“POR DETRÁS DO ESPELHO”, por Clara Castilho

 

 



 

É este o titulo de um livro lançado pela editora “Trilhos”, com sub-titulo “Reflexões sobre o mundo desconhecido da criança autista”. É uma obra a quatro mãos: das duas terapeutas, dos dois “pacientes”- Ricardo e Carolina – com pano de fundo a presença dos pais dos jovens e de outra terapeuta Teresa Guapo.

 

 “Do prefácio assinado por Emilio Salgueiro podemos retirar:

 

…“Quem vai para o “por detrás do espelho”, fica lá preso, não consegue sair sozinho” …. Maria José Vidigal e Margarida Bilreiro (e ainda Teresa Guapo) foram em busca da “porta de entrada” por “detrás do espelho”, decididas a irem ter com o Ricardo e com a Carolina e a procurarem trazê-los de volta…. A fresta de entrada foi-se alargando… incluindo heroicamente os próprios pais das crianças e quer o Ricardo, quer a Carolina puderam iniciar o caminho de regresso, em segurança, do exílio auto-imposto, procurando manter-se, agora, no espaço “à frente do espelho”…. Regressaram ao mundo das pessoas, com todo o “mal–de-viver-corrente”a isso inerente, mas também se foram abrindo à maravilha e ao espanto de se estar vivo, ao deslumbramento perante tudo o que existe à volta, a perder de vista!.”

 

 

 

Na Introdução as terapeutas explicam que receberam o Ricardo e a Carolina, agora respectivamente com 25 e 18 anos, quando ainda não tinham 4 anos de idade e com o diagnóstico de autismo.

 

O livro faz uma revisão da história do autismo, apresenta a evolução dos agora dois jovens, tem um capítulo sobre o diálogo com os pais e faz, ainda, uma reflexão sobre a inclusão nas escolas, as técnicas de mediação corporal e as unidades em tempo parcial.

 

Carolina encontrou na poesia uma porta de passagem com o mundo. Deixou uma das poesias publicadas.

 

Nós e o que nos rodeia

(Setembro, 2008, aos 15 anos)

 

Que triste, que indecente

Parece que sou inconveniente!

Do Mundo eu estou atrás,

É o azar que me traz!

 

O meu Mundo

Parece um fundo obscuro

Não tem luz de mocidade

Uma coisa que eu não curo

A ausência de felicidade.

 

Eu nunca tenho sorte

É como se no meu coração houvesse um corte

Estou cercada de azar

Um caminho que nunca vai acabar!

 

Estou rodeada de gente ignorante

Que têm uma mente incompetente

Uma razão sedenta de clemência

Mas cheia de ignorância!

 

Ficamos agradecidos ao Ricardo e à Carolina pela coragem de se exporem, à Maria José e à Margarida pela persistência na luta no que acreditam e por continuarem a acreditar em Utopias! E ao João Costa por continuar a publicar livros desafiadores.

 

 

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