A EXPLICAÇÃO É CULTURAL? – II por Luísa Lobão Moniz

Na primeira década do século XXI rapazes e raparigas generosamente adoptam animais maltratados e devolvem-lhes a saúde e o bem-estar, dão-lhes nomes de pessoas, falam com eles como se fossem crianças traquinas…passam a vida a ir ao veterinário (ainda bem). Adoram mostrar aos amigos as gracinhas dos seus cães.

É por falta de dinheiro que não querem ter filhos?

Serão imaturos emocionalmente? Porque têm medo da responsabilidade, porque recusam o contacto emocional com o outro ?

O que fizemos, o que transmitimos depois da Revolução de Abril?

É preocupante? Por onde andam as emoções, os sentimentos interpessoais? Estamos a desejar uma sociedade onde o trabalho comanda a vida, onde não há tempo senão para as novas tecnologias, para o outro virtual?

Já esquecemos quantos e quantas morreram, foram torturados para que a liberdade fosse um valor que estivesse sempre presente e nunca posto em causa?

Já nos esquecemos do que é a dignidade humana?

Ninguém tem poder para decidir a morte ou o desgosto “eterno” de ter visto um homem a assassinar uma mulher indefesa, medrosa, submissa…quantas vezes tendo como testemunha os seus próprios filhos.

O mundo dos duelos já acabou e, mesmo assim, era de igual para igual, usavam as mesmas armas, eram do mesmo género, melhor dito, eram sempre homens, as mulheres não tinham honra para defender.

Nascemos e morremos todos da mesma maneira, mas o intervalo chamado vida deixa crescer, à medida que convém à sociedade, os pequenos ou grandes poderes nas mãos de quem se sente, apoiado em leis, com mais poder por ser macho, rico, influenciável socialmente, numa sociedade injusta que divide para reinar criando, ela própria, as circunstâncias para que o lado mais “selvagem” do ser humano se revele.

A crença cultural de que os pais podem e devem bater nos filhos para os educar, a dependência do álcool, o não conseguir gerir as frustrações, o saber que socialmente a violência contra as mulheres não tem sanção pedagógica criam as circunstâncias para que haja violência dentro das famílias. As vítimas desta violência, os que não têm voz nem poder são quase sempre a mulher, a criança, o idoso, quando, por acaso, é outro homem a vítima é porque os machos lutam pela posse da mulher.

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