A Guerra na Ucrânia — A mais recente bandeira falsa – a Rússia ataca a Ucrânia com armas nucleares.  Por Karl Haki

 

Seleção e tradução de Francisco Tavares

10 m de leitura

 

A mais recente bandeira falsa – a Rússia ataca a Ucrânia com armas nucleares. 

 

Por Karl Haki

Publicado por em 18 de Abril de 2022 (original aqui)

 

Importante para a narrativa ganhar força é a afirmação de que a Rússia está a perder a guerra na Ucrânia.

 

A Rússia está a perder a guerra na Ucrânia, Putin está a ficar desesperado, e, como diz a narrativa dos media ocidentais, o próximo acontecimento que o mundo pode esperar é o Kremlin a lançar um ataque nuclear contra a Ucrânia.

Não será com grandes armas nucleares estratégicas “normais”, mas sim com bombas nucleares de “baixo rendimento” ou tácticas – por isso estamos preparados.

O naufrágio do navio de guerra Moskva na Quinta-feira – descrito como o navio-estandarte da frota russa do Mar Negro – é citado como um duro “golpe” no esforço de guerra de Putin na Ucrânia.

A forma como o navio naufragou é contestada.

A Rússia está a dizer que se afundou em mar tempestuoso depois de ter sido danificado por um incêndio a bordo resultante de uma explosão de munições. A Ucrânia e o Pentágono afirmam que o navio foi atingido por dois mísseis Neptune anti-navios.

No dia seguinte, o Presidente ucraniano Vladimir Zelensky deu uma entrevista à rede americana de notícias por cabo CNN na qual advertiu que a Rússia poderia atacar o seu país com armas nucleares tácticas.

A linguagem críptica é bizarra. Zelensky disse a Jake Tapper da CNN que temia que a Rússia pudesse usar bombas nucleares: “Não só eu – todo o mundo, todos os países têm de estar preocupados porque pode não ser informação real, mas pode ser verdade”.

Também parece estranho que a CNN envie o seu apresentador estrela para uma zona de guerra para conduzir uma entrevista exclusiva no conforto do gabinete presidencial adornado com bandeiras. Há algumas semanas atrás, Zelensky estava supostamente escondido em bunkers subterrâneos secretos a fazer telefonemas apressados a líderes internacionais e parlamentos.

Zelensky afirmou que a Rússia podia usar armas químicas ou bombas nucleares porque Putin “não valoriza a vida das pessoas na Ucrânia”.

No início desta semana, o director da CIA, William Burns, emitiu um aviso de que a Rússia poderia recorrer a armas nucleares tácticas na Ucrânia. Falando a 14 de Abril, ele disse que o risco avaliado nessa altura era baixo. Mas Burns qualificou a avaliação, acrescentando que se a Rússia entrasse em desespero, a sua decisão de utilizar armas nucleares poderia mudar.

“Em virtude do potencial desespero do Presidente Putin e da liderança russa, dados os reveses que enfrentaram até agora, militarmente, nenhum de nós pode encarar de ânimo leve a ameaça representada por um potencial recurso a armas nucleares tácticas ou a armas nucleares de baixo rendimento”, disse Burns.

A narrativa dos meios de comunicação social ocidentais sobre a Rússia utilizar armas nucleares tem vindo a ser construída de forma paulatina e constante. Quando Putin ordenou a intervenção militar para “desmilitarizar e desnazificar” a Ucrânia, a 24 de Fevereiro, colocou também as forças nucleares russas em alerta. Essa medida de precaução, dado o contexto mais vasto do armamento do regime de Kiev pela NATO, foi noticiada nos meios de comunicação ocidentais em termos histéricos de que “o mau Vlad” estava prestes a criar nuvens de cogumelos sobre a Europa. Desde então, tem sido sugerido que Putin poderia jogar com o sabre nuclear, numa tentativa maníaca de “escalar para desescalar”.

Depois tivemos ondas de “relatos” de que a Rússia estava a planear utilizar armas químicas. Mais tarde foi admitido que a alegação era desinformação divulgada pelos serviços secretos americanos, que foi avidamente amplificada pelos meios de comunicação ocidentais. Zelensky parece estar agora a voltar ao receio das armas químicas, para além das armas nucleares.

Importante para a narrativa ganhar força é a afirmação de que a Rússia está a perder a guerra na Ucrânia.

As tropas russas retiraram-se da capital Kiev para concentrar os seus esforços de combate para derrotar os principais grupos de batalha ucranianos no leste do país. Moscovo diz que o seu principal objectivo é proteger as repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk, cuja população de língua principalmente russa suportou oito anos de guerra pelo regime de Kiev, apoiado pela NATO.

