Autópsia de uma morte de há muito tempo anunciada, a da Universidade (8/8) — Anexo 3 .  A importância da história – extrato do artigo “A verdadeira Agenda Global a pressionar para a guerra com a China”. Por Cynthia Chung

Nota de editor:

Dada a extensão do presente texto, o mesmo é editado em oito partes, hoje a oitava e última parte.

 


Autópsia de uma morte de há muito tempo anunciada, a da Universidade (8/8)

 Por Júlio Marques Mota

Coimbra, 26 de março de 2025

 

Índice

    1. Introdução
    2. De uma estranha exclusão a uma estranha inclusão
    3. O poder absoluto conferido por um título
    4. Sobre os tempos de desprezo pelos docentes, pela docência, nas Universidades de agora
    5. A Universidade, entre a vista curta da Rua da Betesga ou a visão larga da Praça D, Pedro IV, escolhe a rua da Betesga
    6. Anexo 1. Capitalismo da finitude
    7. Anexo 2. A propósito de um concurso para catedrático, um olhar para dentro da Universidade
    8. Anexo 3- A importância da história

 

5 min de leitura

 

8. Anexo 3.  A importância da história – extrato do artigo “A verdadeira Agenda Global a pressionar para a guerra com a China”

 Por Cynthia Chung

Publicado por  em 2 de Agosto de 2022 (original aqui; blog desativado em Fevereiro de 2023)

 

(…)

[O] Império Britânico tinha avançado para um sistema de comércio livre na década de 1840, baseado no modelo “A Riqueza das Nações”, de Adam Smith. Neste novo sistema de comércio acreditava-se que, se houver procura de um produto, um país não tem o direito de intervir na sua transação. O protecionismo, que tinha sido praticado pela Grã-Bretanha até esse momento, tinha agora sido considerado uma prática imprópria…pela Grã-Bretanha, e todos os outros países deveriam naturalmente seguir de acordo com as “novas regras” escolhidas para eles.

A Grã-Bretanha, contudo, concederia a si própria ser o único país autorizado a continuar a prática do protecionismo enquanto impunha o seu comércio “livre” aos outros.

No caso da China, o comércio de ópio acabou por ser proibido pelos chineses, devendo ser aplicadas punições severas aos envolvidos no contrabando do produto para o país, o que incluiu mercadores britânicos. O Império Britânico considerou isto uma ameaça direta à sua “segurança” e à sua nova aplicação do comércio livre. Assim, quando a China não recuou, a Primeira Guerra do Ópio (1839-1842) foi desencadeada. O resultado foi a assinatura forçada do Tratado de Nanking, em 1842.

Este tratado, conhecido como o primeiro dos “tratados desiguais”, cedeu o território de Hong Kong à Grã-Bretanha e permitiu aos mercadores britânicos não só fazer comércio em Guangzhou, mas agora também com cinco outros “portos do tratado ” e com quem lhes agradasse.

Criada em 1600 com uma Carta Real da Rainha Isabel I, a Companhia das Índias Orientais foi desde o seu início indistinguível do próprio Império Britânico, ascendendo a ser responsável por metade do comércio mundial. Como é corretamente dito por Lord Macaulay, no seu discurso na Câmara dos Comuns em julho de 1833, desde o início a Companhia das Índias Orientais esteve sempre envolvida tanto no comércio como na política, tal como os seus homólogos franceses e holandeses estiveram.

Por outras palavras, a Companhia das Índias Orientais devia facilitar o jogo de xadrez geopolítico que o Império Britânico desejava ver jogado. Não só os contratos comerciais que recebia, mas territórios colonizados inteiros ganhos pelo Império Britânico foram entregues a esta empresa para gerir, juntamente com um grande exército privado, tudo ao abrigo do decreto da Coroa. Isto seria mais evidente na liberdade que lhe foi dada para controlar a produção de ópio na Índia britânica e para depois facilitar o seu comércio dentro de Hong Kong e outras partes colonizadas do sudeste asiático.

