A AMÉRICA LATINA SOB O FOGO DO NEOLIBERALISMO, SOB A PRESSÃO DA AUSTERIDADE – uma nova série – a introdução de JÚLIO MARQUES MOTA

 

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Meus caros

Dado que toda a América latina está sob o fogo do descontentamento popular decidimos com urgência editar uma pequena série de textos  sobre as razões de fundo que estão por detrás do descontentamento popular que vai desde a Argentina à Venezuela

Nesta série tomamos como principais fontes os grandes media ocidentais, Financial Times, New York Times, Wall Street Journal.

Um tronco comum atravessa todos estes países: a aplicação de politicas de austeridade, monetária e orçamental, a flexibilização dos mercados, sobretudo financeiro, monetário e do trabalho, o alargamento das  desigualdades, e mais do que isso,  um chavão que o próprio António Costa e  Mario Centeno também assumem para Portugal: a ideia imposta pelos mercados de que a austeridade pode ser expansionista. É esta ideia que esteve na base da mistificação feita pelo FMI quanto aos efeitos das politicas de consolidação orçamental (nome mais elegante que austeridade). É esta ideia que esteve (esteve? ou ainda está?) na base  na base das politicas orçamentais impostas pela Troika e depois inscritas pela força dos tratados europeus  na base das politicas atualmente seguidas na Europa, com o argumento de que com elas se pode ter crescimento, ou na versão mais suave de António Costa e Centeno, com a ideia de que se pode conviver em austeridade  e ter crescimento.

É pois a política liberal em toda a sua força que tem vindo a ser aplicada na América Latina que está a ser posta em questão e é contra ela que as populações vêm para a rua, demonstrando-se que a globalização feliz de que falam os neoliberais se mostra ser para muitos milhões uma globalização infeliz.  .

O primeiro texto apresentado, O Chile ameaça a Venezuela com bloqueio de crise, editado pelo  Financial Times em  14 de Outubro de 2019, fala-nos do que se passa atualmente no Chile, no país governado por um dos homens  que mais se opõe a Maduro e que é um  acérrimo apoiante de Juan Gaidó, o milionário  Sebastián Piñera. A ferocidade de Sebastián Piñera contra o governo de Caracas é tal   que o seu governo considera que os “próximos passos lógicos” contra Maduro incluem bloquear as comunicações e o acesso ao país por via aérea e marítima. É pois um texto elucidativo sobre quem agora dirige um país a viver sob o recolher obrigatório e que tem as suas tropas na rua. Os textos da série abordarão também o que se passa no Equador, no Peru e na Argentina.

Por confronto com o que se passa nestes países da América do Sul, editaremos um texto sobre o que se passa nos Estados Unidos quanto ao sentimento que atravessa grande parte da classe média nos Estados Unidos.  Um texto editado pelo New York Times intitulado A crise da classe média: Um olhar sobre 4 orçamentos familiares, publicado a 3 de Outubro de 2019. Um texto elucidativo, igualmente sobre a pressão que é feita sobre a maioria da população que se situa na escala dos 70% da população que usufrui de mais baixos rendimentos e isto no país que em termos produtivos é o país mais  rico do mundo.

A serie será concluída com um trabalho excecional assinado por Mark Weisbrot e  Lara Merling* , intitulado O  Acordo da Argentina com o FMI: a austeridade expansionista funcionará?  editado pelo Center for Economic and Policy Research, sediado em Washington com a data de dezembro de 2018. Com a sua leitura fica-se com a certeza de uma verdadeira vergonha: as autoridades nacionais e internacionais parecem não ter aprendido nada com a crise que gerarem na Europa e no mundo, repetindo as mesmas metodologias e as mesmas políticas que já bem se mostraram falhadas. Que o digam, por exemplo, os gregos, entre outros povos europeus.

Coimbra, 27 de Outubro de 2019

Júlio Marques Mota

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