Os meios de comunicação ocidentais retrataram a estratégia da Rússia como um recuo e um revés para Putin que, também nos “informam”, está a ser enganado pelos seus generais militares escondidos e bajuladores.

No entanto, analistas militares independentes como o antigo oficial do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, Scott Ritter, rejeitam a conversa do “revés”, afirmando que as forças russas praticamente derrotaram o lado ucraniano e estão a preparar um devastador “caldeirão” para aniquilar os restos do Batalhão Nazi Azov na região oriental de Donbass. A captura da cidade portuária de Mariupol esta semana é indicativa do sucesso estratégico russo. A tomada de Kiev nunca foi declarada como um objectivo russo.

O Presidente dos EUA Joe Biden e a aliança da NATO estão sob intensa pressão para intervir directamente na Ucrânia. Desde que tomou posse, Biden já ordenou 3 mil milhões de dólares de armamento para “defender a Ucrânia da agressão russa”. Mas Biden e a liderança da NATO em Bruxelas estão, até agora, a recuar perante qualquer envolvimento directo, temendo que este possa degenerar em espiral numa Terceira Guerra Mundial. Poderão dizer que ele é o dorminhoco Joe, mas dormir a caminhar para o Armagedão é um despertar demasiado forte.

O regime de Kiev e o seu actor-salvador dos meios de comunicação social, convertido em presidente Zelensky, que opera como um activo da CIA que actua com método, não cessam de pressionar os Estados Unidos e a NATO a entrar em guerra contra a Rússia. Nesse apelo, Zelensky é impulsionado pelos governos russófobos da Polónia e dos Estados Bálticos da Lituânia, Letónia e Estónia. Estes Estados menores da NATO estão dispostos a enviar aviões de guerra e mísseis. As caudas estão a tentar que os cães se mexam.

Biden está sem dúvida ciente do perigo catastrófico, mas parece haver uma facção dentro do aparelho de inteligência militar dos EUA que está a considerar a hipótese de uma guerra com a Rússia. Os lucros potenciais para Lockheed Martin e Ca. são irresistivelmente sedutores para lá do razoável. O capitalismo americano também precisa de evitar o colapso social que se está a produzir pela pobreza recorde e tensões de classe sem precedentes.

As provocações de falsa bandeira das alegadas atrocidades cometidas pela Rússia na Ucrânia estão a aumentar. Alegações de bombardeamentos a hospitais, teatros e estações ferroviárias (que foram desmascaradas) são misturadas com os horrores relatados da execução de civis e do lançamento dos seus corpos para valas comuns. As tropas russas são acusadas de todo o tipo de depravações, de violações de avós e crianças.

Zelensky diz à CNN que Putin não quer saber das vidas ucranianas. A imagem subumana da Rússia e do seu líder cresce e cresce.

Entretanto, a CNN e outros meios de comunicação ocidentais divulgam a conduta nazi dos militares ucranianos, a tortura e execução dos soldados russos capturados, os bombardeamentos indiscriminados de civis no Donbass, para não mencionar as alegações credíveis de que as forças ucranianas apoiadas pela OTAN levaram a cabo as atrocidades em Bucha e Kramatorsk com o objectivo de incriminar a Rússia.

Biden sentiu a “pressão emocional” para condenar a Rússia por crimes de guerra e genocídio. Ele está a enviar mais armas esta semana.

Mas até agora, as falsas bandeiras que o regime ucraniano e os seus manipuladores ocidentais sacaram ainda não provocaram uma guerra total – ainda. A mais recente operação de bandeira falsa que está a ser feita é a sensacional informação de que “Putin lançou uma bomba nuclear na Ucrânia”.

O ponto-chave de um ataque nuclear de baixo rendimento de 8 quilotoneladas, em oposição a bombas maiores da variedade Hiroshima (em que os americanos se destacam como as únicas que alguma vez foram utilizadas), é que as primeiras podem ser fingidas como vindas da Rússia. Um dispositivo deste tipo poderia ser portátil, uma chamada bomba de mala. Calcula-se que os EUA tenham 100 bombas nucleares tácticas deste tipo na Europa. Se uma não for realmente utilizada, a reportagem de “explosões extremamente barulhentas e desconhecidas” por parte dos obedientes meios de comunicação social ocidentais pode fazer-se passar pelo temido resultado. Como Zelensky disse à CNN… “porque pode não ser informação real, mas pode ser verdade”.

 

 

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