HOJE É O PRIMEIRO DE DEZEMBRO, por João Machado

 

 

Portugal, na sua história, tem várias datas com forte significado. O 14 de Agosto, dia da batalha de Aljubarrota  e  o 1.º de Dezembro,  que marca o início do processo de expulsão da casa de Habsburgo, assinalam momentos decisivos para a independência do nosso país. O 5 de Outubro e o 25 de Abril são símbolos de etapas em que se procurou afirmar e consolidar os direitos do nosso povo.  Na primeira daquelas datas há quem defenda que se deveria celebrar o tratado de Zamora, de 1147, entre Afonso Henriques e Afonso VII de Leão, marco fundador do nosso país. A 10 de Junho,  data da morte de Luís Camões,  actualmente, comemora-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Hoje é uma dessas datas. Está actualmente considerada como feriado nacional, após uma “suspensão” imposta em 2012 pelo governo Passos/Portas e promulgada pelo então presente Cavaco Silva. O governo de António Costa (que alguns chamam da “gerigonça”) repô-lo e o actual presidente da república Marcelo Rebelo de Sousa declarou mesmo que nunca devia ter sido suspenso. Hoje mesmo presidiu às comemorações oficiais, na Praça dos Restauradores. Esperemos que assim continue. Não se trata aqui de criar expectativas ou de fazer vaticínios para as próximas eleições presidenciais, que ocorrerão, salvo erro, em 2021. Trata-se sim de reconhecer a importância da data.

Nos anos anteriores a 1640 os portugueses sentiram os inconvenientes da dependência de Madrid, com o incumprimento do acordado nas cortes de Tomar (1581) e a política centralizadora e despótica de Olivares. Deram a sua resposta em 1640 e nos anos seguintes, com as guerras da independência. Muitos episódios ocorreram desde então, nas relações entre os dois países. Hoje em dia, integrados na União Europeia e tendo à sua frente governos que parecem dar prioridade absoluta à contemporização com Madrid, há problemas com as águas do Tejo, por diversas razões, entre as quais avultam o transvase Tejo-Segura, um projecto que já vem do tempo de Francisco Franco, as ligações por caminho de ferro (1) e os efeitos poluidores da central nuclear de Almaraz e das minas de Retortillo.  A necessidade de uma política firme na defesa dos interesses portugueses continua a ser premente.

Não é com certeza apenas com Madrid que os portugueses necessitam de afirmar a sua independência. A adesão à União Europeia tem sido uma desilusão para muitos de nós, e o imperialismo norte-americano continua presente. As relações com a China não são feitas de modo nenhum numa base de igualdade. Tudo aponta no sentido de ser necessário reforçar cada vez mais a independência nacional.

Ser independente não é ser hostil com os outros povos, a começar pelos nossos vizinhos. Mas inclui não aceitar comportamentos hostis, incluindo todos os que nos são prejudiciais. É indispensável para que uma nação subsista que o seu povo se sinta seguro, e que não é rebaixado nas relações internacionais, tal como na sua vida interna.

Hoje, até cerca das 23 horas, tivemos no nosso blogue mais de duzentas visites para ouvirem o Hino da Restauração.  Ajudem-nos a compreender o significado dessas visitas. E acreditem que não queremos nenhuma guerra peninsular, de qualquer espécie. Nem outra guerra qualquer.

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(1) – Para ler sobre este assunto clique nos links abaixo:

 

https://aviagemdosargonautas.net/2017/06/03/editorial-sera-desta-que-portugal-aposta-na-ferrovia-por-antonio-gomes-marques/

https://aviagemdosargonautas.net/2017/08/09/manifesto-portugal-uma-ilha-ferroviaria-na-uniao-europeia-enviado-por-antonio-gomes-marques/

 

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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