A China foi considerada não cooperante com as condições assinadas ao abrigo do Tratado de Nanking e uma Segunda Guerra do Ópio foi declarada pelo Império Britânico, com duração de 4 anos, no período 1856-60. [Há um excelente filme chinês chamado “A Guerra do Ópio” que passa em revista esta história, pode vê-lo aqui ].

Os britânicos (com ajuda francesa) derrotaram as defesas chinesas depois de uma guerra de quatro anos. A China, uma civilização antiga com uma sociedade avançada, tanto cultural como cientificamente, foi forçada a ser inteiramente dependente da política externa britânica e do seu livre comércio forçado de ópio.

A 18 de Outubro de 1860, os britânicos incendiaram o Palácio de Verão, também conhecido como Yuanmingyuan (Jardins de Perfeito Brilho), os franceses aparentemente recusaram-se a ajudar. A demolição do edifício demorou dois dias.

Quando a guerra foi ganha, tropas britânicas e francesas (e mercenários) saquearam e destruíram muitos artefactos, muitos dos quais permanecem no estrangeiro, espalhados por todo o mundo em 47 museus. Uma recordação contínua dos seus despojos das Guerras do Ópio. Que ironia que tantos apreciem contemplar tais obras de beleza e esqueçam o horror que foi cometido para alcançá-las.

Era necessário criar um banco amigo dos britânicos para facilitar o comércio na região, ligando os tesouros recentemente adquiridos pelo Império de Xangai e Hong Kong com a sua Índia britânica (o maior produtor mundial de ópio), juntamente com o resto do Império Britânico e a Europa. O HSBC (The Hong Kong and Shanghai Banking Corporation) foi fundado em 1865 para este fim, que continua até aos dias de hoje.

Este banco não se destinava apenas a facilitar o comércio externo dentro da China, mas foi também criado para outros fins da forma que considerasse adequada, incluindo, nomeadamente, para o comércio do produto de ópio. É importante notar que embora o fundador do HSBC seja creditado como Thomas Sutherland da Peninsular and Oriental Steam Navigation Company, um comerciante escocês que queria que o banco operasse sob “sólidos princípios bancários escoceses”, o banco tinha sido criado desde o início para facilitar o comércio desonesto em nome do Império Britânico.

A China refere-se a este período como o seu “século de humilhação”, também conhecido como os “cem anos de humilhação nacional”, descrevendo o período de 1839 a 1949.

O que aconteceu em 1949?

Os chineses tinham travado uma guerra civil de 22 anos (desde agosto de 1927 a outubro de 1949), que se sobrepôs à Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-1945), onde os chineses também lutaram contra os fascistas japoneses pela sua própria existência. Os fascistas japoneses queriam limpar etnicamente a China, bem como toda a costa oriental da Ásia. Ho Chi Minh liderou a corajosa luta contra os fascistas japoneses no Vietname. Os fascistas japoneses cometeram o genocídio mais brutal, talvez em toda a história, conhecido como o holocausto asiático, o qual muitos ocidentais desconhecem completamente (para mais informações sobre este assunto, consulte aqui e aqui).

O mais notório de todos foi o Massacre de Nanjing, ou a Violação de Nanjing, que teve início a 13 de dezembro de 1937 e durou seis semanas. Estima-se que mais de 300.000 pessoas foram massacradas e mais de 80.000 brutalmente violadas e torturadas.

Os chineses lutaram heroicamente contra os fascistas japoneses e mantiveram o seu país intacto até ao final da Segunda Guerra Mundial. Embora muitos países europeus não tivessem sequer durado uma semana contra a invasão pelos nazis alemães, a China tinha resistido durante oito anos a uma tomada do poder pelos japoneses, enquanto lutava numa guerra civil. Certamente não existe, nem de longe, o respeito suficiente dado ao povo chinês por este incrível e heroico feito.

A 1 de Outubro de 1949, os comunistas chineses liderados por Mao Tse Tung venceram a guerra civil contra o exército Kuomintang de Chiang Kai-shek e Mao declarou a criação da República Popular da China.

(…)


A autora: Cynthia Chung é professora, escritora e co-fundadora e presidente da Fundação Rising Tide (Montreal, Canadá).

 

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