convívio, o clube funciona hoje no Complexo Oficinal de Guifões, e movimenta-se em campeonatos da Fundação Inatel, da Ferrofer e da Associação de Cicloturismo do Norte.

.

.

.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

11 Comments

  1. Acuso a boa receção da Carta do Porto de José de Magalhães que partilha connosco os seus instantes/momentos rebeldes neste espaço de que gosto muito. Mais uma vez fiquei a conhecer um pedacinho do passado factual portuense, e que vai enriquecendo a História de Portugal. Gostei, muito!…

  2. Só recentemente vi que tinha sido recolocada esta excelente réplica da MD 2250! Conheci o anterior expositor, o actual é mais completo, a leitura do descritivo é importante, pena não ter mais realce. Sou descendente de ferroviários. o meu bisavô foi um dos primeiros maquinistas de nacionalidade portuguesa, dizia meu Pai que teria sido o primeiro, já^tentei confirmar mas ainda não consegui, o meu Avô estava colocado como Chefe de Estação em Caminha quando faleceu e, meu Pai(nasceu na Estação de Lanhelas) terminou a carreira com a categoria de chefe de 1ª. em 1970, precisamente na Estação de S. Bento.
    Cumprimentos

Leave a Reply