UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (260)

 

AS ÁRVORES DA MINHA CIDADE

Já em Maio de 2015 escrevia eu nesta coluna, que deveríamos ter “uma árvore em cada rua“, quase dois anos depois de ter escrito que o Porto ombreava com qualquer cidade europeia na quantidade e qualidade da sua massa arbórea. Tínhamos, nesses tempos idos, “cerca de 17 metros quadrados de área verde por cada habitante“. E hoje?, não consegui encontrar elementos actualizados.

No Porto havia, em 2015, 237 árvores (238 em 2018), maciços e alamedas classificadas (mais um dos motivos do enorme orgulho que temos pela nossa cidade), distribuídas por 7 espécies – palmeiras, araucárias, tulipeiros, metrosíderos, plátanos, e mais outras duas de que não consegui saber o nome – sendo que 181 se situavam no Porto Ocidental, no Passeio Alegre e na Avenida de Montevideu (Foz do Douro e Nevogilde).

Existindo, na Àrea Metropolitana do Porto, um projecto em execução, para “100 mil árvores para uma floresta Portuguesa”, em que pé estamos nesta altura? A C.M.Porto diz que até final deste ano terão, ao abrigo deste programa, sido plantadas mais de 106 mil árvores.

E em que pé está o o projecto “Florestas Urbanas Nativas do Porto (FUN Porto)” que prevê a plantação de 10 mil árvores na cidade e de que dizem ter já plantado mais de 1300? E o projecto “Se tem um jardim, temos uma árvore para si” de que informam terem já sido entregues quase 6 mil árvores?

Será que se nota algum aumento substancial do número de árvores aqui no burgo?

Na verdade, por toda a cidade se vêm árvores, algumas centenárias, as mais das vezes mostrando saúde, a serem abatidas sem aparente razão, e sem que outras lá sejam colocadas. Por toda a cidade se vêm locais onde facilmente uma ou mais árvores poderiam ser plantadas, mas que continuam, sem sequer uma relvita ou um arbustito. E bem que a cidade ficava muito mais aprazível se lá fossem plantadas algumas dessas plantas.

Vem isto a propósito da razia que estão a fazer na Avenida da Boavista, com a desculpa de terem de arranjar o pavimento para os automóveis.

Terão sido abatidas várias dezenas de árvores.

 

Muitas destas árvores existiam há várias décadas, e faziam parte do património vivo da cidade. As árvores pareciam apresentar cor, folhagem e troncos saudáveis (assim me dizem alguns, que se dizem entendidos na matéria). 

Na minha opinião, não se justifica o abate de árvores a não ser que exista o perigo iminente de queda, por apresentarem sinais de graves fragilidades, ou por apresentem riscos para pessoas e bens. Também o aceito, se estiverem eminentes obras de requalificação, desde que seja, dentro do possível, reposta criteriosamente a massa arbórea entretanto abatida. A escolha correcta da espécie da nova árvore é essencial para uma maior duração da mesma no espaço público.

Não me parece que seja este o caso. A repavimentação da avenida em quase nada implica o abate de tantas árvores. Só meia dúzia delas apresentavam problemas com raízes à superfície.

Poucas sobraram entretanto, e as que falta abater pouco tempo esperarão de pé. Esperemos, no entanto, para ver se lá vão ser repostas árvores e de que espécie, conforme diz a C.M.Porto que vai fazer.

Sem, ou com menos, árvores, os níveis de poluição atmosférica e o nível de ruído que temos aumentará enormemente. Todos saímos prejudicados a bem de, eventualmente, mais aparcamento e maior espaço para os automóveis.  É um atentado urbano para o qual não vejo justificação.

.


SÃO PEDRO DE RATES

Não é a primeira vez que escrevo sobre esta freguesia do concelho da Póvoa do Varzim, nem, por certo, será a última. Também não é a primeira vez que publico fotografias sobre a sua zona histórica.

Desta vez, para além de mostrar mais algumas fotografias da Igreja Românica, falo do V Colóquio Internacional dos Caminhos de Santiago que aqui se realizou nos passados dias 16 e 17.

Por lá passaram palestrantes de cinco países; Portugal, Espanha, França, Itália e Brasil:

Dr. António Céspedes Mimbreiro – Presidente Asociacion Vilae Naevae – Caminho Jacobeo de la Fronteira, Sevilla

Professor Doutor Arlindo de Magalhães – Universidade Católica Portuguesa, Porto

Doutor Carlos Madaleno – Câmara Municipal da Covilhã

Doutora Deolinda Carneiro – Directora do Museu Municipal da Póvoa do Varzim

Doutora Estefania Lopez Salas – Universidade da Corunha

Doutora Fátima Matos Silva – Universidade Portucalense, Porto

Professor Doutor Ferdinando Maurici – Museu do Paláciod’Aumale, Palermo

Doutor Francisco Singul – S.A. de Xestion do Plan Xacobeo , Santiago de Compostela

Doutora Isabel Jorge Borges – Universidade Portucalense, Porto

Dr. Jean Claude Benazet – autor do hino ULTREIA – França

Professor Doutor José Augusto Maia Marques – Universidade da Maia

Professor Doutor José Ramon Izquerdo Perrin – Universidade da Corunha

Professor Doutor José Ramon Soraluce – Universidade da Corunha

Dr. José Valle de Figueiredo – Poeta, Ensaísta, Director do Centro de Estudos Tomaz Ribeiro, Tondela

Dr. Manuel Costa – Director da Biblioteca Municipal da Póvoa do Varzim

Doutor Manuel Garrido Ribero – S.A. Xestion do Camiño, Santiago de Compostela

Dr. Nivaldo Nepomuceno Sobrinho – Associação dos Amigos do Caminho de Santiago – Brasil

Dr. Paulo Sá Machado – Comissário Geral dos Colóquios Internacionais

Professora Doutora Rosa Mendez Fonte – Investigadora, Vereadora de Património Histórico no Concello de Ferrol

O subtema deste colóquio, “Os Caminhos do Mar”, provocou, para além de palestras sobre eles, conversas sobre os novos caminhos, em especial o “Caminho da Costa Portuguesa”.

Para 2019, está já escolhido o tema do VI Colóquio, “Gastronomia”.

Até lá!

.

.

.

 

.

.

.

 

About José Fernando Magalhães

Escrevo e fotografo pelo imenso prazer que daí tiro

3 comments

  1. Pingback: UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (260) | joanvergall

  2. Paulo Sá Machado

    Muito obrigado, Caro Amigo, pelas referências ao V Colóquio Internacional dos Caminhos de Santiago. Tudo fizemos para que corresse bem. Tentámos. Cumprimos. Para o ano Há mais. Um abraço. Paulo Sá Machado. Comissário Geral dos Colóquios Internacionais.

    Gostar

  3. Tanto na Av. Antunes Guimarães, como na da Boavista, houve árvores que caíram com o vento, na verdade.
    E o pavimento, numa e noutra, está na verdade muito deteriorado. Os solavancos são constantes.

    Um abraço.

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: