CARTA DE BRAGA – “da poesia e da vida” por António Oliveira

Uma pequena, atrasada e talvez inútil homenagem a Sophia, mas… quem sou eu?

E se não me viessem a acusar de excessivo ou de estar a abusar da retórica, creio que poderia afirmar que os males do mundo decorrem da pouca importância que as pessoas dão à leitura e fruição da poesia.

Não discuto nem atribuo prioridade a nenhum poeta, tantos são os que nos mereceriam atenção (neste blog participam alguns de nunca perder) mas, socorro-me das palavras autorizadas de Goethe por garantir ‘o homem surdo à voz da poesia é um bárbaro, seja ele quem for

E por estar a usar citações, apontei um dia uma de um autor qualquer, que bem poderia ser aplicada aos dias de hoje ‘na poesia, o importante não é só o que se diz, mas a maneira como se diz e isto é tão válido na poesia como na política

Apontei isto no meio da uma conversa e não dei grande importância ao autor (se o disseram!), por ser bem gritante a verdade da afirmação e me levou à ‘Sociedade do Espectáculo’ definida por Guy Debord, onde nos diz responsáveis por se verem tantos jovens a tentar emular os vencedores, pondo-nos de lado a nós, progenitores, os maiores perdedores nesta sociedade pouco conscienciosa.

O ‘espectáculo’ como previu Debord, criou e está a alimentar uma geração de pessoas dependentes da fruição do prazer próprio do ‘aqui e agora’, quando a vida é bem diferente!

Um ciberproletariado (não sei se este termo tem algum valor, mas creio que me entendem) que recusa a leitura e o debate sobre o futuro, (‘quando lá chegar logo vejo!’, ouvi isto montes de vezes quando professor), parece caminhar aceleradamente nessa direcção.

Debord considerava estarmos num ‘momento de vida, concreta e deliberadamente construído pela organização colectiva de um ambiente unitário e de um jogo de acontecimentos’ para a transformar numa ‘unidade de comportamento temporal’ devido à preparação e ao modo como se desenrola.

Obviamente que a educação parece já não significar grande coisa, vivemos numa sociedade que lhe dá pouca importância, até como elevador social, substituída pela necessidade imperiosa em deixar miríades de fotos nas redes sociais, sem exigir memória do ‘antes’ nem do ‘depois’ de um qualquer acontecimento.

Talvez prevendo tal situação, Aristóteles (séc. III A.C.) garantiu ‘a poesia é mais filosófica e mais séria que a história, pois a poesia revela o universal e a história o particular

É importante falar disto num tempo onde a história está a ser ‘fabricada’ e comandada por ‘tweets’ e as notícias só são verdadeiras quando acompanhadas e garantidas por ‘selfies

A terminar, deixo aqui a resposta recente de um prémio Nobel de Bilogia, Walter Gilbert, a uma simples pergunta a respeito deste tema

«Existe poesia na ciência?

É uma maneira de olhar que todos podemos compartilhar, quer seja um pôr-do-sol, quer seja a lâmina no microscópio. A poesia também é um caminho para o conhecimento!»

Quem poderá divulgar esta afirmação pelos obcecados dos ‘tweets’,  amigos das ‘selfies’ e ‘cabeças baixas’ dos smartphonese?

E que tem tudo isto a ver com a ‘Espada de Santiago’?

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

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